Após 25 anos, pesquisadores se emocionam ao revisitar recife artificial que revitalizou fundo do mar no PR
Projeto iniciado em 2001 buscou repovoar a vida marinha em Pontal do Sul. Resultado superou expectativas, com retorno de peixe criticamente ameaçado de extinção


Desde recifes de corais até o retorno de um peixe em estado crítico de extinção, as surpresas que hoje ocupam o fundo do mar em Pontal do Sul, no Paraná, são muitas. O ecossistema local foi revitalizado graças a um projeto iniciado há 25 anos — e cujo resultado hoje se mostra mais que satisfatório.
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Em 2001, um projeto da Universidade Federal do Paraná (UFPR) afundou 2 mil blocos de concreto vazados compatíveis com o ambiente marinho e uma balsa. Apesar da grandiosidade da ação, o objetivo era simples: repovoar o ecossistema local e evitar a pesca de arrasto — prática que, apesar de proibida, acontecia ilegalmente.


No início de 2026, pesquisadores que em 2001 participaram do projeto de repovoar o ecossistema marinho no Paraná retornaram ao local. Além da comprovação de que a iniciativa deu mais que certo, também não faltaram altas doses de emoção naquelas águas.
Os resultados foram excelentes. Praticamente não se vê concreto, vimos vida marinha agregada-disse o oceanógrafo Frederico Brandini ao jornal Meio-Dia Paraná, da TV Globo


Ao noticiário, Brandini detalhou que a emoção de mergulhar novamente nas águas de Pontal do Sul foi parecida com a sensação que teve em 2001. Ele explicou que, no início, a área afetada pela pesca de arrasto carecia de vida marinha, com pouca fauna e flora. 25 anos depois, o cenário é completamente diferente.
Ideia promissora, resultado visível
Além do repovoamento marinho, outra boa surpresa do projeto da UFPR foi o retorno do peixe Mero (Epinephelus itajara), criticamente ameaçado de extinção, que só fortaleceu a importância do recife artificial para a biodiversidade marinha no Paraná.


O biólogo Ariel Scheffer foi outro dos pioneiros que retornaram ao Pontal do Sul após décadas de espera. Ele destacou a importância de o local estar recebendo o peixe ósseo ameaçado de extinção.
Emocionante ver os Meros e tudo que está em volta deles. É muito bonito, eles parecem observar a gente. Fiquei emocionado em ver a quantidade de Meros que vivem lá hoje-detalhou Scheffer ao jornal


O chefe de operações Romano Mestre Dalanana não poupou o orgulho de ter feito parte do projeto “desde o começo”.
A gente sabe que deu certo, mas sempre que a gente desce [mergulha] é uma novidade-afirmou Dalanana
Berçário artificial guarda espécie ameaçada de extinção
A presença de peixes Mero no recife artificial instalado em 2001 em Pontal do Sul, no Paraná, é um grande motivo de orgulho para a iniciativa. De acordo com a última portaria do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima que reconhece peixes e invertebrados aquáticos ameaçados de extinção, publicada em 27 de abril, o Mero aparece em estado criticamente perigoso.


A classificação significa que a espécie apresenta risco extremamente elevado de desaparecer na natureza, sendo a última etapa antes da extinção definitiva. Entre os critérios são considerados o tamanho da população conhecida, as regiões que o animal ocupa e o número de indivíduos adultos.


O Mero é um peixe marinho ósseo que pode atingir grandes proporções. Os adultos chegam a pesar entre 250 kg e 400 kg e medir até três metros. No retorno dos pioneiros do projeto da UFPR às águas de Pontal do Sul, a equipe flagrou cerca de seis Meros aproveitando o recife artificial, que agora parece ter virado habitat desses gigantes ocultos.
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