Já nas bancas: barco movido a hidrogênio é destaque da edição 398 da Revista Náutica

Edição traz ainda destaques como a 6ª volta ao mundo de Aleixo Belov, a circunavegação de uma tripulação 100% feminina e o teste de cinco embarcações. Confira!

01/06/2026
Foto: Revista Náutica

A edição de número 398 da Revista Náutica já está navegando pelas bancas do Brasil! Entre os destaques do material estão a aventura de Aleixo Belov em sua 6ª volta ao mundo, os testes de cinco embarcações de grandes estaleiros brasileiros, a estreia do JAQ H1 (embarcação movida a hidrogênio) na COP 30 e muito mais.

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Veja os destaques da edição 398 de NÁUTICA

Seis vezes Aleixo Belov

Uma matéria especial apresenta os detalhes da surpreendente 6ª volta ao mundo do comandante meio ucraniano, meio baiano, Aleixo Belov, de 83 anos. Desta vez, ele navegou pelo Ártico, uma das rotas mais desafiadoras do planeta.

Foto: Revista Náutica

JAQ H1: o barco que navega no futuro

Primeiro barco-escola movido a hidrogênio do mundo, o JAQ H1 nasce no Brasil e transforma a descarbonização da navegação em realidade, unindo a tecnologia da Itaipu Parquetec, GWM e MAN à visão ambiental do Grupo Náutica. A estreia da embarcação aconteceu em novembro de 2025, durante a COP 30.

Foto: Revista Náutica

A costa que o Brasil quase não vê

Em um livro para ver e pensar, o artista visual João Farkas documenta em Costa Norte um litoral invisível aos cartões-postais — e decisivo para o futuro do país.

Foto: Revista Náutica

Rumo ao céu com a Ross Mariner

A bordo de uma Ross 190, navegamos da Marina Verolme até o restaurante Coqueiro Verde, no Saco do Céu, em Angra dos Reis — e a pequena lancha mostrou que navegar bem está ao alcance, também, de quem está dando os primeiros passos na náutica.

Foto: Revista Náutica

A nova vitrine dos seminovos

Em novembro de 2025, mais de 80 barcos foram expostos e muitos negócios ganharam forma no primeiro Salão de Usados Náutica, transformando Angra dos Reis em um verdadeiro palco de oportunidades para impulsionar o mercado.

Foto: Revista Náutica

Uma volta ao mundo só delas

A 398ª edição da Revista Náutica ressalta o feito histórico de uma tripulação 100% feminina que completou uma circum-navegação sem escalas a bordo de um trimarã em 57 dias, 21 horas e 20 minutos.

Foto: Revista Náutica

Testes Náutica da edição 398

A edição 398 da Revista Náutica chega com nada mesmo que cinco dos tradicionais testes NÁUTICA, com modelos dos estaleiros Triton Yachts, Ventura Marine, Evolve Yachts, Victory Yachts e Azov Yachts.

Triton 44 Flyer

Projetada para navegar em águas tropicais, a Flyer 44 se destaca por unir o desempenho de uma esportiva pura a um nível de conforto digno de embarcações maiores. Apesar de chegar a 42,2 nós, impulsionada por uma trinca de motores de popa Mercury V10 de 400 hp cada, o modelo oferece bom aproveitamento do cockpit e uma cabine completa, com três camarotes e dois banheiros.

Foto: Revista Náutica

Ventura V550 Crossover

Maior modelo do estaleiro, a Ventura 550 Fly aposta em conforto, aproveitamento de espaços e design elegante para atender aos clientes que desejam subir de categoria sem deixar a marca. Na metragem, são 16,50 metros de comprimento por 4,40 metros de boca. Já a motorização a diesel Volvo Penta é versátil: podem ser três motores D6 de centro-rabeta e 440 hp cada ou dois motores de centro IPS de até 600 hp cada (IPS 800).

Foto: Revista Náutica

Evolve Titanium Flybridge

O primeiro modelo fly da Evolve Yachts, de 50 pés, chega com um layout de popa diferenciado, que traz a cozinha voltada para a praça de popa e totalmente fora do salão. Apesar de seus 15,25 metros de comprimento, ela pode usar motores a diesel de centro-rabeta, com a exigência de menos cavalos em relação a motorização com linha de eixo e pé de galinha — configuração que promete melhorar o aproveitamento interno, simplificar a manutenção e favorecer a navegação em águas rasas.

Foto: Revista Náutica

Victory 348 Ride

Com casco oceânico, autonomia tida como acima da média e foco no uso familiar, a Victory 348 Ride entrega um conjunto equilibrado, desempenho empolgante e boa posição de pilotagem com o comando central. O conceito é de um barco de console central versátil, capaz de cumprir com eficiência tanto o lazer como a navegação de maior alcance, como um verdadeiro SUV náutico.

Foto: Revista Náutica

Azov Z290C

Com 9 metros de comprimento e 3,11 metros de boca, a Z290C chama atenção pelo bom aproveitamento de espaços, tanto na cabine como no cockpit. Na motorização, o desempenho é quase esportivo, graças a dois motores de popa de 200 hp cada.

Foto: Revista Náutica

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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