Fóssil de “monstro marinho” encontrado em 1988 no Canadá é identificado

Espécie de elasmossauro viveu há cerca de 85 milhões de anos e teve características surpreendentes

28/05/2025
Exposição de Traskasaura no Museu e Centro de Paleontologia de Courtenay e Distrito. Foto: Museu e Centro de Paleontologia de Courtenay e Distrito / Divulgação

Após 85 milhões de anos no solo, um fóssil de elasmossauro foi encontrado no rio Puntledge, na Ilha de Vancouver, no Canadá, dando início a um mistério. Isso porque, apesar de estar notavelmente completo, o fóssil possuía uma considerável degradação em um de seus lados. Isso somado a sua aparência incomum lhe rendeu o apelido de “monstro marinho”.

“De longe parecia bom”, disse à BBC Science Focus o professor F. Robin O’Keefe, paleontólogo da Marshall University e autor principal do estudo que identificou o animal décadas depois.

Quanto mais você se aproximava, mais triste ficava, como sorvete derretido. Isso tornava quase impossível identificá-lo– explicou o professor

Foto: Robert O. Clark / Divulgação

Os pesquisadores ficaram quase 40 anos com “a faca e o queijo na mão” até finalmente conseguirem identificar a qual animal pertencia o fóssil. A solução veio do esqueleto de um filhote, desenterrado recentemente. “Ele estava muito bem preservado e isso nos permitiu confirmar algumas das características estranhas do fóssil adulto”, disse O’Keefe.

Foi a adição desse segundo esqueleto que tornou possível atribuir esse bicho [o fóssil] a uma nova espécie– destacou

Monstro marinho era um elasmossauro

Com nada menos que 12 metros, o fóssil misterioso foi definido como da espécie Traskasaura sandrae, um elasmossauro de pescoço longo predador que viveu ao lado dos dinossauros. Sua anatomia peculiar e seu estilo raro de caça, contudo, continuaram impressionando os pesquisadores mesmo após a descoberta, já que muitas particularidades definem o “monstro marinho”.

Foto: Robert O. Clark / Divulgação

Entre elas está a estrutura dos ombros, que se abre para baixo — diferente de qualquer outro elasmossauro conhecido. O animal provavelmente tinha 36 vértebras cervicais, com pelo menos 50 ossos no pescoço. As nadadeiras, em formato de asas de avião invertidas, com a superfície mais curva na parte inferior em vez da superior, “ajudava a acentuar o movimento de subida quando ele mergulhava”, explicou O’Keefe.


Isso sugere outra característica impressionante: a de que o Traskasaura caçava mergulhando sobre a presa de cima para baixo. “Se você pensar em répteis nadando na água, a luz sempre vem de cima, então os animais tendem a caçar para cima porque estão olhando para presas silhuetadas contra a luz da superfície. Esse animal não fazia isso”, ressalta O’Keefe.

 

Suas presas, envoltas no estilo de caça envolvente, provavelmente incluíam amonites — parentes extintos das lulas e polvos atuais, com conchas em espiral — que ele esmagava com dentes pesados e afiados.

 

Apesar de grande, esse monstro marinho não era o predador dominante, uma vez que podia ser vítima de mosassauros maiores. A espécie foi extinta junto a todos os outros dinossauros na grande extinção em massa há cerca de 66 milhões de anos, causada por um asteroide.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Hotel oficial do Marina Itajaí Boat Show 2026 oferece condições especiais a visitantes e expositores

    Quem for ao salão náutico que acontece de 2 a 5 de julho terá vantagens ao se hospedar no Mercure Itajaí Navegantes. Saiba mais!

    Turismo cinematográfico em SP: confira cidades com atrativos náuticos que podem virar filme

    Dos 87 municípios que poderão ser cidades-locação para filmes até o final de 2026, 52 atraem olhares pelos atrativos náuticos

    Tradicional na China, festival do barco-dragão chega ao Brasil pela 1ª vez

    Dragon Boat Brasil acontecerá na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, nos dias 20 e 21 de junho. Saiba como participar!

    Victory Yachts entrega primeiras embarcações de sua linha de trabalho ao Governo do Paraná

    Modelos de 30 pés, que inauguram a linha Victory Work, compuseram o maior pacote de investimentos da história da segurança pública do estado

    Veleiro será rebocado da Bahia até São Paulo para participar da Semana de Vela de Ilhabela

    Travessia terrestre levará cerca de dois dias e reunirá quatro velejadores baianos. Competição acontecerá de 24 de julho a 1º de agosto