Reformado: após 10 anos, Benjamim Guimarães volta a navegar pelo São Francisco

Símbolo do Velho Chico, embarcação centenária a vapor se prepara para retomar travessia entre Pirapora e Juazeiro

Por: Nicole Leslie -
21/04/2025
Foto: Ronan Rocha / Marinha do Brasil / Divulgação

Nunca é tarde para recomeçar — especialmente quando se carrega mais de um século de história. Após uma década afastado das águas, o tradicional vapor Benjamim Guimarães prepara seu retorno ao Rio São Francisco. A previsão é que o barco volte a cortar o “Velho Chico” no próximo dia 28, retomando as travessias entre Pirapora, em Minas Gerais, e Juazeiro, na Bahia.

A restauração foi assumida pela Eletrobras e, segundo a Prefeitura de Pirapora, demandou um investimento total de R$ 5,8 milhões. O projeto, inicialmente previsto para ser custeado pelo município, foi repassado à estatal após acordo com o Ministério de Minas e Energia.

Tradicional vapor Benjamim Guimarães deve voltar a navegar no Velho Chico no próximo dia 28
Tradicional vapor Benjamim Guimarães deve voltar a navegar no Velho Chico no próximo dia 28. Foto: Iepha-MG / Reprodução

Construído em 1913 pelo estaleiro norte-americano James Rees & Sons, o Benjamim Guimarães estreou suas viagens no Rio Amazonas antes de ser transferido, em 1920, para o São Francisco, onde transportava passageiros e cargas entre Pirapora e Juazeiro.


Tombado desde 1985 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), o vapor carrega dimensões respeitáveis: são 43,85 metros de comprimento por 7,96 de largura. Movido a lenha, a embarcação abriga uma máquina a vapor de 60 CV de potência, que impulsiona o barco a velocidades de até 6,5 nós, que correspondem a cerca de 12 km/h.

Visão frontal do barco a vapor (à esq.) e mastro (à dir.)
Visão frontal do barco a vapor (à esq.) e mastro (à dir.). Foto: Iepha-MG / Reprodução

Com capacidade para receber até 140 passageiros e armazenar 28 toneladas de combustível, o Benjamim Guimarães volta a navegar como um verdadeiro sobrevivente do tempo. Durante a Segunda Guerra Mundial, a embarcação transportou tropas do Exército Brasileiro responsáveis pelo patrulhamento da costa do Nordeste.

 

Agora restaurado, o barco está pronto para reescrever novas histórias em sua longa travessia pelo Velho Chico.

Foto: Ronan Rocha / Marinha do Brasil / Divulgação

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Rota das Praias SP-Rio: projeto promete roteiro que conecta 15 cidades no litoral de SP e RJ

    Percurso que soma cerca 2.365 praias quer ampliar a permanência dos turistas e impulsionar economia dos municípios

    Ciclone-bomba não é o maior risco para navegação no Sudeste; alerta vem no domingo e segunda

    Segundo Guilherme Kodja, consultor técnico do Grupo Náutica, ventos fortes de noroeste já exigem atenção, mas o principal perigo para quem navega deve vir com a atuação de um anticiclone pós-frontal

    Parece Van Gogh, mas é a natureza: mapa das correntes oceânicas da NASA impressiona

    Modelo reconstrói, com base em décadas de dados, o comportamento dos oceanos e sua influência sobre o clima global. Assista!

    Assim como hotéis, lanchas entram na era do "day use"; entenda

    Na hotelaria, o modelo permite aproveitar a estrutura durante o dia sem hospedagem. No setor náutico, a lógica impulsiona embarcações voltadas ao uso por algumas horas

    Parceria de vida: Lars Grael e Clínio de Freitas relembram 40 anos de competição na antiga União Soviética

    Dupla com forte histórico de competições e regatas nutre relação de amizade mais intensa ainda. Conheça!