Navio que participou da Segunda Guerra Mundial ainda pode ser visto no RS

Quase 60 anos depois, partes do Mount Athos permanecem encalhadas no litoral do estado

Por: Vand Vieira -
05/03/2025
Navio Mount Athos
Restos do navio Mount Athos Foto: Instagram @cilla_prii_petsitter / Reprodução

Destroços parcialmente submersos entre Quintão e Mostardas, no Rio Grande do Sul, têm (muita) história. São os resquícios do Mount Athos, navio que participou da Segunda Guerra Mundial — mais precisamente da invasão à Normandia, na França — e encalhou na costa gaúcha, em março de 1967. As ruínas do barco — um dia imponente — hoje atraem turistas que passam pela região.

Na ocasião do incidente, a embarcação a vapor ia rumo a Porto Alegre e levava um carregamento de adubos enviado da Flórida, nos Estados Unidos. No trajeto, foram feitas paradas em Vitória, no Espírito Santo, e na capital do Rio de Janeiro.

Mount Athos
Família posa em frente ao navio Mount Athos, em foto de 1967. Foto: Conjuminando.com.br/Reprodução

Com base em registros e relatos da época, acredita-se que o Mount Athos perdeu a direção em meio à neblina daquela madrugada e ficou preso a um banco de areia, a menos de 100 metros da faixa da praia.

 

Após um pedido de socorro feito pelo capitão, uma intensa operação de resgate foi iniciada para impedir um desfecho ainda mais desastroso — o mar revolto poderia partir o casco e uma explosão era esperada caso a água invadisse as caldeiras, por exemplo.

 

Embora tenham conseguido evitar o pior e garantir que todos a bordo estivessem a salvo, os esforços para tirar o navio do lugar foram em vão. Ao longo dos dias, o barco foi alvo de roubos e acabou desmontado e encaminhado (em partes) para a Siderúrgica Riograndense.


Como era o navio Mount Athos

Construído em 1943 pelo estaleiro norte-americano New England Shipbuilding, o navio da Segunda Guerra Mundial que acabou na praia gaúcha teve cinco diferentes nomes ao longo de sua história.

 

Este barco — com 134,5 metros de comprimento e pesando mais de 7 mil toneladas — foi lançado sob o nome de Tobias Lear.  No mesmo ano de seu lançamento, porém, a embarcação foi repassada pela Administração de Navegação de Guerra dos Estados Unidos para o governo holandês, e ganhou o nome Fort Orange. No ano seguinte, em junho de 1944, o navio transportou parte do material militar usado na invasão à Normandia.


Em meados de 1947, a embarcação novamente mudou de proprietário e de nome, dessa vez para Blijdendyk. Dez anos depois, ao ser comprada por uma empresa italiana, tornou-se Transilvânia.

 

Por fim, em 1965, companhia de navegação Mount Athos adquiriu o navio e deu a ele o nome pelo qual é conhecido até os dias atuais.

 

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