Pesquisadores encontram fóssil de tartaruga que viveu há mais de 8 milhões de anos na Amazônia

Segundo eles, fóssil encontrado no rio Acre pertence à maior tartaruga de água doce já encontrada no mundo

17/07/2025
Foto: Professor Edson Guilherme / Reprodução

Algumas descobertas da ciência nos colocam para pensar na imensidão da Terra — e no que ela já foi um dia. É o caso de uma recente descoberta de pesquisadores de três universidades brasileiras, que localizaram no rio Acre, na região da Amazônia, o fóssil da maior tartaruga de água doce já encontrada no mundo, que teria vivido entre 8 e 10 milhões de anos atrás.

Os principais achados incluem um osso do fêmur e fragmentos do antebraço, além do mais impressionante: o casco, com cerca de 2,40 metros de comprimento e 1,80 metro de largura — mesmo incompleto. A descoberta foi feita por cientistas da Universidade Federal do Acre (Ufac), da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Campinas (Unicamp).

Foto: Arquivo do Laboratório de Paleontologia da Ufac / Divulgação

“Embora ela esteja fragmentada, é um achado sensacional para a gente, porque nunca tivemos uma tartaruga dessa espécie preservada”, destacou ao Jornal da USP Annie Schmaltz Hsiou, do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo.

O que a gente encontrou não é nem metade do que seria o tamanho completo da tartaruga– ressaltou a pesquisadora

Uma gigante das águas brasileiras

Segundo os pesquisadores, o fóssil pertence à espécie Stupendemys geographicus, que teria vivido no período Mioceno Superior, entre 10,8 e 8,5 milhões de anos atrás. Os restos mortais foram encontrados inteiros durante uma expedição no leito seco do Rio Acre, em Assis Brasil, interior do estado.

Foto: Arquivo do Laboratório de Paleontologia da Ufac / Divulgação

A região é alvo de pesquisas de paleontólogos desde 1978, e recebeu outras expedições em 1981, 1990, 2002 e 2022. “Por experiência de coletas passadas, a gente não esperava algo tão completo e tão grande como foi essa”, afirmou Carlos D’Apolito Júnior, professor do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza da Ufac e um dos coordenadores da expedição.

 

Além de descortinar informações sobre o clima e a geografia, para o pesquisador, o fóssil da tartaruga gigante pode ser um indício de que animais da megafauna brasileira foram capazes de sobreviver por mais tempo do que o imaginado até então. “Temos registros mais antigos desse animal e a gente vai poder comparar com materiais mais antigos da Venezuela, com novos elementos da anatomia do casco”, explicou.


D’Apolito e Annie coordenam o projeto “Novas Fronteiras no Registro Fossilífero da Amazônia Sul-Ocidental”, que, com o apoio da iniciativa Amazônia+10, realiza escavações paleontológicas em áreas remotas de Assis Brasil, no Acre.

 

A pesquisa conta com a participação ativa de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, que atuam como parceiros e detentores de saberes locais. Os fósseis descobertos permanecem protegidos no local até que possam ser removidos com apoio logístico da universidade, que enfrenta condições extremas, especialmente pelo difícil acesso.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Como funciona a multipropriedade náutica? Confira as dúvidas mais comuns sobre o conceito

    Flip Boat Club, especialista em compartilhamento de barcos, responde perguntas relacionadas a custos, cotas, localidades e reservas

    Como saber se a praia está própria para banho em SP? Veja as recomendações

    Chegada do verão é marcada pelo aumento de banhistas no litoral paulista, que pode aumentar o risco de infecção nas águas

    Habilitação de Arrais Amador gratuita: concurso abre inscrições em Cabedelo, na Paraíba

    Jovens de 18 a 29 anos poderão concorrer à formação com cursos teórico e prático pagos pela prefeitura

    Modelo de barco utilizado por Cleópatra há 2 mil anos foi encontrado na costa do Egito

    Embarcação de 35 metros era considerada de luxo e exigia ao menos 20 remadores para navegar

    Design de iate chinês foge do convencional e chama atenção; conheça o Allegro Flybridge 98

    Em seus quase 30 metros estão ambientes que fogem do padrão e uma motorização que pode chegar aos 2800 hp