1ª expedição no mar profundo do litoral brasileiro será ainda em 2025

17/04/2025

As montanhas submarinas da Cadeia Vitória-Trindade (CVT) são ricas de uma biodiversidade ainda pouco conhecida. Por isso, uma expedição pretende explorá-las no segundo semestre de 2025, no que será a primeira atividade deste perfil no mar profundo do litoral brasileiro — com direito a um Veículo Operado Remotamente (ROV) e um submarino robótico.

Esse alinhamento de relevos submarinos tem origem vulcânica e se estende por 1,2 mil quilômetros no oceano de Vitória, no Espírito Santo, até a ilha de Trindade — um bem federal administrado pela Marinha do Brasil desde 1957. As montanhas submarinas chegam a 3 mil metros de profundidade, com topos de montes a cerca de 40 metros abaixo do nível do mar, que se estendem por 700 km da costa brasileira.

Arquipélago de Trindade e Martim Vaz. Foto: Edson Faria Júnior / Wikimedia Commons / Reprodução

Objetivos da expedição

De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos, até o momento a ciência mapeou somente 20% do fundo do mar. Desse modo, ao explorar regiões como as montanhas submarinas CVT, os pesquisadores podem encontrar materiais e bioprodutos ainda desconhecidos, que podem servir para aplicação na medicina ou na agricultura, por exemplo.

 

Segen Estefen, diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), responsável pela expedição, comentou à Galileu que “por serem um espaço ainda inexplorado, [os oceanos] também são onde as espécies se adaptaram ao longo de milhões de anos.”

Você pode encontrar nesses organismos biomoléculas ou compostos que poderão resolver problemas da humanidade– afirmou ao veículo

Para se ter uma ideia, é justamente na Cadeia Vitória-Trindade que está o Monte Davis, local onde pesquisadores descobriram um ambiente marinho diverso, habitado por espécies de corais, batizado de Colinas Coralinas em 2022.


Como pesquisadores vão explorar o mar profundo do litoral brasileiro?

Para chegar ao fundo do mar, a expedição vai contar com o apoio de um Veículo Operado Remotamente (ROV, na sigla em inglês para Remotely Operated Vehicle) e um submarino robótico não-tripulado, controlado a partir de um navio de pesquisa, que poderá filmar e colher amostras do ambiente.

Arquipélago de Trindade e Martim Vaz. Foto: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons / Reprodução

Segundo Estefen, “os navios que vão operar durante essas expedições devem possuir laboratórios para análise das amostras — tanto de fauna, quanto de flora e da biodiversidade em geral”, uma vez que expedições em mar profundo “exigem logística sofisticada”.

 

Além de revelar matérias úteis para a vida humana, expedições como essa, quando realizadas periodicamente, podem mostrar a evolução da biodiversidade ao longo do tempo, assim como os efeitos das mudanças climáticas. Por isso, outra região litorânea de interesse para expedições desse tipo é a Elevação do Rio Grande (ERG), onde estudos já indicaram a existência de depósitos de minerais nobres, como a platina, além de cobalto, níquel, manganês, entre outros.

 

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