Conheça o barco de monitoramento sísmico considerado um dos mais extravagantes do mundo

Por: Redação -
13/01/2021

Classificado como um dos barcos mais extravagantes do mundo, o Ramform Titan foi projetado de uma forma um tanto incomum: com o casco em formato de uma fatia de pizza. Alguns sites o veem como um dos barcos mais feios do mundo. Outros, o veem como… exótico. O que poucos sabem é que o formato do casco tem um propósito: aumentar a estabilidade na água.

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O Ramform Titan é, na verdade, um navio sísmico produzido pelo Japão. É propriedade da empresa norueguesa PGS (Petroleum Geo Services) e foi projetado para monitorar todos os tipos de movimentos sísmicos debaixo d’água, além de localizar de petróleo e gás natural. Conta com mais de 341 pés de comprimento, aliado a 230 pés em seu ponto mais largo. Em metros, isso significa 104,2 metros de comprimento, 70 metros de boca, e 6,4 metros de calado. Ou seja, facilmente o barco mais largo do mundo. O seu peso é de 20 637 toneladas brutas. Além disso, ainda possui um diferencial: ele pode ser totalmente navegado com apenas dois dos três propulsores, se necessário, facilitando possíveis reparações em alto mar.

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Ele foi construído em Nagasaki, em 2013 e, até agora, é tido como um dos barcos mais eficientes e tecnológicos do mundo. A propulsão principal é diesel-elétrica, composta por 6 motores Diesel Wartsila 32,8 em linha de 3 840 kW cada. Eles alimentam 3 motores de propulsão elétrica de 6 000 kW cada, movimentando hélices de passo controlável (CPP). O tipo de hélice é importante nesse caso porque eles devem ser silenciosos, a fim de reduzir o ruído estrutural do casco, transmitido para a água. É imprescindível que esses ruídos sejam filtrados e diferenciados daqueles detectados pelos sensores acústicos do barco, sem causar distorção no sistema de detecção. Os hélices não produzem cavitação em forma de bolha, possuem bordas de fuga “antimicrofônicas” e, além de tudo, contam com um isolamento especial.

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Quanto ao software de monitoramento, entregue por James Fisher Mimic (JFM), a garantia é de uma eficiência muito maior e estratégia de manutenção proativa. O Mimic, como foi chamado o sistema de monitoramento do estado do equipamento, inclui processador de dados e coleta de dados de vibração, além das ferramentas analíticas. Ele exibe os resultados, entre outros, das análises do espectrógrafo do navio e os transfere para as instalações da PGS em Oslo. Desta forma, permite que os dados de manutenção sejam coletados e analisados, de modo que as operações de serviço e reparo possam ser baseadas nas condições reais do equipamento, em vez de calculadas de maneira tradicional. Isso faz com que o a disponibilidade operacional do navio não diminua e ainda permite otimizar custos e recursos dedicados ao serviço e reparação.

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Outro detalhe impressionante é a série de roldanas instaladas na popa, além de mecanismos, que possibilitam o destaque de 24 cabos de fibra. Eles são dotados de equipamentos eletrônicos que viabilizam tanto a formação de um campo de sondagem (de cerca de 12 quilômetros), quanto a avaliação do eco das explosões de ar comprimido. Isso, porque são instalados chips e drivers eletrônicos nesses cabos, para direcioná-los. Essa totalidade de cabos também é utilizada para rebocar sensores subaquáticos, e, para isso, foram acrescentadas guias separadoras para manter a distância de 100 metros entre eles, durante o reboque. A arquitetura naval de última geração instalada no Ramform Titan viabiliza o máximo proveito dos recursos da tecnologia sísmica, e é desenvolvida pela Geostreamer.

Acompanhe o navio em operação no vídeo abaixo:

Por Naíza Ximenes, sob supervisão da jornalista Maristella Pereira

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