Restaurante flutuante na Noruega tem vista panorâmica e experiência multissensorial
Cercado por uma paisagem belíssima e pratos diferentões, um restaurante flutuante na Noruega tem chamado a atenção por sua proposta de experiência, que combina gastronomia e ativismo. A cerca de 400 km da capital Oslo, o restaurante Iris fica no meio do majestoso fiorde Hardanger — um dos maiores fiordes do mundo, com 179 km de comprimento, entre montanhas e geleiras.
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A experiência que envolve o restaurante Iris começa antes mesmo de chegar até o local, já que, para isso, os visitantes precisam ser buscados em um barco elétrico na costa da cidade vizinha a Rosendal.


O valor não é atraente a todo os olhares: o menu degustação (que conta com 18 pratos) sai por 3.900 coroas norueguesas — cerca de R$ 1,8 mil na cotação de janeiro de 2024. Mas não é para menos, já que o restaurante, além de ficar dentro da estrutura Salmon Eye, oferece uma jornada que tem duração de 6 a 8 horas.


Esta “viagem gastronômica de expedição exclusiva” é conduzida pelas mãos de Anika Madsen. A chef foi recentemente premiada pelo La Liste (ranking francês que premia os melhores restaurantes do mundo), na categoria Game Changer Award, que reconhece chefes que mudam a cultura da indústria através do compromisso, envolvimento e educação.


No caminho, uma parada na casa da chef Madsen, na ilha vizinha de Snilstveitoy, é feita para um lanche de boas-vindas, antes de, finalmente, todos serem deixados no restaurante que fica dentro do icônico Salmon Eye.
18 pratos e proteína de inseto
O menu degustação conta com 18 pratos, mas, antes de experimentar qualquer um deles com uma vista panorâmica do fiorde e das montanhas, os visitantes participam de uma “experiência multissensorial”. Nela, os convidados assistem a um vídeo sobre desperdício de alimentos e escolhem um biscoito que desce do teto preso a um barbante.


Os pratos, por usa vez, fazem jus à “experiência gastronômica diferenciada”. Estão no menu, por exemplo, um intrigante salmão combinado a “possíveis fontes alimentares do futuro” — leia-se: micélio (rede de fungos), algas e proteína de insetos.


Aqui, temos o grande privilégio de levar os nossos convidados aos ingredientes, e não o contrário– descreve o restaurante Iris
Outro destaque do cardápio é o Change of Heart: um tartar de coração de rena com alho-poró e alcaparras. Além disso, em dias em que o tempo colabora, um dos pratos é grelhado no fogo, ao ar livre, e servido no rooftop do local.


Segundo o próprio restaurante, o menu do Iris “parece uma história sobre os desafios e ameaças ao sistema alimentar global, mas também com ideias e sugestões para inovações futuras”. A chef Anika Madsen, aliás, é conhecida pela paixão por descobrir novos ingredientes do oceano e ter um compromisso com a sustentabilidade.






Quem já foi, aprova
Mari Eriksmoen, uma norueguesa cantora de ópera, foi uma das pessoas que vivenciou a experiência gastronômica oferecida pelo restaurante Iris. Ela registrou o momento em um vídeo publicado no TikTok, que já ultrapassou 10,5 milhões de visualizações. “Não foi barato, mas valeu a experiência”, comenta a cantora.
@marieriksmoen Most spectacular restaurant in Norway! #restaurant #spectacular #michelin #michelinstar #iristherestaurant #hardangerfjord #norway ♬ Theme from “A Summer Place” – Percy Faith And His Orchestra
Para aqueles que quiserem visitar o Salmon Eye sem participar do jantar no restaurante, é possível comprar ingressos somente para visitação do complexo, pelo valor de 349 coroas norueguesas (cerca de R$ 165).
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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