Itália emite alerta para peixes “alienígenas” que têm aparecido nas praias

População pode ajudar no monitoramento de espécies invasoras que ameaçam o Mediterrâneo

Por: Nicole Leslie -
08/07/2025
Peixe-leão. Foto: Instituto Italiano de Proteção Ambiental e Pesquisa / Reprodução

O Instituto Italiano de Proteção Ambiental e Pesquisa (ISPRA) emitiu um novo alerta sobre quatro espécies marinhas consideradas “alienígenas” que têm sido cada vez mais avistadas nas praias da Itália. A campanha busca envolver a população no monitoramento desses animais, que representam risco ao ecossistema e, em alguns casos, à saúde humana.

As espécies destacadas são o peixe-leão (Pterois miles), o baiacu-malhado (Lagocephalus sceleratus), o peixe-coelho-escuro (Siganus luridus) e o peixe-coelho-listrado (Siganus rivulatus). Todas são classificadas como exóticas invasoras e estão alterando o equilíbrio da vida marinha no Mediterrâneo.

Baiacu-malhado (Lagocephalus sceleratus). Foto: Creative Commons / Wikimedia Commons / Reprodução

O alerta destaca os perigos associados a cada espécie. O peixe-leão tem espinhos venenosos capazes de ferir mesmo após a morte; o baiacu-malhado é altamente tóxico se ingerido, mesmo após cozido; e os peixes-coelho podem causar danos significativos à vegetação marinha, pois se alimentam dela em grandes quantidades.


A presença desses bichos tem aumentado nas últimas décadas, impulsionada por fatores como o aquecimento das águas e a chamada migração lessepsiana — quando as espécies se movimentam entre o Mar Vermelho e o Mediterrâneo através do Canal de Suez. Com águas mais quentes e habitat favorável, esses animais encontraram terreno fértil para se reproduzir, o que preocupa cientistas e ambientalistas.

Como colaborar com o monitoramento

Para ajudar no controle das espécies, o ISPRA pede que banhistas, pescadores e mergulhadores comuniquem os avistamentos dos peixes “alienígenas”. O canal oficial para registro é um formulário online, onde é possível incluir local, data, profundidade e fotos dos animais flagrados.

População pode informar flagrantes dos peixes “alienígenas” pelo formulário online oficial. Foto: Envato / SmitBruins / Reprodução

A campanha também aceita denúncias por WhatsApp (+39 320 4365210) e pelas redes sociais, nos grupos do Facebook Oddfish e Fauna Marina Mediterranea. Nestes casos, é importante usar a hashtag #Attenti4. Ainda assim, a recomendação principal continua sendo o uso do formulário oficial.

 

A participação da população é vista como essencial para rastrear a propagação dessas espécies. Ao informar os locais onde os peixes têm sido avistados, os cidadãos ajudam pesquisadores a entender melhor a dinâmica e o impacto dessas invasões no ecossistema marinho italiano.

Conheça os quatro peixes “alienígenas”

  • Peixe-leão: avistado pela primeira vez na Itália em 2016, é uma das espécies invasoras mais perigosas do mundo. Tem espinhos venenosos mesmo após morto e aparência marcante, com tons avermelhados, nadadeiras longas e espinhos em na parte superior;
  • Baiacu-malhado: apareceu em 2013 e possui uma neurotoxina potente, que resiste ao cozimento. Seu corpo é alongado, com manchas escuras no dorso, e os dentes são capazes de causar ferimentos graves;
  • Peixe-coelho-escuro e peixe-coelho-listrado: observados desde 2003 e 2015, respectivamente, são comestíveis, mas têm espinhos que também oferecem riscos mesmo após a morte.
Em ordem: baiacu-malhado, peixe-leão, peixe-coelho-escuro e peixe-coelho-listrado. Foto: Instituto Italiano de Proteção Ambiental e Pesquisa / Reprodução

Atenção e distância

O ISPRA alerta que o ideal é nunca tocar nos animais. O simples registro visual, com fotos à distância, já é suficiente para colaborar com os cientistas.

 

Mais do que alertar, a campanha convida a população a fazer parte do cuidado com o mar. Afinal, a preservação dos oceanos começa com pequenos gestos — e o olhar atento pode fazer toda a diferença.

 

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