Filhote de tubarão gravemente ameaçado de extinção nasce em aquário no Paraná

Tubarão-galha-branca-oceânico nasceu ao final de janeiro de 2026 no recém-inaugurado AquaFoz, em Foz do Iguaçu

06/03/2026
O tubarão foi o primeiro animal a nascer no AquaFoz, inaugurado em novembro de 2025. Foto: AquaFoz / Divulgação

Uma espécie criticamente ameaçada de extinção ganhou um pequeno respiro de vida dentro de um aquário. Trata-se de um filhote de tubarão-galha-branca-oceânico (Carcharhinus longimanus), que nasceu em Foz do Iguaçu, no Paraná — mais precisamente, nas dependências do recém-inaugurado AquaFoz.

O tubarão, classificado pela lista vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) como criticamente ameaçado de extinção em escala global, nasceu no final de janeiro de 2026 com 1 kg e 60 centímetros de comprimento, conforme comunicado divulgado pelo aquário.

Foto: OldakQuill / English Wikipedia / Wikipedia Commons / Reprodução

Esse foi o primeiro animal a nascer no AquaFoz, inaugurado em novembro de 2025. A instituição afirmou que irá manter o tubarão fora do circuito de visitação do público, sob acompanhamento diário de biólogos e veterinários.

Vídeo mostra filhote em aquário isolado / Reprodução

A mãe do filhote, batizada de Carol, também passa bem. Ela, aliás, já morava em um aquário antes mesmo da inauguração, tendo sido transferida do AquaRio (aquário no Rio de Janeiro) em um tipo de intercâmbio, que visa fortalecer práticas de manejo, pesquisa e conservação.

O filhote está super bem, ativo e se alimentando normalmente-Rafael Santos, um dos integrantes da equipe, em nota

Conforme detalhou o comunicado, o protocolo de cuidados do predador inclui monitoramento comportamental, controle alimentar e avaliações clínicas periódicas.

Conheça a espécie

Característico de águas tropicais e subtropicais dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico, o tubarão-galha-branca-oceânico é facilmente reconhecido pelo corpo robusto e pelas longas barbatanas com pontas claras (brancas), especialmente a dorsal e as peitorais, que lhe dão o nome comum.

Foto: Cvf-ps / WikimediaCommons / Reprodução

A espécie, que pode atingir até 3,9 metros de comprimento e pesar 170 kg — embora a maioria dos indivíduos registrados meça entre 2,5 e 3 metros na fase adulta —, vive predominantemente em mar aberto, longe de zonas costeiras rasas, circulando da superfície até cerca de 150 metros de profundidade. Apesar da natação lenta, trata-se de um predador oportunista, que pode nadar grandes distâncias em busca de alimento.

 

O animal, aliás, é um predador de topo: sua dieta inclui principalmente peixes ósseos pelágicos (como atuns, cavalas e mahi-mahi), lulas e outros cefalópodes. Ele também pode consumir stingrays, tartarugas marinhas, aves e moluscos.


Na reprodução, a gestação dura de 10 a 12 meses e pode render até 15 filhotes. Contudo, as fêmeas atingem a maturidade sexual apenas entre seis e nove anos. Além disso, o ciclo reprodutivo tende a ser bienal, o que limita a capacidade de reposição populacional.

 

Esse fato corrobora para que a espécie, que já foi considerada uma das mais abundantes nos oceanos tropicais, sofra declínios drásticos de população, especialmente devido à captura acidental e à pesca comercial, esta principalmente pela alta demanda por suas barbatanas.

A reprodução em aquários ajuda?

Em instituições sob cuidados humanos, como nos aquários, a chamada conservação ex situ (fora do local, no caso, o habitat natural do animal) permite acompanhar de perto etapas raramente observadas na natureza, como acasalamento, gestação e parto, o que contribui para pesquisas sobre biologia, comportamento e manejo.

Foto: Peterkoelbl / WikimediaCommons / Reprodução

Especialistas em conservação, contudo, ponderam que iniciativas ex situ não substituem medidas in situ. A recuperação populacional do galha-branca-oceânico depende, sobretudo, de proteção efetiva dos habitats naturais e de regulação rigorosa da pesca em alto-mar — principais fatores por trás do declínio da espécie.

 

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