Barco criado por brasileiro pode revolucionar medição da qualidade da água

Criado por piauiense, Aquatic Rover funciona sob uma estrutura de catamarã equipada com sensores inteligentes

Por: Nicole Leslie -
22/10/2025
Foto: Instagram @_manoel_nunes / Reprodução

A ideia promissora de um jovem piauiense tem chamado atenção dentro e fora do Brasil. Foi com o Aquatic Rover, um barco autônomo desenvolvido para o monitoramento da qualidade da água em rios e lagos, que Manoel José Nunes Neto, hoje com 18 anos, conquistou o Prêmio Nobel da Ciência Jovem, na Suécia, em 2024.

Assim como muitas grandes inovações, o projeto nasceu da necessidade. Ainda adolescente, Manoel observou o impacto da contaminação de aguapés e de rios que banham comunidades ribeirinhas em Teresina (PI). Diante desse cenário, decidiu criar uma solução tecnológica acessível e sustentável.

 

Aos 17 anos, apresentou o projeto do Aquatic Rover no Prêmio Jovem da Água de Estocolmo 2024, promovido pelo Stockholm International Water Institute (SIWI). O projeto impressionou o júri por unir baixo custo, eficiência e inovação, o que garantiu o ouro na premiação.

Foto: Governo do Piauí / Divulgação

Segundo o Governo do Piauí, o protótipo demonstrou alta precisão na medição de dados e potencial para causar impacto positivo na gestão da qualidade da água em escala global.

Barco autônomo para monitoramento inteligente

Projetado para ser portátil, autônomo e acessível, o Aquatic Rover se desloca sobre a água coletando dados essenciais, como pH, temperatura, turbidez e oxigenação, por meio de sensores integrados.

Foto: Governo do Piauí / Divulgação

Essas informações são enviadas automaticamente para um servidor, onde podem ser acompanhadas em tempo real por técnicos e pesquisadores em computadores ou celulares — automatizando um processo que hoje depende de amostragens manuais.

Um ser humano não pode ficar 24 horas trabalhando em um rio; já um robô pode– Manoel, em entrevista ao programa Viva Piauí

Foto: Viva Piauí / Divulgação

Com isso, o Aquatic Rover surge como uma ferramenta de apoio e não de substituição, permitindo análises mais amplas e precisas, inclusive em locais de difícil acesso.


De protótipo a produto

Em entrevista recente ao Viva Piauí, Manoel revelou que o barco foi montado com peças recicláveis e sucata, tanto para reduzir custos quanto para tornar o produto final mais acessível.

Foto: Viva Piauí / Divulgação

De nada adianta eu ter um barco valendo R$ 1 milhão, porque ninguém compra. Tem que ser algo acessível para o governo e para órgãos privados que cuidam da saúde dos mananciais– explicou o jovem

A embarcação, que tem estrutura em formato de catamarã, conta com dois flutuadores laterais, placas solares, sistema de propulsão próprio e um conjunto de sensores inteligentes. A proposta é que, no futuro, o modelo possa ser produzido em escala e distribuído a órgãos públicos, universidades e empresas de saneamento.

Inovação que nasce com propósito

Foto: Instagram @_manoel_nunes / Reprodução

Mais do que um avanço tecnológico, o projeto do jovem piauiense é um exemplo de inovação com propósito social. O Aquatic Rover mostra que é possível unir sustentabilidade, tecnologia e inclusão, oferecendo uma solução prática para comunidades, pesquisadores e organizações voltadas à preservação e gestão dos recursos hídricos.

 

Nada como novas ideias para navegar rumo a um futuro mais limpo — e melhor monitorado.

 

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