Calor fez nível do oceano aumentar mais no Brasil do que no resto do mundo

Segundo relatório da OMM, 2023 ficou marcado pelo recorde de temperatura e pela maior elevação dos mares já registrada

Por: Redação -
09/05/2024

O calor recorde registrado em 2023 provou um aumento no nível do oceano na costa brasileira acima da média mundial. É o que aponta o relatório “O Estado do Clima na América Latina e no Caribe em 2023”, da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), divulgado nesta quarta-feira (8).

Segundo o estudo, o mundo inteiro sofreu com a elevação do nível do mar por conta da expansão térmica, já que a água quente se dilata. Isso acontece desde 1993, mas no ano passado foi registado um recorde, com média global de 3,42 mm/ano. Na costa atlântica da América do Sul, o número chegou a 3,96 mm.

Foto: Raw Pixel

Ao longo dos anos, o relatório mostrou que o aumento do nível dos oceanos mais do que dobrou desde a década de 1990. De acordo com os cientistas, 2023 foi não só marcado por calor excepcional, como também por anomalias que não podem ser explicadas por fenômenos esperados, como o El Niño.

Como o aumento no nível do oceano afeta a vida das pessoas

Quando analisados de forma avulsa, os números podem parecer pequenos e sem importância, mas a realidade é bem diferente.

 

Conforme listado pelo O Globo, a elevação do mar erode o litoral, contamina o lençol freático com água salgada, agrava inundações provocadas por tempestades, mina as fundações de construções, gera afundamento de terrenos e faz as ressacas se tornarem maiores, o que gera um avanço da água por mais terrenos.


É possível ver efeitos por todo o Brasil. No Amapá, por exemplo, palmeiras e outras plantas próximas à foz do Rio Amazonas morreram devido à contaminação da água doce pelo sal. No Rio de Janeiro e em Santos (SP), as ressacas gigantes refletiram em problemas para as cidades.

Eventos climáticos extremos

O relatório destaca que o Brasil sofreu 12 eventos climáticos extremos em 2023. Enquanto algumas regiões enfrentaram chuvas torrenciais — como o litoral de São Paulo, que recebeu 683 mm de água em apenas 15 horas, em fevereiro –, outras ficaram marcadas por forte calor acompanhado de seca.

 

Um exemplo é a Amazônia. A onda de calor sem precedentes, com uma das piores secas registradas, fez o nível do Rio Negro cair para 12,70 metros em outubro, o mais baixo já registrado desde 1902.

 

No Lago Tefé, mais de 150 botos cor-de-rosa foram encontrados mortos no final de setembro, em virtude dos impressionantes 39,1 °C de temperatura da água.

 

Soma-se a lista de problemas uma série de graves incêndios florestais — que, além de tudo, impactam a população pela fumaça intensa –, ciclone extratropical no Rio Grande do Sul e fortes chuvas no Acre, que fizeram o Rio Acre transbordar e afetar diversas áreas da capital.

 

A catástrofe que arrasou diversas cidades do Rio Grande do Sul desde o final de abril deste ano também é um evento climático extremo, resultado do El Niño e das mudanças climáticas. Segundo a OMM, é imperial que ações coordenadas trabalhem para evitar tais tragédias.

 

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