Fóssil de “monstro marinho” encontrado em 1988 no Canadá é identificado
Após 85 milhões de anos no solo, um fóssil de elasmossauro foi encontrado no rio Puntledge, na Ilha de Vancouver, no Canadá, dando início a um mistério. Isso porque, apesar de estar notavelmente completo, o fóssil possuía uma considerável degradação em um de seus lados. Isso somado a sua aparência incomum lhe rendeu o apelido de “monstro marinho”.
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“De longe parecia bom”, disse à BBC Science Focus o professor F. Robin O’Keefe, paleontólogo da Marshall University e autor principal do estudo que identificou o animal décadas depois.
Quanto mais você se aproximava, mais triste ficava, como sorvete derretido. Isso tornava quase impossível identificá-lo– explicou o professor


Os pesquisadores ficaram quase 40 anos com “a faca e o queijo na mão” até finalmente conseguirem identificar a qual animal pertencia o fóssil. A solução veio do esqueleto de um filhote, desenterrado recentemente. “Ele estava muito bem preservado e isso nos permitiu confirmar algumas das características estranhas do fóssil adulto”, disse O’Keefe.
Foi a adição desse segundo esqueleto que tornou possível atribuir esse bicho [o fóssil] a uma nova espécie– destacou
Monstro marinho era um elasmossauro
Com nada menos que 12 metros, o fóssil misterioso foi definido como da espécie Traskasaura sandrae, um elasmossauro de pescoço longo predador que viveu ao lado dos dinossauros. Sua anatomia peculiar e seu estilo raro de caça, contudo, continuaram impressionando os pesquisadores mesmo após a descoberta, já que muitas particularidades definem o “monstro marinho”.


Entre elas está a estrutura dos ombros, que se abre para baixo — diferente de qualquer outro elasmossauro conhecido. O animal provavelmente tinha 36 vértebras cervicais, com pelo menos 50 ossos no pescoço. As nadadeiras, em formato de asas de avião invertidas, com a superfície mais curva na parte inferior em vez da superior, “ajudava a acentuar o movimento de subida quando ele mergulhava”, explicou O’Keefe.
Isso sugere outra característica impressionante: a de que o Traskasaura caçava mergulhando sobre a presa de cima para baixo. “Se você pensar em répteis nadando na água, a luz sempre vem de cima, então os animais tendem a caçar para cima porque estão olhando para presas silhuetadas contra a luz da superfície. Esse animal não fazia isso”, ressalta O’Keefe.
Suas presas, envoltas no estilo de caça envolvente, provavelmente incluíam amonites — parentes extintos das lulas e polvos atuais, com conchas em espiral — que ele esmagava com dentes pesados e afiados.
Apesar de grande, esse monstro marinho não era o predador dominante, uma vez que podia ser vítima de mosassauros maiores. A espécie foi extinta junto a todos os outros dinossauros na grande extinção em massa há cerca de 66 milhões de anos, causada por um asteroide.
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