Dente por dente: fóssil de peixe predador encontrado no Canadá revela nova espécie pré-histórica

Por: Nicole Leslie -
28/07/2025

Em 2015, uma caminhada rotineira em Blue Beach, no Canadá, acabou levando à descoberta de um fóssil que passou anos sem identificação. A confirmação só veio quase uma década depois: trata-se de uma nova espécie de peixe predador batizada de Sphyragnathus tyche, que viveu há cerca de 350 milhões de anos e se destaca pelo formato incomum da mandíbula.

O estudo que descreve oficialmente a criatura marinha foi publicado em 18 de junho no Journal of Vertebrate Paleontology. Assinado por pesquisadores das universidades de Carleton e Calgary, no Canadá, e do Museu de Fósseis de Blue Beach, o artigo detalha como essa arcada dentária única representa um marco evolutivo entre os peixes pré-históricos.

Foto e ilustração da arcada dentária do fóssil encontrado em Blue Beach. Foto: Journal of Vertebrate Paleontology / Reprodução

A nova espécie foi definida como um predador da Era Paleozoica (entre 542 milhões e 251 milhões de anos atrás), cuja mandíbula possuía dentes longos e curvados na frente, ideais para agarrar presas, e dentes robustos atrás, usados para esmagar. Essa combinação sugere um caçador sofisticado, capaz de devorar presas com cascos ou ossos duros — um avanço e tanto para os peixes da época.

 

A Blue Beach, lugar onde a mandíbula foi encontrada, é descrita por Conrad Wilson, um dos pesquisadores do caso, como uma área que preserva fósseis raros da transição entre os períodos Devoniano e Carbonífero — momento crítico da evolução animal, que aconteceu logo após uma grande extinção em massa.

Dentes grandes e curvos de de actinopterígeos encontrados em Blue Beach. Foto: Journal of Vertebrate Paleontology / Reprodução

O mais surpreendente é que o peixe predador não era um gigante. Mesmo com menos de um metro de comprimento, já apresentava sinais de comportamento predatório complexo, antes vistos apenas em espécies maiores ou mais recentes, de acordo com o estudo.


Segundo os cientistas, a adaptação dentária para novas dietas ocorreu antes mesmo das mudanças no modo de nadar. Isso inverte a ordem evolutiva esperada nos peixes ósseos e reforça a ideia de que a diversidade biológica pode ter florescido logo após grandes extinções.

Arcadas dentárias de diferentes espécies mostram como fóssil estudado não pertencia aos mesmos grupos. Foto: Journal of Vertebrate Paleontology / Reprodução

A descoberta ainda sugere que algumas linhagens antigas, como a do Sphyragnathus, não apenas sobreviveram ao colapso do fim do Devoniano, como também se reinventaram rapidamente para ocupar novos nichos ecológicos.

 

O fóssil permaneceu guardado no acervo do Museu de Fósseis de Blue Beach por anos, até que análises mais recentes revelaram seu valor evolutivo. A arcada dentária, inicialmente coletada por voluntários, tornou-se peça-chave para entender os hábitos alimentares desses antigos predadores ósseos.

 

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