Estudo estima que estátuas de moai na Ilha de Páscoa sejam inundadas antes do que se imaginava
Patrimônios da humanidade pela Unesco podem ser tomados pelo mar antes de 2100. Entenda


Um novo estudo avaliou os riscos do avanço do mar na Ilha de Páscoa e trouxe um dado alarmante: a inundação das estátuas de moai pode acontecer décadas antes do que se previa. Liderada pela Universidade do Havaí, a pesquisa estima que as estátuas e o Complexo Tongariki — patrimônios da humanidade pela Unesco — podem ser atingidos pelas ondas já em 2080.
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A pesquisa se concentrou especificamente no Complexo Tongariki, que inclui centenas de bens culturais na Ilha de Páscoa. O aumento do nível do mar já não é surpresa para a ciência, que considera o fator como uma ameaça concreta para todas as regiões costeiras do mundo.
O estudo, porém, mostrou que o risco é mais imediato do que se pensava no local que, além de patrimônio cultural, é o principal motor da economia da Ilha de Páscoa.
A questão não era se o local seria impactado, mas sim em quanto tempo e com que gravidade-disse Noah Paoa, principal autor do estudo
Por que 2080?
O prazo de 2080 não é uma suposição, foi o resultado de uma simulação baseada em um cenário específico de elevação do nível do mar e na frequência das ondas. A pesquisa considerou um aumento de 1,2 metro na média global do nível do mar. Já nessa condição, o icônico Ahu Tongariki seria atingido por ondas sazonais, que ocorrem aproximadamente a cada ano.


O estudo demonstra que, mesmo em um cenário mais brando, o número de bens culturais que podem ser impactados pela inundação pode triplicar com uma elevação de apenas 1,2 metro no nível do mar. Ou seja, o risco já existe e será intensificado significativamente nas próximas décadas.
Prevendo o futuro
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores combinaram tecnologia com análises de campo. Inicialmente, criaram um mapa 3D detalhado do Complexo Tongariki usando imagens de drones que capturaram a topografia da terra. Em seguida, sensores de pressão foram instalados no fundo do mar, na baía em frente ao complexo, para registrar o comportamento das ondas.


A partir daí foi possível calibrar o modelo de simulação e garantir que as projeções fossem precisas. Com as ferramentas posicionadas, os cientistas utilizaram o modelo XBeach para simular o avanço das ondas em diferentes cenários futuros, como se estivessem testando a resistência do local em um ambiente virtual controlado.
O modelo permitiu aos pesquisadores visualizarem, com precisão, a área que seria inundada na Ilha de Páscoa, inclusive identificando quais estruturas estariam sob maior peirgo.
Mudanças são necessárias
Além de soar o alarme, o estudo aponta para a urgência de ação e sugere que avaliações semelhantes sejam feitas em outros sítios culturais próximos à costa da Ilha de Páscoa. “Nossa pesquisa serve como um modelo. Ao desenvolver e aplicar esses métodos, esperamos poder ajudar a proteger o que é precioso para o povo do Havaí“, complementa Paoa.


No fim das contas, o principal o objetivo do estudo foi fornecer dados científicos concretos para que as autoridades possam se preparar para o inevitável avanço do mar, protegendo seu patrimônio para as futuras gerações. Os detalhes foram publicados na revista científica Journal of Cultural Heritage no mês de agosto.
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