1 milhão de hectares: Parque Nacional Marinho do Albardão é criado e se torna o maior do Brasil
Unidade de conservação em Santa Vitória do Palmar (RS) foi anunciada na última sexta-feira (6) e será gerida pelo ICMBio


Proteger a biodiversidade se faz cada vez mais urgente. Não à toa, na última sexta-feira (6), o governo federal oficializou a criação de duas novas unidades de conservação (UCs): o Parque Nacional Marinho do Albardão e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão, ambas no município de Santa Vitória do Palmar, no sul do Rio Grande do Sul — uma das regiões mais importantes para a manutenção da biodiversidade do Atlântico Sul.
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As duas novas unidades de conservação foram anunciadas por meio de um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, publicado em edição extra do Diário Oficial da União. A soma total de área do conjunto resulta em 1.618.488 hectares, o que garante ao Parque Nacional do Albardão o título de maior parque marinho do Brasil. Tudo isso será gerido pelo Instituto Chico Mendes de conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Criar essas unidades mostra que proteger o meio ambiente não é obstáculo, mas solução– destacou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva
Um berço da vida marinha
As UCs são protegidas por Lei, com o objetivo de garantir a preservação da biodiversidade — que não é pouca no Albardão. Por lá estão ecossistemas marinhos e costeiros de grande relevância ecológica. Para se ter uma ideia, a região atua como uma área de alimentação, reprodução e crescimento para diversas espécies ameaçadas, entre elas, a toninha (Pontoporia blainvillei), a espécie de golfinho mais ameaçada do Atlântico Sul Ocidental.


Isso sem falar de tartarugas marinhas, tubarões, raias, aves marinhas migratórias e outros mamíferos que utilizam a região ao longo de seus ciclos de vida. Por isso, como destaca o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, “a proteção desses habitats é considerada estratégica para reduzir a mortalidade da fauna e assegurar a manutenção de processos ecológicos essenciais nos ambientes marinhos”.


Em paralelo a isso, as UCs também buscam valorizar o potencial de desenvolvimento de atividades turísticas sustentáveis. Nesse cenário, a APA do Albardão, com cerca de 56 mil hectares do total, foi criada para ordenar o uso sustentável do território costeiro, conciliando a conservação ambiental com atividades tradicionais, especialmente a pesca artesanal.
A unidade também busca incentivar atividades econômicas sustentáveis, como o ecoturismo na faixa de areia de 250 km — considerada a praia mais longa do mundo —, que corresponde à parte mais isolada e preservada do litoral brasileiro.
Falhas na vigilância do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos
A oficialização do Parque Nacional Marinho do Albardão e da Área de Proteção Ambiental do Albardão chega num momento em que denúncias apontam falhas na vigilância do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, conforme repercutiu a NÁUTICA em reportagem.
O local, criado em 1993, tem como objetivo proteger uma área considerada de “extraordinária diversidade e abundância de vida marinha”. São cerca de 5 mil hectares de proteção integral, sendo essa uma unidade classificada como Parque Estadual dentro do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), categoria composta por áreas de posse e domínio públicos, cuja visitação está sujeita às normas estabelecidas no Plano de Manejo e pelo órgão gestor.
Entre as regras, está claro que qualquer ato tendente à pesca é proibido na área: a simples posse de equipamentos como varas, iscas e anzóis já pode configurar infração, sendo passível de autuação nos termos da legislação ambiental vigente.
Ainda assim, monitores ambientais e oceanógrafos que atuam na região acreditam que a área tem sido alvo recorrente de pescas ilegais e que o parque carece de fiscalização mais eficaz. Inclusive, no último dia 15 de fevereiro, uma operadora de mergulho autorizada a atuar na unidade flagrou um barco de pesca dentro da área de proteção.
A administração do PEMLS, por sua vez, afirma que o monitoramento é contínuo. Confira todos os detalhes na reportagem da repórter Nicole Leslie.
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