Por trás da arquitetura de interiores náutica: cada centímetro importa
Viver sobre as águas em algum momento da vida é um desejo que, constantemente, navega pela cabeça de quem já teve alguma experiência náutica — seja na prática ou ainda que apenas acompanhando de longe os que já vivem assim. Não à toa, existem profissionais que se atentam a cada mínimo detalhe na hora de levar a praticidade de uma casa em terra firme para um lar sem local fixo, como são os barcos.
Em harmonia com o meio-ambiente, Casa Península encanta pela arquitetura diferenciada
Casa em forma de barco projetada por Frank Lloyd Wright está à venda por R$ 11,4 milhões
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
Carolina Castilho e Marianna Teixeira, arquitetas à frente do escritório Freijó Arquitetura, conhecem como poucos os desafios de projetar ambientes para quem adota as embarcações como moradia. Isso porque, diferentemente dos projetos residenciais, a arquitetura de interiores para barcos chega carregada de particularidades importantes em relação aos projetos residenciais.


Não é só sobre estética e estilo — embora isso também. Mas é sobretudo pela segurança, pelas adaptações e por escolhas inteligentes. Assim, a dupla elencou 10 pontos essenciais sobre os projetos que desenvolvem. Confira:
A história embarcada
O estilo de decoração náutico tem raízes na estética da marinha britânica do século 19, marcada por uniformes em azul marinho e branco. “Coco Chanel ajudou a popularizar esse visual ao lançar as peças navy, como a famosa blusa marinière, de listras brancas e azuis”, contou Marianna.


Diferentemente das construções terrestres, os projetos náuticos exigem atenção redobrada em diversos aspectos ligados à segurança. “O peso dos móveis e materiais é uma das principais preocupações, pois influencia diretamente no comportamento e na segurança da embarcação”, destacou Carol.
“Acessos às saídas de emergência e ao acesso à manutenção precisam ser cuidadosamente planejados, já que qualquer falha mecânica, elétrica ou hidráulica deve ser resolvida rapidamente em alto-mar”, completou.
Grandes desafios
“Projetar um iate é como colocar uma mansão dentro de uma quitinete”, resumiu Carol. As necessidades de uso são amplas, mas o espaço é extremamente restrito. Além disso, ao contrário das casas, que têm paredes e pisos ortogonais, as embarcações têm superfícies curvas que são, muitas vezes, o próprio casco.


Essa particularidade reduz as áreas de piso úteis e torna o desenvolvimento do projeto mais complexo. “Se tudo não for muito bem pensado, desperdiçam-se espaços preciosos”, alertou a arquiteta.
É preciso equilibrar funcionalidade, conforto e beleza
Diante das inúmeras restrições técnicas e espaciais, as profissionais adotam a metodologia da “espiral do projeto”. A prática consiste em avaliá-lo de maneira interdisciplinar, aprimorando-o gradualmente a cada etapa. “É um processo de amadurecimento contínuo”, explicou Marianna.


Não há como pensar o interior sem compatibilizar arquitetura, estrutura, elétrica, hidráulica, mecânica, segurança e estudo de estabilidade. “As soluções surgem a partir do entendimento sobre quem usará o barco e alinhá-las à engenharia envolvida na construção e operação da embarcação”, afirmaram.
Materiais e revestimentos
Ao especificar materiais para projetos náuticos, elas alertam que é preciso considerar as intempéries: maresia, umidade e intensa exposição solar — até as ferragens exigem atenção.


“Para mesas, por exemplo, pedras mais leves, como uso de honeycomb para alívio de peso, são excelentes alternativas. Já na marcenaria, substituir o MDF pelo compensado naval garante resistência e menor peso”, orientou Carol.
Escolha do mobiliário
O espaço compacto faz da ergonomia um desafio, uma vez que é primordial garantir conforto sem desperdiçar centímetros. Os corredores e vãos das embarcações são naturalmente mais estreitos do que em projetos residenciais — o que, além de otimizar o espaço, ajuda o usuário a se apoiar durante o movimento do barco. “Para evitar a sensação de claustrofobia, vale apostar em tons claros”, recomendou Marianna.


Traduzindo o estilo do cliente
De acordo com elas, o ponto de partida é sempre entender o perfil do proprietário. “Assim como na arquitetura residencial, tudo começa com um bom briefing”, afirma Carol. Saber se o cliente passará dias embarcado ou pretende apenas realizar passeios curtos influenciam totalmente na distribuição do espaço. “O número de pessoas também é determinante para idealizar o tamanho das áreas de refeições até a quantidade de armários”, enumerou Marianna.


Como os espaços são reduzidos, a tomada de decisões deve ser cuidadosa. “Em um barco, qualquer escolha priorizada compromete outra, então precisamos entender profundamente o que é mais relevante para o proprietário da embarcação”, ressaltou Carol.
Tendências atuais
Entre as referências mais fortes, elas destacam o uso de grandes superfícies envidraçadas onde for possível. “Os panos de vidro ampliam a integração entre o interior e exterior, trazendo o mar para dentro do projeto”, destacou Marianna. A menor compartimentação dos ambientes e a multifuncionalidade auxiliam no ganho de espaço.


“Muitas vezes o barco precisa funcionar como área de lazer, espaço de convivência e até home office. Isso exige soluções sob medida tal qual uma alfaiataria naval”, comparou Carol.
O bem-estar também é pauta. “É comum pedidos de ambientes voltados para a meditação, sauna, spa e práticas de wellness, possibilidades que reiteram a presença do autocuidado dentro dos iates”, afirmou Marianna. Ademais, materiais eco-friendly e paletas naturais também estão entre as preferências atuais.
Futuro da arquitetura náutica
“O avanço dos produtos sustentáveis é inevitável e no mercado naval não será diferente”, pontuou Carol, que observa a movimentação da indústria náutica para a produção de embarcações mais eco-friendly.
“Acreditamos que o próprio público vai impulsionar essa transformação, demandando barcos alinhados aos princípios ecológicos e comprometidos com o meio ambiente”, concluiu Marianna.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Portfólio reúne do novo 350 HP com Helm Master ao versátil VX Cruiser HO, tido como um “tanque de guerra” dos mares. Salão segue até 19 de abril
Soluções incluem motor V8-350 e sistema que atualiza até embarcações com mais de 20 anos. Salão segue até 19 de abril, na Marina da Glória
Empresa ainda aproveita o evento para lançar o Verado V10 de 425 hp, uma versão aprimorada do 400 V10. Salão segue até o dia 19 de abril
Espaço sobre as águas da Baía de Guanabara reúne personalidades do setor durante o salão náutico, que segue até 19 de abril na Marina da Glória
Patrocinado pela Vibra, programação contará com cinco bate-papos nesta quinta-feira (16). Conheça a agenda!




