Truque do braço falso: polvo reage a teste sensorial da mesma forma que humanos

03/08/2025

Um truque simples, a partir da estimulação de um braço de borracha ao lado de um verdadeiro, revela que os sentidos humanos trabalham para criar a sensação de que o nosso corpo está sentindo o braço falso ser tocado. Mas e se o mesmo teste fosse feito em… um polvo?

Foi essa a proposta de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Ryukyus, no Japão — e a escolha do polvo (Callistoctopus aspilosomatis) não foi à toa. Esses moluscos, dotados de habilidades cognitivas semelhantes à de muitos vertebrados, são conhecidos pela inteligência.

Foto: YouTube / Cell Press / Reprodução

Não demorou para que os estudiosos notassem que as reações do animal ao truque sensorial fosse, de fato, parecida com a de humanos.

Entenda o teste feito com o polvo

O teste foi aplicado ao polvo da mesma maneira como é feito em humanos. Em nosso caso, um dos braços de uma pessoa é coberto, enquanto o outro, de borracha, é colocado ao lado.

Foto: YouTube / Cell Press / Reprodução

Ao receber estímulos tanto no braço real quanto no falso por um tempo, o indivíduo passa a não conseguir diferenciar, sensorialmente falando, qual braço está recebendo o estímulo. Ele sentirá o toque no próprio membro, mesmo que esse esteja ocorrendo apenas no braço falso.

 

Isso acontece porque os sentidos humanos trabalham juntos para criar a sensação de que nosso corpo nos pertence — até quando nossas percepções estão erradas. E o estudo, publicado na revista científica Current Biology, prova que os polvos reagem da mesma maneira. Veja:

 

 

Resultados inéditos

Essa foi a primeira vez que o truque foi documentado em um grupo fora dos mamíferos. Para obter os resultados, os pesquisadores utilizaram um tentáculo falso, seguindo as mesmas premissas do teste feito em humanos.

Foto: YouTube / Cell Press / Reprodução

Ao ter o tentáculo falso estimulado com uma pinça — após receber toques no tentáculo real — , o animal esboçou reações como mudar de cor, retrair o membro ou fugir. Já quando apenas o braço falso foi acariciado, o polvo não reagiu de forma significante.


Esses resultados sugerem que os polvos detém certo nível de autoconsciência de seus próprios corpos, além de reforçarem a tese sobre sua complexa capacidade de cognição, fruto de um sistema nervoso diferenciado.

 

Um movimento semelhante também pôde ser observado em um estudo compartilhado na revista Animals. Nele, os pesquisadores observaram como um polvo que teve um de seus tentáculos regenerados reagia ao novo membro. Leia!

 

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