Foguete da SpaceX recuperado próximo de ilha australiana pode impulsionar turismo local

13ª voo da Starship lançado em julho caiu no Oceano Índico, perto da Ilha Christmas; veículo também atrai preocupações

26/08/2026
Foto: SpaceX/ X (Twitter)/ Reprodução

Um foguete recuperado após voo teste da SpaceX pode ser o motivo que impulsionará o turismo na remota Ilha Christmas, território australiano no Oceano Índico. De acordo com a empresa, uma equipe de engenheiros está a caminho do local para recuperar e inspecionar uma seção da nave Starship, que retornou à Terra e acabou no mar.

A gigante estrutura, que mede cerca de 52 metros de comprimento e caiu no Oceano Índico, foi rebocada para uma área próxima à costa da ilha após ser monitorada por semanas em mar agitado pela equipe da SpaceX. Assista abaixo e confira!

 

 

Anteriormente, a espaçonave fazia parte do 13º voo de teste da Starship, lançado do estado do Texas em 24 de julho. Agora, ela está em alto-mar, sob os cuidados da equipe, enquanto vários moradores da ilha conseguem avistá-la — inclusive, já vem chamando atenção dos residentes.

Foto: SpaceX/ X (Twitter)/ Reprodução

Segundo David Watchorn, presidente da Associação de Turismo da Ilha Christmas, afirmou ao jornal britânico The Guardian, muitos moradores acordaram e avistaram a estrutura que, a princípio, parecia ser um grande embarcação no horizonte.

Mas quando você olhava com mais atenção, o que parecia um navio era, na verdade, um foguete preto– disse Watchorn

Com cerca de 2 mil habitantes, a expectativa local é que a atenção internacional gerada pela operação possa impulsionar o turismo na ilha — que fica a aproximadamente 1.550 quilômetros da costa da Austrália Ocidental e a 380 km ao sul de Java, Indonésia.

13ª voo da Starship no espaço. Foto: SpaceX/ X (Twitter)/ Reprodução

Para que ninguém se aproxime do veículo, as autoridades estabeleceram uma zona de exclusão ao redor da nave que impede a aproximação de embarcações recreativas. A Agência Espacial Australiana informou que acompanha as atividades de recuperação em coordenação com a empresa de Elon Musk.

 

Especialistas do setor consideram que a operação pode marcar um avanço relevante na busca pelo reaproveitamento não só do primeiro estágio dos foguetes, mas também de partes utilizadas nas fases seguintes do lançamento. Conforme Hadrien Devillepoix, da Curtin University, o teste evidencia a possibilidade de reutilizar de forma mais ampla os sistemas que integram os veículos espaciais de nova geração.

A Starship utilizada na demonstração foi projetada para transportar satélites e, futuramente, realizar missões tripuladas. Por enquanto, a empresa ainda não informou se parte do material ficará na ilha após o fim das análises ou se toda a estrutura será retirada do local.

Nem tudo são flores

Não é de hoje que ocorre um caso envolvendo detritos espaciais em território australiano. Poucas semanas atrás, esferas metálicas atribuídas a um corpo de foguete apareceram em praias do estado de Queensland, localizado na costa nordeste da Austrália — onde também fica a Grande Barreira de Corais, o maior sistema de recifes de corais do mundo.

Pedaço do foguete no Oceano Índico. Foto: SpaceX/ X (Twitter)/ Reprodução

Segundo Alice Gorman, arqueóloga espacial da Flinders University, a rápida expansão da quantidade de satélites em atividade também contribui para o crescimento do número de partes de foguetes que ficam em órbita ou acabam voltando à superfície terrestre.

Passamos de cerca de 5 mil satélites ativos para aproximadamente 16 mil, dos quais cerca de 10 mil fazem parte das constelações da SpaceX– afirmou a pesquisadora

De acordo com a especialista, os estágios superiores podem oferecer riscos por ainda carregarem restos de combustível ou substâncias potencialmente tóxicas. Apesar disso, a nave recuperada aparenta ter permanecido relativamente preservada.

Conheça a Ilha Christmas

A Ilha Christmas situa-se no Oceano Índico, a 2500 km a nordeste da Perth, cidade da Austrália. Montanhosa, formada por erupções basálticas no passado, formando um planalto central que atinge o ponto mais alto com 361 metros em Murray Hill. Ela e árida em boa parte do ano com seu clima predominantemente seco, salvo pelas monções índicas.

Ilha Christmas. Foto: Wikimedia Commons/ ChrisBrayPhotography/ Creative Commons/ Reprodução

O destino é conhecido por sua biodiversidade, incluindo a famosa migração dos caranguejos-vermelhos e espécies endêmicas de morcegos. Isso porque a ilha foi desabitada até ao final do século XIX, permitindo que muitas espécies evoluíssem sem interferência humana.

Ilha Christmas. Foto: Wikimedia Commons/ ChrisBrayPhotography/ Creative Commons/ Reprodução

Dois terços da ilha foram declarados Parque Nacional, que é gerido pelo Departamento Australiano de Meio Ambiente e Patrimônio através da Parks Austrália. O local contém espécies únicas, tanto da flora quanto da fauna, algumas das quais estão ameaçadas ou foram extintas.

Imagem ilustrativa. Foto: yongkiet/ Envato

A migração em massa anual do caranguejo-vermelho (Gecarcoidea natalis) — cerca de 100 milhões de indivíduos — para desovar no mar foi descrita como uma das maravilhas do mundo natural e ocorre todos os anos por volta de novembro, após o início da estação chuvosa e sincronizado com o ciclo lunar.

 

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