Troca de comando! Piloto de avião assume veleiro e velejador olímpico encara os céus

08/01/2024

Uma experiência ousada e criativa foi feita pela Emirates, a principal companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos. No desafio, o atleta olímpico e lenda britânica dos veleiros Sir Ben Ainslie trocou de papéis com Alexander Warburton, piloto do Emirates A380 — o maior avião comercial do mundo. Enquanto o comandante dos ares virou velejador, o atleta dos mares pilotou um avião.

Experts em avião e barco, ambos não tiveram uma missão fácil e aprenderam o básico sobre cada modalidade. Para isso, o velejador Sir Ben visitou a Flight Training Academy, onde pilotou um simulador de voo de última geração, antes de sobrevoar Dubai em um avião Diamond DA42-V. Confira no vídeo abaixo!

 

 

Antes da troca, não faltaram conselhos e motivações para a lenda dos veleiros por parte de Alexander Warburton, que acreditou na capacidade de Ben Ainslie de conduzir algo “ligeiramente diferente”. O comandante também comentou como é pilotar o A380.

Foto: Emirates/ Divulgação

Depois de simular voo com o instrutor Petrus de Vries, hora de colocar os conhecimentos em prática! Com Petrus ao seu lado, Sir Ben se saiu bem na missão, voando sobre montanhas e mares até pousar com segurança no hangar da empresa.

Foi uma experiência incrível, mas ainda penso que tenho um caminho a percorrer antes de pilotar um A380 – Sir Ben Ainslie, velejador


Do ar para o mar: a experiência do piloto

Já no desafio de trocar o avião pelo comando de um barco, o piloto encarou as águas a bordo de um catamarã de corrida da equipe Emirates Great Britain SailGP Team. O modelo F50 — com 50 pés — é uns dos veleiros mais rápidos do mundo e chega a alcançar 92,6 km/h, além de possuir uma velocidade máxima prevista superior a 100 km/h.

 

Recebido por Sarah Jenkins — responsável pela comunicação do time de regatas patrocinado pela Emirates — , Alexander Warburton contou com a ajuda de vários profissionais para velejar, inclusive de Ben Ainslie.

Ben Anslie e Alexander Warburton. Foto: Emirates/ SailGP/ Divulgação
Foto: Emirates/ SailGP/ Divulgação

Eu adorei. O barco é mais responsivo do que eu realmente esperava. Consigo ver muitas similaridades entre o avião e o barco. Foi uma experiência muito legal– Alexander Warburton, piloto de avião

Foto: Emirates/ Divulgação

A troca entre um avião e barco é só mais um laço entre a Emirates e o mundo da vela, que existe há quase 20 anos. Em 2023, a marca reforçou seu compromisso com o esporte, ao se tornar o primeiro patrocinador máster da equipe Great Britain SailGP Team, com contrato até 2026.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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