Conheça a espécie de peixe que acasala, em média, 19 vezes por dia

05/02/2025

Como você aproveita as 24 horas do seu dia? Para os machos da espécie de peixe medaka (Oryzias latipes), este meio-tempo é mais do que suficiente para acasalar, em média, até 19 vezes. No entanto, eles não são uma máquina e tendem a ir “perdendo o fôlego” a cada uma de suas “borbulhas de amor”.

O impressionante apetite sexual deste peixinho — que tem cerca de 4cm de comprimento — foi descoberto por cientistas da Universidade Metropolitana de Osaka, no Japão, e publicado no Royal Society Open Science.

 

Na ocasião, os pesquisadores investigaram como cópulas sucessivas afetam a quantidade de espermatozoides, fertilização e o comportamento desta espécie.

Foto: Creative Commons/ Wikimedia Commons/ Reprodução

O resultado da análise revelou que nem a escassez de esperma após múltiplos acasalamentos desanima esse peixe garanhão.

 

Entretanto, como a qualidade do sêmen do animal também cai ao longo das cópulas sucessivas, os peixinhos medaka machos reduzem, a cada acasalamento, sua capacidade de fertilizar os óvulos das fêmeas.

Vale destacar que elas não acompanham o ritmo dos garanhões: as fêmeas produzem óvulos só uma vez ao dia, liberando todos eles ao copular. Focada em aumentar sua prole, as fêmeas, então, se tornam cada vez mais seletivas na hora de escolher o parceiro.

Foto: Creative Commons/ Wikimedia Commons/ Reprodução

Isso porque, se acasalar com machos “cansados“, que já liberaram todo ou a maior parte do gameta masculino, muitos dos preciosos óvulos seriam desperdiçados.

 

Estes machos que já estão “nas cordas”, perdem muito ou 100% da sua capacidade reprodutiva e, quando se relacionam com as fêmeas que ainda têm ovos a ser fecundados, a chance deste processo falhar aumenta significativamente — podendo causar, até mesmo, a não fertilização.

Foto: Creative Commons/ Wikimedia Commons/ Reprodução

Ninguém é de ferro

De acordo com a pesquisa, há queda não apenas no desempenho dos peixes medakas machos, mas também no cortejo — isso é, no processo de atração e preparação para o acasalamento. O declínio neste esforço na paquera e na duração do coito, provavelmente, são resultado da fatiga após a maratona amorosa do animal.

 

O curioso é que o sêmen do animal só começa a dar sinais de cansaço após a 10ª cópula, pelo que aponta a pesquisa. Embora a taxa de fertilização seja de quase 100% nos primeiros acasalamentos, o sucesso da fecundação cai significativamente após dez relações.

Foto: Creative Commons/ Wikimedia Commons/ Reprodução

E motivo para isso tem: os medakas “gastam” mais da metade de sua produção diária nos primeiros três encontros amorosos. Sendo assim, mesmo com a escassez de esperma a cada coito, esses bichinhos “dão um jeito” e continuam a acasalar.

Para espécies com o acasalamento sucessivo frequente, essas descobertas destacam a necessidade de reconsiderar estratégias reprodutivas e seu impacto na seleção natural– diz a pesquisa

Por fim, o estudo sugere que pode haver pressões evolutivas sobre medakas machos e fêmeas para otimizar as estratégias de acasalamento. Para tristeza dos machos, isso poderia resultar em menos tentativas de cópula, para acasalar de acordo com a quantidade de espermatozoide liberados.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Conesul e Vale do Ivinhema: o novo horizonte do turismo náutico brasileiro

    Com planejamento e cooperação regional, rios do Mato Grosso do Sul abrem caminho para novos destinos náuticos e oportunidades de desenvolvimento sustentável

    Contagem regressiva! Salvador Boat Show chega à 3ª edição

    Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão

    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

    Formando novas gerações: Mubadala Brazil SailGP Team treina jovens mulheres para o futuro da vela

    Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!

    Pirelli 44 Ducati Edition: nova lancha de alta performance tem DNA de MotoGP

    Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades