Cidade submersa no Egito: grandes peças retiradas do Mar Mediterrâneo revelam mistérios
Estátuas de quartzo, granito e mármore branco resgatadas indicam continuidade histórica de diferentes períodos


Uma cidade submersa escondida no Mar Mediterrâneo há milhares de anos pode ter começado a revelar seus segredos no Egito. Em Abu Qir, província de Alexandria, três grandes estátuas em materiais nobres foram retiradas do fundo do mar durante atividades do programa “Patrimônio Cultural Subaquático”, conduzido pelo Conselho Supremo de Antiguidades.
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As três principais peças arqueológicas içadas do fundo do mar foram uma grande estátua de quartzo em forma de esfinge com o cartucho do rei Ramsés II, uma estátua de granito de um personagem desconhecido do final do período ptolomaico — quebrada no pescoço e nos joelhos — e uma estátua de mármore branco representando um homem romano da nobreza.
O resgate foi acompanhado por diversas autoridades egípcias no último dia 21 de agosto. Entre elas, estavam o Ministro do Turismo e Antiguidades, o Governador de Alexandria, o Comandante da Marinha e o Comandante da Região Militar do Norte.
Histórias preservadas no fundo do mar
As estátuas foram as primeiras retiradas do Mediterrâneo em 25 anos, desde a última operação semelhante realizada no país. Desde 2001, o Egito é signatário da Convenção da UNESCO para proteção do patrimônio cultural subaquático.


Segundo Mohamed Ismail Khaled, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, o resgate integra um projeto nacional de desenvolvimento da Baía de Abu Qir. Ele explicou que inspetores do conselho trabalham no local e já identificaram construções submersas ao longo dos séculos — resultado, possivelmente, de mudanças geológicas ou de terremotos que fizeram a região afundar no Mediterrâneo.
Para o general Ahmed Khaled Hassan Said, a descoberta arqueológica em Abu Qir não é apenas o resgate de peças raras, mas a recuperação de parte da grande história do Egito e uma valiosa adição ao seu legado civilizacional.
Mais mistérios estão por vir
De acordo com o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, a área do resgate é considerada um dos sítios arqueológicos mais importantes de Abu Qir. Pesquisas anteriores apontam que a região pode corresponder a uma cidade portuária completa, com edifícios, templos, cisternas, tanques de peixes, porto e cais, provavelmente uma extensão da cidade de Canopo.
As evidências revelam ainda uma continuidade histórica rara, abrangendo períodos do Egito faraônico, ptolomaico, romano, bizantino e islâmico.


Além das três grandes estátuas, foram encontrados outros vestígios no Mar Mediterrâneo: estátuas reais e de esfinge, restos de um navio comercial carregado de nozes e amêndoas com uma balança de bronze, ânforas com selos de mercadorias, âncoras de pedra, estátuas de ushabtis (figuras funerárias do Egito Antigo), moedas de diferentes períodos e utensílios cerâmicos, como pratos e tanques de peixes.
O Ministério reforça que as pesquisas em Abu Qir continuam em andamento. Para além das peças já resgatadas, a expectativa é que o mar revele ainda mais capítulos ocultos dessa “civilização afundada do Egito”, mantendo viva a promessa de descobertas que podem reescrever — ou ao menos incrementar — a história da região.
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