Comprador misterioso adquire iate histórico dos Estados Unidos por valor de “pechincha”
Considerado raro, barco fabricado nos anos 60 foi arrebatado por menos de US$ 1 milhão; confira


Se um dia você achou que teve uma enorme barganha, é porque não conhece a história do comprador do Wishing Star. Um dos iates clássicos mais charmosos já feitos nos Estados Unidos, agora tem um proprietário desconhecido, mas que adquiriu um belo barco pagando relativamente pouco.
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Estamos falando de uma das embarcações que fazem parte da história da construção naval americana. Os primeiros modelos deste barco foram produzidos em 1920, e o último em 1972. Inclusive, o Wishing Star foi construído pela Trumpy, mesmo estaleiro que fez os iates presidenciais dos EUA de 1930 a 1977.


O novo proprietário misterioso do iate clássico certamente sabia dessas informações, e por isso adquiriu o barco. No momento da venda, o Wishing Star tinha o último preço pedido conhecido de aproximadamente US$ 800 mil (cerca de R$ 4 milhões em conversão realizada em maio de 2024).
Um dos motivos que surpreende ainda mais uma aquisição tão barata — no ponto de vista dos milionários — é que o barco foi totalmente remodelado há apenas um ano. Ou seja, a embarcação não precisa de maiores investimentos para navegar em novas aventuras.


Agora, junte isso ao fato do iate ter mais de meio século de existência — visto que este modelo foi fabricado em 1963 — , e o proprietário conseguiu uma barganha daquelas! Além de ter parte da história estadunidense em seus domínios, o novo dono da Wishing pagou bem menos do que o estimado.
Uma relíquia na “garagem”
Não bastasse ter um iate clássico por uma pechincha, este modelo do Wishing Star ainda pode ser considerado raro. Afinal, se trata do único barco de 84 pés da Trumpy que mantém a popular configuração cruiser, além de muita sofisticação e glamour — como já era esperado.


Com aproximadamente 25 metros de comprimento, o barco não chega a ser um superiate, mas seu tamanho atende bem as expectativas da época. Nos anos 1960, ainda não tinha chegado a febre dos enormes cascos — que tomaria conta apenas duas décadas depois, em 1980.
Apesar da estrutura modesta — que não significa ultrapassada — , o iate clássico da Wishing Star ainda é um Trumpy, que lhe garante um design único no casco branco, e a temática de madeira escura e polida. Além disso, o barco possui três cabines — uma máster e duas duplas — , que acomodam até seis pessoas.




Frutos da recente reforma, a cabine de popa em teca foi totalmente reconstruída em 2023, junto com a subestrutura do iate. O Wishing Star tem capacidade para até oito pessoas, possui uma área para relaxar ao sol e uma plataforma de popa para acessar a água.
A aparência clássica do iate se mantém na parte interna, onde as mesas laterais com tampo de mármore e uma escrivaninha transformam o interior do barco numa espécie de viagem no tempo, principalmente no que diz respeito à construção náutica.


Por fim, dois motores da General Motors — Twin Detroit 12V — e os geradores Northern Lights garantem um cruzeiro suave a 13 nós (24 km/h) e uma velocidade máxima de 16 nós (aproximadamente 30 km/h).
Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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