Corrosão ou oxidação? Confira as principais dúvidas sobre ferrugem nos barcos

Nem tudo está perdido quando as primeiras manchas começam a aparecer na embarcação. Veja o que fazer!

Por: Redação -
06/09/2025
Foto: wirestock/ Envato

Todo mundo sabe que barco foi feito para a água, portanto nada mais natural que sofra as consequências do meio em que ele vive. Nesse cenário, um dos maiores pesadelos é a ferrugem. E como todas as embarcações contêm metais — mesmo as com casco em fibra de vidro —, nenhuma está inume aos riscos.

Quando se trata da água do mar, a situação é mais grave. O sal potencializa o processo de corrosão, que se manifesta até nos ambientes onde o barco não tem contato direto com a água — bastam os efeitos da maresia ou da falta de neutralização da corrosão nas partes submersas do casco.

Foto: linux87/ Envato

Logo, nem sempre é desleixo do dono da embarcação. A oxidação em ferragens de aço inox pode aparecer até mesmo em barcos extremamente bem cuidados. Quando a ferrugem se manifesta por fora é porque já está bem mais adiantada por dentro dos componentes.

 

Na maioria das ferragens de convés, a corrosão é apenas um inconveniente estético. Mas, quando em motores ou propulsores, a ferrugem pode provocar estragos maiores e mais sérios.

Corrosão e ferrugem são a mesma coisa?

Para essa pergunta, a resposta é: não! Corrosão é um processo que provoca desgaste de uma liga metálica. Já ferrugem nada mais é do que um caso particular de corrosão no ferro. A rigor, portanto, barcos nem deveriam usar a expressão “ferrugem”, mas sim “oxidação”, porque ferro mesmo é o que eles menos têm.

Foto: wirestock/ Envato

Mesmo assim, seja ferrugem ou oxidação, o fato é que ambos são um problemão. Mas há como se prevenir do problema se alastrar. Num barco, vale tudo para tentar ganhar esta guerra contra um inimigo que corrói tudo — inclusive a paciência dos donos.

 

Sendo assim, a Revista Náutica reuniu as principais dúvidas sobre a ferrugem no barco — e, claro, suas devidas respostas. Confira abaixo!

Dúvidas mais comuns sobre ferrugem no barco

Corrosão e oxidação são a mesma coisa?

Não. Oxidação é uma reação química, na qual um material ou elemento se une ao oxigênio, formando um novo composto: um óxido. Nem toda oxidação de metal gera corrosão, pois ela só ocorre quando esta reação química provoca a perda de material de uma das partes envolvidas.

A ferrugem ataca mais no mar?

A reposta é sim. Além do sal, o mar também tem cloro natural que acelera a corrosão, porque transforma a água em um eletrólito mais eficiente, aumentando sua condutividade elétrica — e eletricidade acentua a corrosão. Isso faz com que a ferrugem apareça no barco e avance bem mais depressa do que na água doce.


Onde a corrosão costuma atacar mais?

Nas ferragens do convés, especialmente nos guarda-mancebo, âncora e escadinha de popa. Mas partes metálicas submersas (como eixos, rabetas, hélices e lemes) também estão sujeitas à corrosão, embora com menos intensidade, já que anodos de sacrifício protegem bem estas peças.

Aço inoxidável também enferruja?

Sim, dependendo da qualidade do aço e dos cuidados do dono do barco. Alguns fabricantes usam ligas mais baratas que resistem menos à corrosão. Há, também, o cloro (presente na água salgada), e que é até capaz de perfurar a camada protetora do aço convencional.

 

Por isso, os mais recomendados são os aços com especificação ABNT 316, que têm alto teor de cromo e suportam bem o cloro do mar. Mas — atenção! — estes não resistem aos cloros químicos nem à água sanitária. Portanto, nada disso na limpeza do barco!

Foto: MatthewWilliams-Ellis/ Envato

Se o inox for riscado ou lixado ele pode enferrujar?

Não. A camada de óxidos de cromo que revestem os aços inox volta a se formar automaticamente — e muito rapidamente — quando em contato com o ar. Mas é preciso cuidado com os serviços de soldagem em peças de inox: eles podem alterar a quantidade de cromo no local onde houve a fusão do material e provocar corrosão.

Por que aço inox em contato com alumínio gera corrosão?

A resposta está na corrosão galvânica. Ela ocorre sempre que dois metais diferentes entram em contato em qualquer meio que possa transmitir eletricidade. Como o alumínio é menos nobre que o inox, ele será corroído.

 

Isso vale também para os parafusos no aço inox — o que é bem comum nos guarda-mancebos, onde a peça é de aço e as abraçadeiras de alumínio. Evite, portanto, colocar dois metais diferentes em contato direto. Se tiver que fazê-lo, coloque um isolante no meio.

Além da água, o que mais pode causar corrosão acentuada num barco?

A fuga de corrente elétrica para uma parte metálica submersa ou desprotegida de anodo de sacrifício. A energia pode dissolver qualquer metal em questão de dias!

Foto: flotsom/ Envato

Existe receita caseira para prevenir a corrosão?

Sim. Lavar bem as ferragens com água doce e sabão depois dos passeios — tanto no mar quanto em água doce. O polimento com cera náutica também blinda bem contra a corrosão.

Em qual estágio a ferrugem ainda tem cura?

Sem dúvidas, bem antes de perfurar as partes do barco. Em cascos de aço, se for descoberta ainda cedo, o jateamento seguido de pintura resolve o problema. Mas se a ferrugem atacar eixos e propulsores, é bem provável que o funcionamento destes componentes já esteja comprometido — portanto, tarde demais.

 

Na grande maioria das peças de aço inox, basta um simples polimento para resolver o problema. Por outro lado, parafusos enferrujados precisam ser trocados por novos, porque não vale a pena tentar salvá-los.

Mais dúvidas? Extras para evitar a ferrugem no barco:

  • Lavou o barco? Seque cada cantinho. Especialmente os parafusos, que corroem facilmente;
  • Não use vinagre para limpar o aço inox. Ele deixa a superfície mais aderente ao sal do mar.

 

Depois disso, não restam mais dúvidas: basta seguir as dicas de NÁUTICA e ser o inimigo número 1 da ferrugem no barco. Assim, seu pesadelo estará com os dias contados.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

    Formando novas gerações: Mubadala Brazil SailGP Team treina jovens mulheres para o futuro da vela

    Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!

    Pirelli 44 Ducati Edition: nova lancha de alta performance tem DNA de MotoGP

    Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades

    NX Boats e Suassuna Fernandes conectam os universos náutico e imobiliário através da Pininfarina

    Colaboração estratégica reúne engenharia, design, condições comerciais exclusivas e experiências para clientes das duas marcas, e inclui uma edição especial da NX 44 Fly nas cores do Suassuna Design by Pininfarina

    Real 45 Luxury surpreende nas vendas e já tem encomendas até setembro de 2027

    Lançada no São Paulo Boat Show 2026, lancha da Real Powerboats registra alta procura e tem toda a produção vendida até o próximo ano