Técnica inovadora revela que maior desova de tartarugas do mundo fica na Amazônia

Mais de 40 mil tartarugas-da-amazônia foram identificadas no Rio Guaporé, entre a Bolívia e o Brasil

29/07/2025
Filhote de tartaruga-da-amazônia saindo do ovo. Foto: Fabio Andrew Gomes Cunha / Wikimedia Commons / Reprodução

Ações para proteger animais em risco de extinção passam diretamente pela contagem dos indivíduos de uma mesma espécie. Por isso, um recente estudo publicado na revista científica Journal of Applied Ecology, que identificou o local de maior desova de tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa) do mundo, promete revolucionar a conservação desses répteis atualmente ameaçados.

Encontrada no rio Amazonas e seus afluentes, a espécie de grande porte — com animais ultrapassando os 90 cm de comprimento e os 59 kg — sofre, principalmente, devido à perda de habitat, poluição, construção de represas e caça, uma vez que sua carne e seus ovos são vendidos.

Tartaruga-da-amazônia. Foto: Bernard DUPONT / Wikimedia Commons / Reprodução

A pesquisa, liderada pela Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, em parceria com pesquisadores do Brasil e da Bolívia, usou uma técnica inovadora com drones para mapear o número desses animais no Rio Guaporé, na região da Amazônia, entre a Bolívia e o Brasil. O resultado, segundo o estudo, confere ao local o título de “maior desova de tartarugas do mundo”.

Drones, ortomosaico e… tinta branca

Desde 2024, a equipe de pesquisadores da Universidade da Flórida utiliza drones para mapear e contabilizar a quantidade de tartarugas no estado. Aliado ao equipamento está, também, uma técnica inovadora, chamada ortomosaico.

 

Nesse processo, as centenas de imagens aéreas capturadas pelo drone em alta resolução são sobrepostas, o que ajuda a estimar a quantidade de animais no ambiente. Ismael Brack, ecologista da Universidade, explica que o método usado para contar tartarugas “também pode ser aplicado a outras espécies”.

Tartaruga-da-amazônia, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Foto: Whaldener Endo / Wikimedia Commons / Reprodução

Embora eficiente, essa técnica sozinha ainda demonstrava certa defasagem. Isso porque o processo não conseguia desconsiderar a movimentação dos animais, o que resultava na contagem de uma mesma tartaruga mais de uma vez.

 

A solução, então, foi buscar por algo mais simples, mas bastante eficiente: a tinta branca. Os pesquisadores marcaram os cascos de 1.187 das tartarugas-da-amazônia com o material não tóxico e, por 12 dias, um drone sobrevoou o Rio Guaporé, fazendo quatro viagens diárias de ida e volta.


Nesse processo, o veículo aéreo tirou 1,5 mil fotos em cada um dos dias. Logo, a partir de um software e modelos estatísticos, os estudiosos puderam analisar mais precisamente as imagens, de modo a identificar comportamentos e movimentações.

 

Inicialmente, as contagens variavam entre 16 mil e 79 mil indivíduos, mas os métodos da equipe apontaram uma estimativa mais precisa: cerca de 41 mil tartarugas. Agora, os cientistas pretendem expandir os estudos para outros países da América do Sul e aprimorar o uso de drones no monitoramento.

Se os cientistas não conseguirem estabelecer uma contagem precisa dos indivíduos de uma espécie, como saberão se a população está em declínio ou se os esforços para protegê-la estão sendo bem-sucedidos?– ressaltou Brack

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Gasolina com 32% de etanol: entenda os riscos para o setor náutico

    Mistura obrigatória de etanol na gasolina sobe de 30% para 32%, enquanto especialistas alertam para riscos técnicos e de segurança no uso do combustível em embarcações.

    Segunda fase da Campanha Travessia Segura começou e segue até 23 de julho

    Iniciativa da Marinha do Brasil busca reforçar a segurança no transporte aquaviário de passageiros

    NX Boats amplia capacidade da fábrica e mira embarcações acima de 70 pés

    Com R$ 40 milhões investidos em infraestrutura, estaleiro pretende aumentar o leque de barcos e crescer a capacidade produtiva

    Marina Escola: conheça o projeto público que pretende formar profissionais da Economia Azul

    Iniciativa do IFSC prevê estrutura voltada ao ensino, pesquisa e inovação para atender à crescente demanda do setor náutico

    Economia do mar impulsiona Santa Catarina com 240 mil empregos e 23 mil empresas

    Estado concentra mais de 20% da força de trabalho do setor no Brasil; confira mais números trazidos em palestra do NÁUTICA Talks