Drone registra baleias narvais usando “chifre” para brincar

O dente comprido do animal, que intriga pesquisadores, chega a 3 metros e possui mais de 10 milhões de terminações nervosas

30/03/2025
Foto: O'Corry-Crowe-Watt / FAU-DFO / Divulgação

Quando se pensa em um unicórnio, o que vem à mente é um tipo de cavalo branquinho, com o tradicional chifre na testa. Contudo, a espécie que mais se aproxima deste ideal vive nas águas, mais precisamente, nas geladas do Ártico. Estamos falando das baleias narvais (Monodon monoceros), que há mais de 1 milhão de anos habitam a Terra e intrigam pesquisadores.

Imagens registradas via drone flagraram esses “unicórnios do mar” brincando com o que mais chama atenção em sua aparência: o chifre. Na verdade, trata-se de um dente, com mais de 10 milhões de terminações nervosas e que chega a medir 3 metros de comprimento.

 

 

A presa, quase do tamanho do próprio animal — que chega a até 5 metros — , pode ser uma grande aliada dessas baleias não só para a caça, mas também para investigar, manipular e até seduzir os animais ao seu redor, conforme revelou um estudo publicado na Frontiers in Marine Science.

A caça das baleias narvais

Diferentemente do que se espera de um unicórnio, as baleias narvais não são nada dóceis. Quando a espécie resolve usar sua força física, a “chifrada” pode até matar. Esse recurso, contudo, não é o único usado pela baleia para exibir o potencial de seu dente gigante.

Foto: пресс-служба ПАО “Газпром нефть” / Wikimedia Commons / Reprodução

“Os narvais já eram conhecidos por seu comportamento de ‘presa’, em que dois ou mais deles simultaneamente levantam suas presas quase verticalmente para fora da água, cruzando-as”, explica Greg O’Corry-Crowe, autor da pesquisa.

Esse pode ser um comportamento ritualístico para avaliar as qualidades de um oponente em potencial ou para exibir essas qualidades para os pretendentes– explicou o autor

A ponta do “chifre” ainda é usada para interrogar e manipular as vítimas, como em um caso registrado pelos pesquisadores. Na ocasião, as baleias narvais cercaram um salmão ártico (Salvelinus alpinus) e atordoaram o peixe com as presas.

 

“Algumas das interações que vimos pareciam competitivas por natureza, com uma baleia bloqueando ou tentando bloquear o acesso de outra baleia ao mesmo peixe-alvo, enquanto outras podem ter sido mais sutis, possivelmente comunicativas e até mesmo afiliativas. Nenhuma parecia abertamente agressiva”, destaca O’Corry-Crowe.


Além disso, o estudo apontou que as presas dos narvais também são usadas para forrageamento (ação de procurar e explorar recursos alimentares), exploração e brincadeira.

Novas descobertas sobre as baleias narvais

Além de revelar novas funções para as presas desses mamíferos, a pesquisa evidenciou os primeiros relatos de interações entre narvais, peixes e pássaros. Com as gaivotas, por exemplo, há tentativas de cleptoparasitismo — quando um animal tenta roubar a comida do outro.

Foto: пресс-служба ПАО “Газпром нефть” / Wikimedia Commons / Reprodução

Para entender ainda mais o modo de viver dessas baleias, estudos de campo têm empregado ferramentas não invasivas para pesquisa, como drones.

 

“Os drones fornecem uma visão única e em tempo real de seu comportamento, ajudando cientistas a reunir dados cruciais sobre como os narvais estão respondendo a mudanças nos padrões de gelo, disponibilidade de presas e outras mudanças ambientais”, conclui O’Corry-Crowe.

 

A título de curiosidade, vale destacar que pesquisadores da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, sequenciaram o genoma de narvais que vivem no oeste da Groenlândia. Eles descobriram que há pouca diversidade genética entre esses animais.

 

“Isso é surpreendente porque uma alta variabilidade genética está associada a maiores chances de sobrevivência da espécie”, comentou Eline Lorenzen, principal autora do estudo. Com pouca variação no DNA, faria mais sentido que os narvais tivessem sido extintos, e não que habitassem o planeta há 1 milhão de anos.

 

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