De tubarão-guitarra a urso d’água: estudo descobre quase 900 novas espécies marinhas

25/03/2025

Que o mundo é gigantesco e ainda há muito o que se descobrir todos já sabemos. Porém, novidades como essas ainda assustam: cientistas descobriram 866 novas espécies marinhas após 16 meses de intensas pesquisas em diferentes pontos do globo.

Liderado pela iniciativa global “Censo Oceânico”, a pesquisa foi realizada ao longo de dez expedições, em profundidades de 1 a quase 5 mil metros. De acordo com o comunicado da organização, foram encontradas 866 espécies inéditas — algumas delas com nomes exóticos, como coral-leque e tubarão-guitarra.

 

 

O trabalho contou com mais de 800 pesquisadores, mergulhadores, submersíveis e veículos operados remotamente (ROVs), além do apoio de 400 instituições — como museus, universidades e organizações filantrópicas.

Novas espécies marinhas

De acordo com o comunicado, entre as quase 900 novas espécies marinhas registradas, três se destacam. A primeira delas é o tubarão-guitarra (imagem destaque), que tem o formato do corpo bastante parecido com o instrumento musical.

 

Localizado a uma profundidade de 200 metros, na Costa de Moçambique e da Tanzânia, trata-se apenas do 38º animal da espécie conhecido até agora no mundo — o invertebrado tem dois terços de seus espécimes ameaçados de extinção.

Gastrópode. Foto: Nippon Foundation-Nekton Ocean Census/ Divulgação

A segunda é um gastrópode marinho, descrita pelos cientistas que a encontraram, entre 200 e 500 metros de profundidade, como uma “turridrupa magnífica”. Semelhante a um caracol, o animal encontrado na Nova Caledônia (território francês que abrange dezenas de ilhas no sul do Pacífico) e em Vanuatu caça usando “arpões” venenosos, que carregam peptídeos.

 

A espécie é fundamental para os cientistas, principalmente por seus peptídeos. A substância tem potencial no alívio da dor e no tratamento do câncer. Inclusive, um medicamento utilizado para tratar dor crônica foi originalmente desenvolvido a partir de uma família de caracóis relacionada.

Novo octocoral. Foto: Nippon Foundation-Nekton Ocean Census/ Divulgação

A terceira espécie destacada pelos pesquisadores foi encontrada nas Maldivas: um novo octocoral. Existem apenas cinco destes conhecidos, e trata-se do primeiro do gênero registrado na região — número esse que representa a diversidade a ser descoberta. Esse ser é fundamental para a vida marinha, para a estabilidade dos recifes e no ciclo de nutrientes.

 

Além dos animais destacados, os pesquisadores encontraram novos exemplares de borboleta-marinha, lagosta agachada, camarão-de-capuz, urso d’água, estrelas-do-mar quebradiças e outros animais antes não identificados.

Número de espécies descobertas pode ser ainda mais alto

O processo entre a identificação na natureza e o registro de uma nova espécie pode durar até 13 anos. Há casos em que o animal pode ter sumido do mapa antes de ser reconhecido oficialmente, por estar ameaçado de extinção. Quando se trata da vida marinha, então, a pesquisa é ainda mais difícil.

Lagosta-de-escamas. Foto: Nippon Foundation-Nekton Ocean Census/ Divulgação

Dado o tamanho dos ambientes aquáticos e a dificuldade técnica e econômica de realizar maiores expedições, o processo de descoberta de novas espécies marinhas se torna ainda mais demorado.

Isso significa que aproximadamente de 1 a 2 milhões de espécies existentes ainda não foram documentadas- explica Mitsuyuki Unno, porta-voz do projeto

Para mitigar esse problema, as ONGs Nippon Foundation, do Japão, e Nekton, do Reino Unido, lançaram este projeto, que nasceu em abril de 2023. O enorme esforço colaborativo reúne especialistas do mundo inteiro e planeja fazer sete workshops e realizar mais dez novas expedições nos oceanos Pacífico, Índico e Antártico.

Diversos grupos permanecem no limbo por anos porque o processo de descrevê-los formalmente em artigos científicos é muito lento- conta Lucy Woodall, chefe do Censo Oceânico

Segundo Oliver Steeds, diretor do Censo Oceânico, estimativas que sugerem que para descobrir 100 mil novas espécies marinhas (objetivo do estudo) será necessário pelo menos US$ 1 bilhão, aproximadamente R$ 5,6 bilhões (conversão realizada em março de 2025).

Estamos preparando o terreno para tornar a descoberta de espécies em larga escala uma realidade– conclui Oliver Steeds

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Apaixonado por barcos, Ayrton Senna participou da construção de suas três embarcações

    Tricampeão de F1 encontrou nas águas um espaço de lazer e acompanhou de perto o desenvolvimento de seus barcos — um deles, ele jamais conheceu

    Linha 2027 Sea-Doo traz jet inspirado em Senna, novo modelo Spark e o motor mais potente da marca

    Modelos foram anunciados mundialmente nesta segunda-feira (17) e devem ser apresentados no Brasil durante o São Paulo Boat Show

    Inspirado em Ayrton Senna: Sea-Doo lança jet mais potente do mundo

    Modelo RXP-X Senna 350 traz cores inspiradas no icônico capacete do piloto, tem menos de 2 mil unidades produzidas e assinatura de Senna integrada a laser. No Brasil, estará no São Paulo Boat Show

    "Disneyland dos oceanos": conheça Lorient La Base, a capital mundial da vela oceânica

    Especialista em regras de regata, Ricardo Lobato conta como antiga base militar na Bretanha reúne as principais equipes e empresas que lideram a inovação no esporte

    Marinha terá sua 1ª Feira de Profissões; saiba como participar

    Evento gratuito na Escola Naval (RJ) apresentará 20 formas de ingresso e oportunidades de carreira na Força em 11 de setembro