Avanço do mar faz ilha no Panamá ser evacuada antes que fique submersa
Governo construiu 300 novas casas para que moradores de Gardi Sugdub tenham onde morar


O avanço do mar, provocado pelas mudanças climáticas, está prestes a deixar uma ilha no Panamá submersa. Localizada na costa norte do Caribe, o arquipélago Gardi Sugdub, de 400 metros de comprimento, abrigava cerca de 1,3 mil pessoas até o ano passado.
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Os moradores, no entanto, estão sendo removidos da ilha, lar do povo indígena Guna há mais de cem anos. Nos últimos tempos, tempestades têm provocado inundações que afetam os sistemas habitacionais, de saúde, educação e distribuição de água, situação que deve piorar com o aumento da crise climática.


Embora a população tenha tentado reforçar o perímetro da ilha com pedras e estacas, nada adiantou para conter a água. De acordo com os cientistas, é provável que as condições meteorológicas extremas se tornem mais comuns e que a ilha desapareça do Panamá até o final do século.
Moradores da ilha estão indo para outra região do Panamá
Embora de forma relutante, a população local aceitou, em 2010, que a única saída seria buscar um local mais seguro para morar. Após anos de esforços liderados por ONGs, o governo do Panamá se comprometeu, em 2017, a construir 300 casas para os habitantes da ilha.


O empreendimento, no entanto, atrasou diversas vezes, até que, na última semana, as famílias começaram a se mudar.
Estamos um pouco tristes, porque vamos deixar para trás as casas que conhecemos durante toda a vida, a relação com o mar, onde pescamos, onde tomamos banho e para onde vêm os turistas. O mar está afundando a ilha aos poucos– Nadín Morales, ao jornal português RTP
As novas residências ficam em uma região de floresta tropical, a pouco mais de dois quilômetros do porto — ou cerca de oito minutos até a ilha. Segundo o governo, foi necessário empreender 11 milhões de euros (R$ 63,5 milhões) para receber a população de Gardi Sugdub.
Como a evacuação não é obrigatória, algumas famílias optaram por continuar a viver na ilha, até que as condições se tornem insustentáveis.
Este é o primeiro pedaço do Panamá que corre o risco de ficar submerso por conta das mudanças climáticas, mas as projeções não são animadoras. De acordo com um estudo da Direção de Alterações Climáticas do Ministério do Ambiente do Panamá, o país perderá cerca de 2,01% do território costeiro até 2050 por conta da subida do nível do mar.
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