Azimut anuncia investimento de R$ 120 milhões no Brasil e produção de iate de 30 metros em Itajaí
A italiana Giovanna Vitelli, presidente do Grupo Azimut Benetti, veio ao Brasil para anunciar a ampliação da fábrica em Itajaí, que quase dobrará de tamanho, e a produção do modelo 30 Metri


O Brasil entrou de vez na rota da náutica mundial. E não como espectador, mas como protagonista. Foi essa sensação que ficou ao atravessar os galpões da fábrica da Azimut Yachts, em Itajaí, Santa Catarina, onde acompanhamos de perto um anúncio que reposiciona o país no mapa global da náutica de luxo. Para apresentar as novidades, a presidente do Grupo Azimut Benetti, Giovanna Vitelli, veio pessoalmente da Itália ao Brasil. Ali, entre muitos barcos em construção e o som constante da produção, ela confirmou um investimento de R$ 120 milhões no país e revelou que a marca passará a produzir o iate Azimut 30 Metri, um dos modelos mais emblemáticos da linha Grande e, até então, restrito à produção europeia.
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Mas antes da estratégia, veio a emoção. “É um momento muito importante e estou muito feliz. Primeiro, por chegar ao outro lado do mundo e ver todos esses Azimuts. Meu pai foi um visionário que chegou aqui há 25 anos, ou até antes, já nos anos 1990, e continuar essa tradição de construção de barcos no Brasil e pensar que se abre este novo capítulo, no qual não apenas continuamos, mas crescemos ainda mais, é uma grande emoção”, afirmou Giovanna, ao relembrar o pai, fundador do grupo, Paolo Vitelli, falecido em 31 de dezembro de 2024.


O reencontro com a equipe brasileira reforçou esse sentimento. “Esta manhã falamos com os nossos 600 colaboradores, pois fazia muito tempo que eu não visitava a fábrica, e houve uma emoção coletiva que me deixou muito feliz, muito feliz mesmo”, afirmou. A visita ao Brasil não foi simbólica, foi estratégica.
Estou aqui com grande orgulho para anunciar um investimento forte no Brasil: 120 milhões de reais para este estaleiro, onde queremos crescer ainda mais– destacou Giovanna Vitelli


Um novo capítulo para a Azimut no Brasil
A fala vem acompanhada de um diagnóstico claro. O Brasil deixou de ser apenas uma operação relevante e passou a ser peça central dentro do grupo. “A Azimut é forte no Brasil. Meu pai trouxe a marca nos anos 1990 e abrimos este estaleiro em 2010, mas agora abre-se um novo capítulo porque produziremos aqui não apenas novos modelos, mas um modelo ainda maior”, explicou. Esse “modelo maior” é o ponto de virada.
Anunciamos hoje a chegada da produção em série da Azimut 30 Metri– anunciou Giovanna


Para que isso aconteça, a transformação é estrutural. “Precisamos investir em tecnologia, no escritório técnico e, sobretudo, na infraestrutura. Vamos ampliar e modernizar este local para construir o novo 30 metros”, explicou. Esse novo ciclo de crescimento também se materializa no espaço físico. A Azimut vai praticamente dobrar o tamanho da operação em Itajaí. A planta, que hoje tem cerca de 38 mil m², será ampliada para 65 mil m², um salto de 27 mil m² que reposiciona a unidade brasileira (única fora da Itália) em outro patamar industrial.


Mais do que metragem, essa expansão traduz capacidade. É o tipo de estrutura necessária para viabilizar a construção de embarcações maiores, mais complexas e com padrão global. E é nesse ponto que a dimensão do movimento brasileiro ganha ainda mais força. A segunda principal fábrica da Azimut no mundo, em Viareggio, na Itália, tem cerca de 98 mil metros quadrados. Com a ampliação em Itajaí, a unidade brasileira passa a operar com 65 mil m², um salto que a coloca em outro patamar dentro do grupo. Não se trata de comparar tamanhos, mas de entender direção. O Brasil deixa de ser uma operação periférica para se aproximar, em escala e relevância, do coração industrial da marca.
Entrada na “Série A” dos grandes iates
Produzir um iate desse porte em território brasileiro não é apenas uma expansão. Trata-se de uma mudança de categoria. “Com um barco deste tamanho, entramos no ‘campeonato da Série A’. É preciso competência, qualidade manual e engenharia. Poucos estaleiros no Brasil hoje conseguem vencer esse desafio”, ressaltou Vitelli. A confiança vem da experiência global.
Sendo o primeiro produtor mundial de megaiates, temos a experiência e a competência para fazer isso bem no Brasil– destacou a presidente do Grupo Azimut Benetti
Mas há um ponto que explica por que esse movimento acontece agora. O cliente brasileiro evoluiu. “O Brasil é um mercado muito importante e este estaleiro não é apenas uma unidade brasileira, é parte do grupo Azimut Benetti. É um mercado que vem crescendo e onde a qualidade da nossa marca é muito percebida.” E mais: “é um mercado maduro para acolher um barco maior. O cliente brasileiro da Azimut é fiel e temos muitos que já compraram vários barcos conosco. A chegada da 30 Metri é uma resposta a esses clientes que querem crescer”, detalhou. Ao mesmo tempo, o novo modelo amplia o alcance da marca. “Este barco é um dos mais belos do mercado global e atrairá novos clientes”, acredita Giovanna.


Apesar do DNA italiano, o barco nasce com identidade brasileira. “Eu diria que é um barco com DNA italiano no design e arquitetura, mas com alma brasileira”, analisou. Essa adaptação é cultural. “Ele é adaptado à cultura específica deste país, voltado para a grande socialidade e vida externa”. E ganha conceito próprio. “O conceito é o ‘Barefoot Luxury’: um modo de viver rico em detalhes e arquitetura, mas de forma relaxada com a família e amigos”, explicou. Isso se traduz em escolhas concretas. “Adicionamos o estilo de vida local com mais espaço para churrasco, festas, música e terraços para dançar. É a combinação perfeita de Itália e Brasil”, definiu Giovanna.


Ao caminhar pela fábrica, fica evidente que o Brasil já não ocupa um papel periférico dentro do grupo. “Esta é, para todos os efeitos, Azimut Benetti. Esta fábrica está cada vez mais integrada com a Itália. Temos trocas contínuas de pessoas que daqui vão para a Itália e da Itália vêm para cá, além de uma troca produtiva e tecnológica”, explicou. Em alguns casos, o fluxo se inverte. “Agora equipes italianas estão vindo para estudar o modelo brasileiro para levá-lo à Itália”. A marcenaria brasileira virou referência global dentro da própria Azimut.
Do Brasil para o mundo
Essa evolução também passa por pessoas. “Vamos aumentar o número de colaboradores de 600 para 800 pessoas”, anunciou. “Exceto pelos moldes e engenharia básica que vêm da Itália, toda a execução e as modificações de engenharia para adaptação local serão feitas aqui. E toda a produção de móveis é feita internamente pela Azimut Brasil”. Mas há um desafio claro.
Um dos desafios é desenvolver uma cadeia de fornecedores de altíssimo nível no país para superiates– pontuou
No mar, a evolução é tecnológica. “A Azimut é a marca com a gama de produtos mais sustentável do mundo, os chamados ‘Low Emission Yachts’, que consomem de 20% a 25% menos que a concorrência”. Isso começa pela estrutura. “A superestrutura é produzida em carbono para tornar o barco mais leve, permitindo motores menores e menor consumo”. Passa pelo desenho do casco. “Este barco possui uma carena patenteada com um bulbo frontal que o torna 20% mais eficiente que barcos similares”. E chega à experiência a bordo: “Enquanto o barco navega, ele armazena energia em baterias. Quando está parado na baía fazendo churrasco ou nadando, o sistema alimenta o ar-condicionado e geladeiras sem ruído ou odor de gerador, como em um barco a vela”. O futuro já está em teste. “Estamos inclusive testando na Itália o primeiro sistema IPS híbrido”, revelou.


O Brasil também ganha relevância como base regional. “O mercado brasileiro já é grande por si só, mas daqui exportamos cerca de 10% da produção para mercados vizinhos como Colômbia, Argentina e Uruguai”. E há razões estruturais para isso. “Este país tem duas características importantes: vocês são um povo de navegadores, com uma cultura náutica avançada e competência em design e tecnologia”. E um diferencial que chama atenção dentro do grupo:
Há uma competência artesanal única no trabalho com madeira, a melhor de todo o nosso grupo– garantiu Giovanna sobre a produção brasileira
Mas o crescimento encontra limites fora do estaleiro. “O único problema é a infraestrutura: se os barcos crescem, as marinas também precisam crescer”. A questão é estrutural. “As que existem são de boa qualidade, mas as vagas para barcos grandes são poucas”. E o impacto é maior do que parece. “O turismo náutico gera o mais alto multiplicador econômico e de empregos; não é apenas sobre quem compra o barco, mas sobre os milhares de empregos em serviços, marinas, restaurantes e shoppings.” Sem estrutura, o país perde. “Precisamos de marinas que acolham barcos cada vez maiores para que os brasileiros não levem seus barcos para a Flórida, por exemplo”.


Nesse cenário, os eventos ganham importância. “Acredito muito nos Boat Shows para mostrar o que o estaleiro faz, mas acredito ainda mais na criação de uma comunidade”. A lógica é emocional. “Criamos uma grande família de apaixonados que se tornam amigos. O Boat Show de Itajaí é um dos mais belos, com muita vivacidade e cultura náutica dinâmica”.
Em um mundo instável, Giovanna vê oportunidade na região. “Devido às incertezas mundiais, a América Latina é uma região onde prevejo crescimento, pois é um lugar onde se pode desfrutar do barco com tranquilidade”. Para o Brasil avançar ainda mais, há caminhos claros. “É necessário melhorar a cadeia de suprimentos e investir no treinamento das tripulações. Porque o produto evolui e o serviço precisa acompanhar. À medida que o barco cresce, o serviço também deve se tornar de luxo”, avaliou.
O próximo passo já começou
No fim, a pergunta inevitável é sobre o futuro. E a resposta vem sem rodeios. “Nós somos líderes do mercado brasileiro e eu espero e lutarei para manter essa liderança no Brasil também no futuro”. O caminho está definido. “Estamos investindo muito nos produtos, na qualidade e nas pessoas.” E o horizonte é claro.
Espero que ainda sejamos número um deste mercado, com cada vez mais barcos e barcos maiores, trazendo exatamente toda a cultura que o grupo tem no mundo, concentrada aqui– defendeu Vitelli
A fala projeta um caminho claro. A chegada da 30 Metri não é um ponto final, mas um começo. Dentro da linha Grande da Azimut, existem modelos ainda maiores, como a 36 Metri, a Trideck de 38 metros e a 44 Metri. Diante do ritmo de investimentos e da evolução da operação brasileira, a pergunta deixa de ser “se” e passa a ser “quando” esses próximos passos podem acontecer.


Talvez seja isso que estava no ar na fábrica em Itajaí. Não era apenas o anúncio de um barco de 30 metros. Era a confirmação de que o Brasil mudou de lugar. E, desta vez, não como espectador, mas como protagonista.
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