Simulador de barco com IA permite que usuário pilote embarcação em lago de montanha
Não demorou para que a inteligência artificial chegasse ao universo náutico. Na Consumer Electronics Show, feira de tecnologia realizada em Las Vegas, a Brusnwick Corp. — controladora da Boston Whaler, Mercury Marine e outras marcas do ramo — apresentou um simulador com tecnologia IA para pilotar barcos num lago montanhoso.
Futura aeronave militar dos EUA poderá pousar na água; assista ação
Barco movido a hidrogênio promete operar por 1 hora com apenas 500 ml de água
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
Ao portal Robb Report, o CEO da Brunswick, David Foulkes, explicou que o simulador “replica a experiência de pilotar um 370 Sea Ray Sundancer”, embarcação da Sea Ray — outra marca pertencente ao grupo.
Apesar de simuladores não serem novidade para a empresa, este se superou, na visão da Brunswick, no quesito tecnologia.


Tem uma tela muito mais imersiva com uma visão de 200 graus dos arredores e feedback de voz. É um cenário muito realista sobre como a nova tecnologia opera– destacou David Foulkes
No simulador, a IA pode atuar até mesmo como “co-capitão”, já que a tecnologia é incorporada à eletrônica do console do leme. A inteligência artificial, neste caso, oferece uma experiência interativa a quem deseja uma navegação mais assistida.


Além disso, a IA entrega um monitoramento de segurança e manobras autônomas. O CEO da Brunswick, não à toa, o compara com um assistente personalizado, que pode fornecer informações, orientar o piloto e até mesmo “assumir o controle em certas ocasiões”.
Você verá como ele rastreia a água no piloto automático, avisa sobre objetos e até mesmo se aproxima automaticamente do lado de outro barco– explica David Foulkes
Para Foulkes, o maior desafio do produto foi “tornar o sistema previsível em um ambiente altamente desestruturado, como um lago ou oceano”. “Temos parceiros militares e de drones que enfrentam desafios semelhantes com o vento e adotamos algumas dessas tecnologias”, detalhou.
De olho no futuro
O simulador de barco com IA foi um dos produtos apresentados pela Brunswick no Consumer Eletronics Show (CES) de 2025, que aconteceu no início de janeiro. A participação da marca no evento foi também um esforço em conjunto para que a companhia seja vista pelo público e pelo mercado financeiro como uma empresa de tecnologia — e não uma fabricante de barcos e motores.


Como prova disso, a marca aumentou suas ofertas na área de tecnologia e investiu em inteligência artificial. Além disso, a Brunswick é uma das poucas empresas de barco na região de Las Vegas, nos Estados Unidos. Mas a guinada rumo ao futuro parece bem clara.
Projetos não faltam: motores de popa elétricos, substituições de geradores a gás e este “leme do futuro”, alimentado por IA. Há também o simulador Fliteboard eFoil que, segundo a marca, replica a experiência de andar em uma prancha de foil elétrica.
No CES deste ano, além do simulador, a empresa também expôs um grande motor elétrico marítimo para um pontoon virtual. A peça central do estande era um Boston Whaler 405 Conquest — este sim, de verdade.


De acordo com a marca — que já está com a cabeça em 2026 — , a exibição do ano que vem terá uma tecnologia de atracação automática, além do leme do futuro disponível em um Boston Whaler 405 Conquest.
Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
[caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"]

Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades
Colaboração estratégica reúne engenharia, design, condições comerciais exclusivas e experiências para clientes das duas marcas, e inclui uma edição especial da NX 44 Fly nas cores do Suassuna Design by Pininfarina
Lançada no São Paulo Boat Show 2026, lancha da Real Powerboats registra alta procura e tem toda a produção vendida até o próximo ano



