Mais forte que tomada: com 860 volts, espécie de enguia detém recorde de choque
Voltagem do animal pode ser até 7 vezes mais forte que as tomadas no Brasil


Se um choque de 127V ou 220V já dá calafrios só de pensar, imagine encarar uma descarga elétrica sete vezes mais forte vinda diretamente de um animal. Pode parecer exagero, mas é ciência. Um estudo publicado na revista Nature Communications revelou uma nova espécie de enguia-elétrica capaz de gerar impressionantes 860 volts, estabelecendo desde então um novo recorde bioelétrico no reino animal.
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Durante mais de 250 anos, a ciência acreditou que existia apenas uma espécie da enguia-elétrica no gênero Electrophorus, o conhecido poraquê (Electrophorus electricus). No entanto, o estudo descobriu um dado que mudou essa história — como um choque de realidade.
Pesquisadores identificaram três diferentes espécies dentro desse gênero, incluindo uma que produz a maior descarga elétrica já registrada no reino animal.


O poraquê, já conhecido, liderava o ranking de potência bioelétrica com um choque de 650 volts, 24% menos forte do que o registrado pela nova espécie, Electrophorus voltai. A descoberta foi feita por meio de análises genéticas, morfológicas e ecológicas de amostras coletadas em diversas regiões da bacia amazônica, uma das áreas de maior biodiversidade do planeta.
O estudo mostrou que essas espécies compartilham o mesmo habitat geral, mas cada uma ocupa nichos ecológicos específicos, com diferenças anatômicas e comportamentais. As linhagens, segundo os cientistas, já estavam separadas há milhões de anos — desde os períodos Mioceno e Plioceno — , mas passaram despercebidas pela ciência.
Enquanto isso, acreditávamos que todas as enguias Electrophorus eram poraquês, ou seja, da mesma espécie.
Muito além dos choques
As enguias elétricas não são apenas curiosidades da natureza, mas fonte de inspiração científica e tecnológica há séculos. No artigo científico, inclusive, os pesquisadores contam que foram as enguias que ajudaram Alessandro Volta a desenvolver a primeira bateria elétrica.


Atualmente, os mecanismos naturais que essas enguias usam para gerar e armazenar energia têm servido de modelo para o desenvolvimento de baterias biológicas, protocélulas sintéticas e até sistemas capazes de alimentar implantes médicos. A descoberta de uma nova espécie com ainda mais potência pode abrir caminhos para inovações tecnológicas que aproveitem essas capacidades eletrobiológicas.
Amazônia ainda guarda surpresas
Essa descoberta alerta que a biodiversidade da Amazônia, embora muito estudada, ainda não é completamente mapeada. E este caso, que envolve enguias elétricas, animais relativamente grandes e famosos, que podem atingir 2,5 metros de comprimento, é uma prova. Imagine quantos animais ainda podem ser redescobertos nos aproximados 4,2 milhões de km² da Amazônia brasileira.
Identificar novas espécies é mais importante do que pode parecer: é uma forma de entender melhor os ecossistemas e estudar substâncias e mecanismos com potencial científico. Para isso, é importante reforçar a importância de conservar a natureza e, no caso, uma das regiões mais ricas (e ameaçadas) do planeta.
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