Caravelas-portuguesas no litoral: saiba o que fazer em caso de queimadura

Com a chegada do verão, elas se aproximam das praias e podem causar verdadeiros estragos com tentáculos que chegam aos 50 metros

21/12/2025
Foto: Bengt Nyman / Wikimedia Commons / Reprodução

Nem tudo que reluz é ouro. Esse aforismo tão conhecido define bem o que pode ser o encontro com uma caravela-portuguesa (Physalia physalis). Encantadoras acima da linha d’água, com cores vibrantes e chamativas, elas escondem, submersos, tentáculos perigosíssimos, que podem atingir os 50 metros. Com o verão se aproximando, elas também chegam ao litoral.

As caravelas-portuguesas não se movem — apenas flutuam sobre a superfície da água. Assim, embora vivam em alto-mar, nas águas de todas as regiões tropicais dos oceanos, elas acabam chegando próximas às praias no verão, trazidas pelos ventos e correntes marítimas. E é aí que mora o perigo.

 

Sua aparência delicada é quase como uma armadilha. A Physalia physalis está entre as espécies que mais causam acidentes no Brasil, uma vez que seus compridos tentáculos liberam toxinas que, em contato com a pele humana, podem causar dor intensa, vermelhidão, coceira, inchaço, bolhas e até arritmia cardíaca. Veja o registro do fotógrafo Rafael Mesquita:

 


No início de 2025, Brenda Gonçalves, à época com 29 anos, foi uma das vítimas da caravela-portuguesa. Ela curtia as águas do balneário Shangri-lá, em Pontal do Paraná, no litoral paranaense, quando se deparou com o organismo. Atraída pela cor, já era tarde demais quando a jovem percebeu o perigo.

Foto: Arquivo Pessoal / Reprodução

“Eu tentei sair, mas me enrosquei e tropecei. Depois eu comecei a gritar de desespero”, relatou ao g1 na ocasião. Brenda teve ferimentos graves nas mãos e nas pernas — situação que ficou ainda pior por atitudes bem-intencionadas, mas equivocadas.

Saiba o que fazer em caso de queimadura por caravela ou água-viva

Se a primeira ideia que veio à mente foi lavar a queimadura com água doce — como aconteceu com Brenda — pode descartar. O próprio Ministério da Saúde (MS) faz o alerta: a água doce pode piorar o quadro do envenenamento.

Foto: Volkan Yuksel / Wikimedia Commons / Reprodução

Receitas caseiras — como jogar álcool, urina ou refrigerante do tipo cola — também devem passar bem longe das queimaduras. O ideal, segundo o MS, é:

  • Sair imediatamente da água;
  • Aplicar compressas geladas com água do mar, nunca água doce;
  • Remover tentáculos com pinça, lâmina ou luvas;
  • Lavar a região com vinagre, ácido acético 5 por cento, sem esfregar;
  • Procurar atendimento médico se a dor for intensa ou extensa;
  • Acidentes graves, especialmente com crianças, devem ser avaliados com urgência.

Caravelas-portuguesas não são águas vivas

Apesar de os cuidados serem semelhantes em caso de queimadura, diferentemente do que muitos pensam, as caravelas-portuguesas não são uma espécie de água viva. Trata-se, na verdade, de um conjunto de seres que vivem em colônia (chamados zooides), conectados anatomicamente. Juntos, eles funcionam como se fossem um único animal.

 

A parte visível das caravelas no mar é conhecida como uma espécie de “flutuador”. Alongado, com uma “crista” que funciona como vela, essa estrutura é a responsável por dar ao organismo o nome popular de caravela-portuguesa, dada a semelhança aos navios usados pelos portugueses nos séculos 15 e 16, durante as navegações.

 

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