Leões-marinhos filmam áreas inexploradas do oceano com ajuda de câmeras
O fundo do oceano guarda a sete chaves inúmeros segredos, mas uma ajuda nada convencional pode mudar esse cenário. Isso porque um grupo de oito leoas-marinhas-australianas, equipado com câmeras, filmou em detalhes as profundezas da região sul da Austrália — incluindo áreas ainda inexploradas.
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A aventura faz parte de uma pesquisa conduzida por uma equipe de cientistas australianos e norte-americanos, que decidiu acoplar uma filmadora em cada um dos animais participantes do projeto.


Como resultado, obtiveram 89 horas de filmagens que capturaram seis habitats marinhos ocupados pela espécie e flagraram momentos impressionantes, como um em que a mãe sai para caçar junto ao filhote dela e consegue predar uma sépia. Veja abaixo:
Além das câmeras, as leoas-marinhas-australianas também foram equipadas com rastreadores e sensores de movimento, presos com adesivos de neoprene — um tipo de borracha sintética. Os dispositivos foram projetados para não exceder 1% do peso corporal dos animais, de forma a não afetar a qualidade de vida ou comportamento deles.
Usar leões-marinhos para mapear o fundo do mar tem vantagens consideráveis. Os leões-marinhos podem cobrir grandes áreas em curtos períodos e podem acessar habitats que não podemos– explicou Nathan Angelakis, um dos pesquisadores do projeto


As imagens cobriram mais de 500 quilômetros e permitiram o mapeamento de 5 mil km² do leito oceânico. Os resultados foram publicados na revista Frontiers in Marine Science.
Experimento com leões-marinhos joga luz sobre questões importantes
Um dos motivos para explorar o fundo do mar é entender como proteger os habitats subaquáticos caso a atividade humana acabe os alterando. O foco desse estudo, no caso, foi conhecer melhor as ‘moradias’ da espécie.


Por meio das imagens, os cientistas conseguiram entender melhor o comportamento das leoas-marinhas-australianas e a biodiversidade dos ambientes em que vivem. Além disso, foi possível treinar uma inteligência artificial que prevê as características de áreas ainda desconhecidas com uma precisão de mais de 98%.
O estudo também ajuda a proteger a espécie que vive sob ameaça. Para se ter uma noção do risco que corre, suas populações no sul e oeste da Austrália diminuíram em mais de 60% nos últimos 40 anos.
“Nosso estudo ajudou a identificar habitats e áreas de importância para os leões-marinhos. Essas informações serão cruciais para conservar e gerenciar suas populações no futuro”, complementa Nathan. “Habitats e áreas que são valiosos para os leões-marinhos australianos também podem ser importantes para outras espécies marinhas importantes”.
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