Peixe garanhão: Baiacu faz obra de arte gigante para conquistar fêmea

Círculos ornamentais traçados no fundo do mar já foram um mistério para a ciência e têm como objetivo atrair parceiras para reprodução

Por: Redação -
14/06/2024
Foto: John Downer Productions/ Youtube/ Reprodução

Em matéria de amor, o peixe baiacu dá aula. Isso porque qualquer ser humano apaixonado teria que ir muito além das declarações no Dia dos Namorados para chegar ao pés do que a espécie é capaz de fazer para impressionar a fêmea: belas esculturas na areia cerca de 52 vezes maiores que o próprio corpo.

Mestre na arte da conquista, o peixinho garanhão se empenha ao longo de sete a nove dias para construir uma verdadeira obra de arte submersa, cujo formato circular com adornos remete a uma mandala. Para efeitos de comparação, se um homem de 1,70 metro quisesse imitar um baiacu na paquera, ele precisaria produzir uma arte de 88,4 metros só para impressionar sua pretendente.

Foto: Kimiaki Ito/ Nature/ Reprodução

A descoberta do modus operandi dos baiacus ficou por conta de três cientistas japoneses, que publicaram os resultados do estudo na divisão Scientific Reports, da consagrada revista científica Nature.

 

Com a pesquisa de 2013, solucionaram os mistérios que rondavam os belos padrões circulares desde 1995, quando mergulhadores os encontraram, pela primeira vez, no fundo do mar.

Baiacu artista

Para criar esse padrão, o baiacu sai arrastando a areia com as barbatanas até formar um desenho radial. Depois, carrega com a boca fragmentos de conchas usados na decoração, até que, por fim, acumula sedimentos finos que dão cores e texturas diferentes à obra de arte.

(a) Fase inicial; (b) estágio intermediário; (c) fase final; e (d) após a desova. Foto: Yoji Okata / Nature/ Reprodução

Embora os peixes meçam, em média, 12 centímetros de comprimento, suas criações chegam a cerca de dois metros de diâmetro.

 

Os círculos ornamentais são criados, especialmente, para atrair e conquistar parceiras que aceitem acasalar. Depois de pronta, a obra de arte é avaliada pela fêmea; se ela gostar do que viu, nada até o centro e se reproduz com o macho.

 

Nesse processo, ela deposita ovos nos sedimentos finos dentro do círculo, que são fertilizados, logo em seguida, pelos machos. Segundo o estudo, a fêmea não demora a ir embora, ao passo que o macho permanece com os ovos por cerca de seis dias.

 

Ainda não está claro o que faz as fêmeas aprovarem ou não as obras de arte feitas pelos machos, mas fato é que a construção vai além da estética. Conforme observado pela pesquisa, o mecanismo com partes altas e baixas faz com que a água seja canalizada para fora do centro, permitindo que haja menos correntes na região em que os ovos são depositados.

 

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