A arte imita a vida? Mar Báltico fica verde e lembra traços de Van Gogh
O fenômeno, resultado da ação de fitoplânctons, foi capturado por satélite que sobrevoava a Suécia


As águas ricas em nutrientes do Mar Báltico protagonizaram um fenômeno que as deixou em tons de verde-brilhante — com o toque de traços que lembram os de Van Gogh. A pintura da natureza foi resultado de populações de fitoplâncton, que se desenvolvem em peso especialmente nos verões do Hemisfério Norte.
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O espetáculo pôde ser visto de camarote da órbita da Terra pelas lentes do instrumento Operational Land Imager (OLI-2), a bordo do satélite Landsat 9, enquanto sobrevoava o mar ao sul da ilha sueca de Gotland e a sudeste da capital Estocolmo, no último dia 20.


O equipamento emoldurou a cena natural que acontece quando esses minúsculos organismos, semelhantes às plantas, se acumulam. As manchas em variados tons de verde ganharam o “toque de Van Gogh”, com redemoinhos que lembraram as pinceladas rápidas e intensas do artista, vistas em obras como ‘Noite Estrelada’. Nesse caso, no lugar do pincel foram o vento, as embarcações e as correntes que marcaram as águas.
O papel do fitoplâncton, responsável pelo fenômeno
O fitoplâncton é um conjunto de organismos microscópicos (como algas unicelulares) que vive suspenso na água — em oceanos, rios ou lagos. Ele é parecido com as plantas porque faz fotossíntese, logo, usa a luz do sol para produzir energia. Nesse processo, o fitoplâncton absorve gás carbônico (CO₂) da atmosfera, ajudando a reduzir o efeito estufa e a aquecer menos o planeta.
Um de seus papéis mais fundamentais está na produção de oxigênio, uma vez que é responsável por cerca de metade do O₂ existente na atmosfera. Além disso, o fitoplâncton também serve de alimento para animais aquáticos como o zooplâncton, que alimentam peixes, que por sua vez alimentam animais maiores.


O fitoplâncton ainda participa dos ciclos naturais de elementos como carbono, nitrogênio e fósforo, essenciais para a vida no planeta.
No caso das imagens de satélite, não é possível identificar com precisão o tipo de fitoplâncton em proliferação. No entanto, especialistas do Instituto Meteorológico e Hidrológico Sueco (SMHI) confirmaram a presença de cianobactérias nas águas superficiais do Mar Báltico.
Essas bactérias fotossintetizantes costumam aparecer entre o fim de junho e meados de julho, especialmente em águas quentes, estratificadas e ricas em fósforo. Sedimentos e pólen podem ter intensificado a coloração amarela-esverdeada observada.
As cianobactérias desempenham papel importante no ciclo do nitrogênio e na cadeia alimentar marinha, mas também estão associadas à redução de oxigênio nas camadas mais profundas, já que sua decomposição consome o gás. O fitoplâncton também pode ser nocivo. Em algumas condições — como no excesso de nutrientes na água (geralmente por poluição) e altas temperaturas — ele pode se multiplicar rapidamente, formando florescimentos algais.
Alguns desses organismos produzem toxinas que prejudicam peixes, mamíferos marinhos e até humanos. Essas florações ainda podem causar a morte de peixes por diminuir o oxigênio na água.
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