Cardume de peixe mero, criticamente ameaçado de extinção, é registrado pela 1ª vez em Alagoas
Segundo pesquisadores, cerca de 15 peixes adultos de grande porte foram encontrados no litoral do estado


Um raro registro feito em abril deste ano flagrou, pela primeira vez, um cardume de peixes mero em Alagoas, no Nordeste do país. A espécie, considerada criticamente ameaçada de extinção, foi flagrada em um grupo com cerca de 15 peixes adultos durante um mergulho científico.
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Pesquisadores do Projeto Meros do Brasil (PMB) e da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) registraram o momento. Segundo eles, foram identificados aproximadamente 15 meros adultos de grande porte em uma área a 35 m de profundidade. Os animais mediam entre 1,6 m e 2,3 m de comprimento.


O grupo estudava a ocorrência da espécie há seis anos no estado. O achado ganha ainda mais importância porque existem pouquíssimos registros desse peixe no Nordeste do Brasil. Marcio Lima, supervisor de pesquisa do PMB, disse ao g1 que os encontros de cardumes dessa espécie são mais comuns em Santa Catarina e no Paraná.
Geralmente observamos só um indivíduo nos recifes. Eles costumam se agregar para reprodução– explicou Lima


Segundo os cientistas, a alimentação e reprodução dos peixes mero são momentos sensíveis no ciclo de vida da espécie. Isso porque são quando eles ficam mais vulneráveis à pesca ilegal e a outros impactos humanos. Tanto é que, além dos meros, foram registradas redes fantasmas e outros materiais de pesca no local onde o cardume foi visto.
De acordo com os pesquisadores, a área onde o cardume foi encontrado em Alagoas não está protegida por nenhuma unidade de conservação — o que preocupa os cientistas.
Conheça o peixe mero
O peixe mero (Epinephelus Itajara) foi descrito pela primeira vez em 1822 a partir de um exemplar coletado no Brasil, segundo o PMB. A espécie também é conhecida como bodete, canapú, badejão, merote ou “senhor das pedras” na tradução tupi-guarani — haja apelido!


O animal pode alcançar 2,5 m de comprimento e pesar mais de 400 kg, mas apesar do grande porte, os meros são considerados dóceis, mansos e curiosos por se aproximarem de mergulhadores com frequência. É justamente essa postura calma e receptiva que o torna um alvo fácil para pescadores e caçadores.
Inclusive, fica uma curiosidade: segundo o Meros do Brasil, este peixe nasce fêmea e, após a primeira reprodução, por volta dos 6 a 8 anos, algumas se transformam em machos para garantir a continuidade da espécie.
O animal atualmente está classificado como “Vulnerável” na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN, a União Internacional para a Conservação da Natureza.
Para ajudar na conservação, a recomendação é não pescá-lo, comprá-lo e nem consumi-lo — aliás, a pesca e o transporte de peixes mero são proibidos por lei. Além disso, a orientação é que qualquer pessoa que encontre o animal, vivo ou morto, registre em imagem e informe ao Projeto Meros do Brasil ou à UFAL Penedo por meio das redes sociais.
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