Tinta de molusco pode ser solução natural para afastar tubarões

Pesquisadores de Dublin descobriram que substância desnorteia a maioria dos predadores

24/02/2025
Molusco da espécie choco. Foto: ImageSourceCur/ Envato

Já ficou com medo de ser atacado por um tubarão? Pesquisadores da University College Dublin parecem ter encontrado um “repelente” contra eles: uma substância chamada melanina, principal componente da tinta do molusco da espécie choco (Sepiida) — também conhecido como sépia.

De acordo com os cientistas, a tinta, que é liberada como mecanismo de defesa, pode servir como o “calcanhar de Aquiles” dos tubarões, devido a alta sensibilidade deles a odores. A descoberta pode ser um novo passo para reduzir o conflito entre estes animais e os humanos.

Processo ilustrativo da melanina, presente na tinta de molusco, entrando em contato com o sentido olfativo do tubarão. Foto: G3: Genes, Genomes, Genetics/ Divulgação

Segundo a revista Newsweek, os pesquisadores usaram dados genéticos de várias espécies de tubarões para modelar as estruturas tridimensionais do olfato destes animais. Assim, descobriu-se que, além de servir como uma cortina de fumaça, essa tinta expelida é um verdadeiro coquetel químico para os predadores.

 

O experimento mostrou que a melanina da tinta do molusco tem uma estrutura molecular que pode se prender aos receptores olfativos dos tubarões e, assim, ativar seus sentidos vitais. De certa forma, é como se este “repelente” confundisse o senso de rastrear do predador.

A taurina — aminoácido que desempenha diversas funções nos organismos vivos — é outra substância presente na tinta do molusco que atacam os “sensores de cheiro” dos tubarões. Logo, eles poderiam evitar qualquer água na qual o produto químico tenha sido disperso.

Foto: AlexVog/ Envato

Conforme o estudo, publicado na G3: Genes, Genomes, Genetics, o “spray anti-tubarão” tem o potencial de funcionar na maioria das espécies.

Melhor para ambos

Essa descoberta pode transformar a maneira como os tubarões são dissuadidos a caçar perto de nadadores. Atualmente, as ferramentas para afastar os animais dos humanos são consideradas invasivas, como redes de emalhar e drumlines — que os capturam através de anzóis iscados pendurados em barris flutuantes.

Molusco da espécie choco. Foto: wirestock/ Envato

Tais maneiras de afastar a espécie, frequentemente, prejudicam e causam danos não só aos tubarões inofensivos, mas também perturbam arraias, tartarugas, golfinhos e até baleias. Por sua vez, o uso da melanina presente na tinta do molusco oferece uma maneira menos agressiva e prejudicial para afastá-los.

Pode ser possível implantar repelentes seguros e direcionados perto de praias e locais de pesca, para minimizar os encontros entre tubarões e humanos– Collen Lawless, bioinformata da University College Dublin, em comunicado

O cientista também defende a ideia de que a tinta da sépia seja utilizada para proteger os tubarões em áreas sensíveis — que, por sua vez, ajudaria na conservação das espécies ameaçadas de extinção.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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