Única no mundo: fotógrafo australiano registrou raríssima raia cor-de-rosa
Considerada a única do tipo no planeta, raia-manta batizada em homenagem a desenho animado foi fotografada em 2020 por Kristian Laine. Entenda a coloração do animal!


Goste ou não, a cor-de-rosa chama atenção por onde passa. Pode observar: um carro rosa sempre rende comentários, bem como qualquer cabelo tingido nessa coloração ou o mais comum dos objetos, como um celular. Logo, não foi diferente quando as fotos de uma raia cor-de-rosa ganharam a internet. O curioso é que, nesse caso, ninguém a “tingiu” — o animal, naturalmente, detém essa coloração tão aclamada.
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Quem amplificou a informação de que uma raia cor-de-rosa habitava esse planeta foi o fotógrafo Kristian Laine, que, à época, no temido ano de 2020, estava praticando mergulho livre próximo à ilha mais ao sul da Grande Barreira de Corais, na Austrália, quando se deparou com essa obra-prima da natureza.


Sua primeira reação, conforme detalhou ao National Geographic ainda naquele ano, foi ter a certeza de que sua câmera estava com algum tipo de problema. “Fiquei confuso e achando que meus estroboscópios haviam quebrado ou estavam com defeito”, relembrou ele ao veículo.


Mas não havia nada de errado com seu equipamento. Mais tarde, ele descobriu que havia dado de cara com uma jamanta-de-recife (Mobula alfredi) macho com cerca de 3,35 metros, batizada de Inspetor Clouseau. Sim. O animal não só era rosa como tinha um nome em referência ao detetive trapalhão dos desenhos de A Pantera Cor-de-Rosa.


Isso porque o fotógrafo não foi o primeiro a avistá-lo. O Inspetor Clouseau foi visto pela primeira vez em 2015 — embora tenha sido visto novamente menos de uma dezena de vezes desde então. “Sinto-me orgulhoso e extremamente afortunado”, afirmou à época.
Ok, mas por que a raia é cor-de-rosa?
Se você pensou que a resposta para essa pergunta está na dieta do animal ou uma possível infecção de pele, saiba que não é nada disso. Cientistas do grupo de pesquisa australiano Projeto Manta, que estudam a raia rosada, confirmaram que sua cor é verdadeira — mesmo que, a princípio, eles tenham cogitado essas teorias também, que se aplicam, por exemplo, aos flamingos cor-de-rosa. É. Os flamingos não são cor-de-rosa. Eles ficam cor-de-rosa ao ingerir pequenos crustáceos.


Depois desse baque, voltemos ao assunto: em 2016, Amelia Armstrong, pesquisadora do Projeto Manta, realizou uma pequena biópsia de pele na raia que descartou as possibilidades até então postas à mesa. A principal teoria do Projeto é que o Inspetor Clouseau possui uma mutação genética em sua expressão de melanina ou pigmentação.


Já para Solomon David, ecologista aquático da Universidade Estadual Nicholls da Louisiana, a mutação trata-se de um eritrismo, característica que faz com que a pigmentação da pele de um animal seja avermelhada ou, em alguns casos, cor-de-rosa, tal qual mutações como melanístico (preto) ou albino (branco). Guy Stevens, presidente e cofundador da Manta Trust, com sede no Reino Unido, concorda que o eritrismo seja a explicação mais plausível.
As jamantas-de-recife podem ser totalmente pretas, brancas ou, mais comumente, preto e branco, com contrassombreamento — dorso escuro e ventre claro — que ajuda na camuflagem contra predadores como tubarões. Ainda assim, variações de cor não devem afetar sua sobrevivência, já que seu grande porte (podendo ultrapassar uma tonelada) reduz a vulnerabilidade, deixando apenas grandes predadores como ameaça.
Para Armstrong, a raia não encanta apenas pela beleza. Ela considera que o animal pode contribuir para a ciência. “Conhecer a origem dessa mutação genética pode ajudar-nos a compreender como a cor evoluiu nas arraias-jamantas”, afirmou à época.
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