Mais de 3 mil moedas: maior tesouro viking da história da Noruega é encontrado

De acordo com os arqueólogos, as peças são datadas de 980 a 1040 d.C. e originárias de vários países da Europa

14/05/2026
Coleção de seis moedas inglesas e alemãs encontradas próximas umas das outras. Foto: Condado de Innlandet/ Divulgação

Não é todo dia que se descobre um dos mais impressionantes tesouros da história da Noruega. No último mês, arqueólogos encontraram em um campo no sudeste do país nórdico mais de 3 mil moedas de prata da Era Viking — e outras ainda podem ser encontradas.

Os itens são datados de 980 a 1040 d.C., exatamente no auge da Era Viking, o que torna a descoberta ainda mais espetacular. Eles foram encontrados em uma área próxima à Rena, na região de Østerdalen, e tiveram sua importância reconhecida pelo Ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega, Andreas Bjelland Eriksen, que classificou o achado como “histórico”.

Uma moeda com vestígios de uma argola de suspensão, indicando que era usada como joia. A moeda faz parte do tesouro de Mørstad, perto de Rena. Foto: May-Tove Smiseth/ Condado de Innlandet/ Divulgação

Para se ter ideia da dimensão, a última descoberta significativa de moedas vikings no país ocorreu, segundo o Museu de História Cultural da Noruega, em 1950, quando foram encontradas 900 peças — menos de um terço do volume encontrado agora.

Esta é uma descoberta única na vida. Estar presente quando algo assim vem à tona é uma experiência incrível, tanto profissional quanto pessoalmente– declarou a arqueóloga May-Tove Smiseth ao portal Euronews

No entanto, não é apenas a quantidade que impressiona, mas também as origens das moedas vikings. Muitas delas são originárias do exterior, principalmente da Inglaterra e da Alemanha, sem contar os itens que vieram da Dinamarca e da própria Noruega.

Uma cruz no reverso de uma das moedas do tesouro de Mørstad, no município de Åmot. Foto: May-Tove Smiseth/ Innlandet County Council/ Divulgação

Novas escavações estão previstas para determinar se existem mais moedas vikings no local e se há alguma pista que explique o motivo de enterrarem algo tão valioso. No momento, a área está fechada ao público enquanto as investigações continuam.

Como tudo começou

A princípio, não parecia que os arqueólogos achariam grande coisa. Segundo o Euronews, tudo começou quando dois arqueólogos experientes encontraram as primeiras 19 moedas no sudeste norueguês com o uso de detectores de metal.

Rune Sætre, um dos dois detectoristas que descobriram as moedas vikings, verifica um sinal de metal no local da descoberta. Foto: Anne Engesveen/ Condado de Innlandet/ Divulgação

Aos poucos eles perceberam que se tratava de uma grande descoberta e interromperam a busca para comunicar as autoridades arqueológicas do Condado de Innlandet. Assim, foi possível a preservação adequada do local e a realização de escavação profissional.

 

Depois da escavação, a origem das peças começou a ficar mais evidente. Algumas moedas vikings foram cunhadas (nome que se dá ao processo de fabricação de moedas) durante os reinados de Canuto o Poderoso, de Etelredo II, de Oto III e de Haroldo III da Noruega.

Duas das moedas de prata do tesouro mostram o perfil da efígie de um rei. Os achados estão notavelmente bem preservados, apesar de terem permanecido em um campo arado. Foto: Anne Engesveen/ Condado de Innlandet/ Divulgação

De acordo com os especialistas, moedas estrangeiras eram a principal moeda corrente na Noruega, já que não havia um sistema monetário nacional na época. Isso só viria a mudar sob o reinado de Haroldo III, que comandou o país de 1.046 a 1.066. Por conta disso, os arqueólogos acreditam que o tesouro foi enterrado por volta dessa época.

Fragmento de um broche de prata, conhecido como “prata fragmentada”, do tesouro de Mørstad. Na Era Viking, o peso da prata era o que importava, por isso pedaços cortados de prata também podiam ser usados ​​como pagamento. Foto: Vegard Sørlie/ Divulgação

Os especialistas envolvidos no caso também acreditam que as peças foram originalmente armazenadas em uma bolsa de couro ou outro recipiente orgânico que se decompôs com o tempo. Como resultado, os itens foram espalhados pelo campo ao longo dos séculos, possivelmente em razão da aração da terra.


Para os pesquisadores, a riqueza pode estar associada à prosperidade de Østerdalen, que entre os séculos 10 e 13 foi um importante polo de produção de ferro. Antigamente, o minério extraído dos pântanos locais era processado e exportado por toda a Europa, o que pode explicar tamanho acúmulo de moedas vikings de diversos países. Portanto, o tesouro pode ter sido originado desse comércio.

Quem foram os vikings?

Nem tudo é como aprendemos nos filmes — e isso vale muito sobre o povo viking. Na realidade, os vikings eram povos marítimos originários da Escandinávia — onde ficam hoje a Noruega, Dinamarca e Suécia — que estiveram ativos do século 8 até o início do século 11.

Representação feita durante a Era Viking da Pedra de Tjängvide, em Gotlândia. Foto: Berig/ Wikimedia Commons/ Creative Commons/ Reprodução

Embora sejam frequentemente associados a saques e guerras, eles também se envolviam na pesca, agricultura, comércio e artesanato. Porém, também é verdade que os vikings eram exploradores e colonizadores, que estabeleciam redes comerciais desde o Atlântico Norte até o Império Bizantino.

 

No mundo náutico, o formato de seus longos navios sempre chamou atenção. Contudo, além do apelo estético, este modelo permitia viajar e saquear a grandes distâncias, chegando às Ilhas Britânicas, Islândia, Groenlândia e até mesmo à América do Norte.

Barco de arquitetura viking sob a bandeira dinamarquesa. Foto tirada entre 1906 e 1929. Foto: Domínio Público

Durante a maior parte do período histórico das suas expedições, eles seguiram a religião nórdica antiga. Com o passar do tempo, entretanto, adotaram o cristianismo e formaram os primeiros reinos medievais que dariam origem aos atuais estados escandinavos.

 

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