The Ocean Race 2027 deve gerar R$ 271 milhões para Itajaí e reforçar legado náutico da cidade
Organização projeta retorno de R$ 6,75 para cada R$ 1 investido no evento, que também aposta em inovação e sustentabilidade


Muito mais que um evento de vela: talvez essa seja a melhor forma de se referir à The Ocean Race, que atracará novamente em Itajaí (SC) em 2027 como a mais tradicional regata de volta ao mundo. No entanto, se engana quem pensa que a competição se resume apenas aos veleiros. Fora deles, o torneio deve gerar R$ 271 milhões para o munícipio e projetar ainda mais a internacionalização do destino.
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Este assunto foi o fio condutor da palestra “Case: The Ocean Race – Itajaí Stopover”, realizada dentro do JAQ H1, barco-escola movido a hidrogênio, durante a quarta edição do Marina Itajaí Boat Show — que ocorreu de 2 a 5 de julho.


O bate-papo foi comandado por Luiz Lerner, gerente de comunicação de Itajaí; André Sandri, Chefe de Gabinete; Gabriela Kelm, Secretária Municipal de Turismo e Eventos; Rodrigo Flamia, diretor de turismo de Itajaí.


Segundo os organizadores, a expectativa é que a edição de 2027 movimente R$ 271 milhões na economia local, tendo um investimento inicial de R$ 40 milhões — um retorno estimado de R$ 6,75 para cada R$ 1 investido na realização do evento, como destaca Lerner.
Não estamos falando apenas da maior regata do mundo, mas também de um dos maiores motores de desenvolvimento econômico, turismo e internacionalização da América Latina– destacou o gerente de comunicação de Itajaí


Mais do que os números, o evento foi apontado como um divisor de águas para o desenvolvimento da indústria náutica da região. Conforme o chefe de gabinete do município, a passagem da regata contribuiu para consolidar Itajaí como referência no setor.
A The Ocean Race impulsionou Itajaí para o ramo náutico. O Marina Itajaí Boat Show é um reflexo direto disso– disse André Sandri
De acordo com ele, a estratégia é ampliar ainda mais a internacionalização da cidade. Após uma missão realizada em Alicante, na Espanha — sede da largada da regata –, a prefeitura passou a integrar as ações promovidas em todas as paradas oficiais da competição para apresentar Itajaí a investidores e empresários do setor.
Muitos empresários europeus ainda não conhecem o potencial de Santa Catarina. Quando mostramos nossos números e nossa infraestrutura, eles se surpreendem– afirmou ele


Entre as novidades previstas para 2027 está a realização de um Innovation Day, que reunirá representantes das demais cidades-sede da The Ocean Race para fomentar novos negócios.
Impacto além da vela
Para Gabriela Kelm, os reflexos da The Ocean Race podem ser percebidos na evolução da infraestrutura turística da cidade desde a primeira edição, realizada em 2012. Segundo a secretária, o município ampliou significativamente sua capacidade hoteleira, recebeu empreendimentos internacionais e investiu na qualificação de mão de obra para atender estrangeiros — e todos os benefícios permanecem mesmo após o fim da competição.
Em parceria com instituições de ensino, o município também prepara cursos gratuitos de idiomas para profissionais de hotéis, bares e restaurantes antes da edição de 2027. “O legado vai muito além do impacto econômico. Ele está na infraestrutura, na qualificação das pessoas e na educação das próximas gerações”, ressalta Kelm.


Além disso, os organizadores pretendem ampliar as ações de acessibilidade, com novos espaços sensoriais para pessoas com transtorno do espectro autista, além de recursos como audiodescrição, cardápios em braile e atendimento especializado.
O turismo náutico que recebemos durante a regata é um turismo altamente qualificado, e precisamos preparar nossa cidade para isso– completou a secretária
Outro tópico fundamental é a sustentabilidade. Pensando nisso, a próxima edição terá a continuidade das ações ambientais que acompanham a competição desde sua chegada ao Brasil.


Ainda na primeira edição realizada em Itajaí, em 2012, a cidade recebeu o prêmio de parada mais sustentável da então Volvo Ocean Race. Desde então, medidas como a eliminação gradual de plásticos descartáveis, reciclagem de resíduos e compostagem passaram a fazer parte da operação do evento.
Na última edição, por exemplo, mais de 500 mil copos plásticos deixaram de ser utilizados apenas na operação gastronômica da Vila da Regata, segundo o evento. Além das iniciativas ambientais, a organização pretende ampliar o programa educativo voltado às escolas. A meta é receber cerca de 22 mil estudantes em 2027 — mais que o dobro do público atendido na edição anterior.
A The Ocean Race não é apenas um evento esportivo; ela também tem a sustentabilidade como um dos seus principais pilares– disse Rodrigo Flamia, diretor de turismo
O público pertinho da vela
Não esqueçamos que, além dos impactos econômicos, a The Ocean Race é um espetáculo à parte e aproxima o público com a vela de alto rendimento. Isso porque Itajaí recebe uma das escalas mais longas da competição: a exigente travessia do Cabo Horn.


Nesse período, as equipes permanecem na cidade realizando a manutenção das embarcações e preparação para a etapa seguinte. Segundo o diretor de Turismo de Itajaí, esse intervalo permite que visitantes acompanhem de perto uma rotina normalmente restrita aos bastidores da competição.


Entre as atrações previstas estão a visitação às áreas técnicas, a observação dos trabalhos realizados pelas equipes e experiências interativas que ajudam o público a compreender os desafios da maior regata oceânica do planeta.
A população consegue estar próxima das equipes, acompanhar a manutenção dos barcos e entender melhor como funciona a competição– explicou Flamia
Com realização prevista para abril de 2027, de 31 de março a 18 de abril, a próxima edição da The Ocean Race reforça a estratégia de Itajaí de utilizar a vela oceânica como plataforma para impulsionar a indústria náutica, atrair investimentos internacionais e consolidar a cidade como uma das principais referências do setor na América Latina.
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