Estudo revela que baleias-jubarte em migração perdem, em média, 11 toneladas de gordura

Pesquisa usou drones para quantificar o gasto energético do animal em sua jornada épica

Por: Nicole Leslie -
06/08/2025
Foto: Instituto Baleia Jubarte / Reprodução

Um novo estudo, publicado em julho na revista Marine Mammal Science, detalhou o esforço que as baleias-jubarte do hemisfério sul enfrentam em suas longas jornadas migratórias. A pesquisa revelou que essas gigantes dos oceanos chegam a perder impressionantes 11 toneladas de gordura a cada ciclo, um feito que redefine nossa compreensão sobre a fisiologia e as demandas energéticas desses cetáceos.

A metodologia empregada pelos pesquisadores utilizou a fotogrametria (técnica baseada em drones) para obter imagens de alta definição. Dessa forma, os cientistas conseguiram monitorar o volume corporal das baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) sem interferir em seu comportamento natural, garantindo dados precisos e não invasivos sobre os animais.

 

O período de observação, que se estendeu de 2017 a 2019, focou em áreas cruciais para a sobrevivência das baleias: as águas gélidas de alimentação na Península Antártica Ocidental e a costa de reprodução na Colômbia. A coleta de dados nesses locais foi essencial para compreender o impacto da migração no metabolismo e nas reservas energéticas dos animais.

Foto: Instituto Baleia Jubarte / Reprodução

Compreendendo as condições das baleias

Com um total de 282 baleias medidas, o estudo concentrou análises em 103 indivíduos adultos. A partir das imagens, foram feitas medições detalhadas de comprimento e largura, que permitiram estimar o volume corporal de cada baleia.

 

A “condição corporal” de cada animal foi calculada comparando seu volume real com o volume esperado para seu tamanho. O resultado forneceu retratos fiéis das reservas de gordura.

 

Essas medições permitiram aos cientistas quantificar a importância das reservas de gordura para a sobrevivência das jubartes, especialmente durante os períodos de migração e reprodução, quando o jejum se torna uma parte inevitável na rotina. Nesse momento, é a energia estocada que as mantém vivas.

Reserva energética das baleias se baseia no consumo de krills, pequenos invertebrados. A imagem mostra grupo de krills no mar, como comumente são encontrados. Foto: American Oceans / Reprodução

Os resultados do estudo revelaram padrões sazonais na condição corporal das baleias. O pico de acúmulo de gordura acontece entre o início de março e o final de maio, marcando o clímax da temporada de alimentação antártica, quando as baleias se preparam para a exaustiva viagem rumo às águas quentes para reprodução.

 

Por outro lado, o ponto mais baixo na condição corporal das jubartes foi observado entre o final de agosto e o início de dezembro. Essa fase coincide com o término do jejum reprodutivo e a espera pelo retorno à Antártica, evidenciando o quão esgotadas estão as reservas energéticas antes do próximo ciclo de alimentação.

O custo da migração em números

O estudo revelou que uma baleia-jubarte adulta perde, em média, cerca de 36% de sua condição corporal durante a migração. Essa redução colossal demonstra o esforço biológico extremo que a espécie enfrenta para garantir a continuidade de sua linhagem e a perpetuação do ciclo da vida.


Traduzindo essa perda em números práticos, cada jubarte perde aproximadamente 12 m³ de volume, o que equivale a impressionantes 11 toneladas de gordura. Essa massa, que funciona como a principal reserva de energia, é consumida ao longo da jornada.

 

A pesquisa especificou ainda que essa perda equivale a 5 toneladas de lipídios puros. Em outras palavras, isso corresponde a um déficit energético de 196 milhões quilojoules, o equivalente à energia contida em 57 toneladas de krill antártico, o minúsculo crustáceo que é a base da dieta das baleias.

Krill antártico. Foto: Wikimedia Commons / Øystein Paulsen

Esses dados reforçam a importância crucial do krill para a sobrevivência das baleias-jubarte. A dependência energética desses pequenos organismos torna as jubartes vulneráveis a flutuações nas populações de krill, que já enfrentam ameaças como o aquecimento global e a pesca predatória em algumas regiões.

Uma ferramenta para a conservação

Esses pequenos crustáceos formam imensos cardumes que flutuam sobre as gélidas águas antárticas, sendo um banquete fácil para as baleias, mas também alvo de atividades humanas. A saúde das jubartes está, portanto, intrinsecamente ligada à saúde do ecossistema onde se alimentam.

Foto: Instituto Baleia Jubarte / Reprodução

O estudo representa uma nova ferramenta para a ciência, que permite identificar os padrões de comportamento das baleias-jubarte. A partir deles, é possível prever possíveis períodos de vulnerabilidade da espécie.

 

Desvendar os custos energéticos da migração desses cetáceos, portanto, não apenas enriquece o conhecimento científico, mas também reforça a urgência de esforços globais que protejam os oceanos e as majestosas criaturas que dependem deles.

 

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