Marina Escola: conheça o projeto público que pretende formar profissionais da Economia Azul

Iniciativa do IFSC prevê estrutura voltada ao ensino, pesquisa e inovação para atender à crescente demanda do setor náutico

17/07/2026
Foto: leungchopan/ Envato

Não é novidade que o mercado náutico não para de crescer em todas as vertentes possíveis. No entanto, conforme o setor aumenta, é necessário que também cresça a mão de obra qualificada para atender às demandas da Economia do Mar. Pensando nisso, o projeto Marina Escola vem para formar, capacitar e preparar profissionais para suprir essa lacuna e, acima de tudo, gerar mais oportunidades de emprego.

O Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), em parceria com a Associação Náutica Brasileira (ACATMAR), uma das entidades que integram o Movimento Floripa Sustentável, desenvolveram a iniciativa que integra dois pilares estratégicos para a região. São eles:

Para comentar sobre o projeto, o NÁUTICA Talks, realizado no JAQ H1, barco-escola movido a hidrogênio, durante o Marina Itajaí Boat Show deste ano, abriu suas cabines para o Prof. Dr. Vinicius de Luca Filho, diretor-geral do Câmpus Florianópolis-Continente do IFSC e coordenador do Marina Escola.

Prof. Dr. Vinicius de Luca Filho, diretor-geral do Campus Florianópolis-Continente do IFSC e coordenador do Marina Escola. Foto: Thiago Lustosa/ Revista Náutica

Conforme explicado pelo palestrante, o projeto de escola pública, ligado ao Ministério da Educação, prevê cursos de extensão, oficinas e programas interdisciplinares, além de parcerias com empresas do setor náutico, gastronômico e da economia azul. O objetivo, segundo Filho, é criar um hub que atenda mercado, formação, pesquisa e inovação.

Nós temos todas as possibilidades necessárias para que a gente faça um movimento que atenda ao mercado, à formação, à pesquisa e à inovação– ressaltou o palestrante

Segundo o professor da IFSC, a criação da marina-escola surge em um momento de expansão da infraestrutura náutica catarinense, especialmente em Florianópolis, que deverá ganhar novos empreendimentos nos próximos anos. Entre eles saiu do papel recentemente a Marina da Beira-Mar Norte, que pode ficar pronta em até quatro anos.

Foto: NaturesCharm/ Envato

Portanto, embora o estado viva um crescimento da economia azul, ainda faltam instituições voltadas especificamente à formação de profissionais para atuar em marinas, estaleiros e serviços ligados às embarcações, como apontou o professor durante o NÁUTICA Talks.

Hoje já existe um apagão de mão de obra. Quando a Marina da Beira-Mar Norte estiver em operação, teremos ainda mais dificuldade para contratar profissionais qualificados– contou Filho

Como funcionará a Marina Escola?

No campus de Florianópolis, o projeto já conta com 1,3 mil alunos divididos em diferentes áreas focadas no setor náutico.

Foto: Thiago Lustosa/ Revista Náutica

A iniciativa tem cursos superiores em turismo, gastronomia e hotelaria; cursos técnicos em confeitaria, panificação, gastronomia e guia de turismo (regional e nacional); e mais de 100 opções de curta duração, como idiomas, recepção de eventos etc.

 

Ainda mais focado no setor náutico, a escola ensina serviços de bordo, com formação para atuação em produção de alimentos e serviços de restaurante dentro de embarcações; manutenção de embarcações (fibra e motores a combustão ou elétricos); e atuação no turismo de marinas, garagens náuticas e na geração de dados e diagnósticos para o setor.

Um dos diferenciais do projeto é que os cursos não serão definidos apenas pela instituição de ensino. De acordo com o diretor, o IFSC está realizando uma escuta junto às entidades do setor para identificar quais profissionais são mais demandados pela indústria antes de estruturar a grade de ensino.

 

Além da qualificação profissional, a proposta prevê a realização de regatas, festivais gastronômicos, eventos técnicos e ações voltadas à preservação ambiental, aproximando ensino, mercado e comunidade.

Queremos que a marina seja uma referência também em sustentabilidade e mostre que é possível desenvolver o setor náutico com responsabilidade ambiental– explicou o professor

Muito mais que uma escola

Além da formação profissional, a Marina Escola pretende atuar como um centro de produção de conhecimento sobre o setor náutico. De acordo com Vinicius, a proposta é transformar o IFSC em uma referência nacional na elaboração de diagnósticos e estudos voltados à economia azul.

Foto: Thiago Lustosa/ Revista Náutica

Pensando nisso, a iniciativa inclui planos de pesquisa, extensão e uma pré-incubadora de projetos na área do campus. Inclusive, uma das cinco vagas do primeiro edital da incubadora será destinada exclusivamente a negócios ligados à economia azul, segundo Filho.

 

O projeto, como um todo, prevê um investimento estimado em aproximadamente R$ 5 milhões nos primeiros anos de implantação. Os recursos serão destinados à construção de uma rampa náutica, trapiche, hangar para manutenção de embarcações, salas de aula e um prédio voltado às atividades acadêmicas e laboratoriais.

 

Além do orçamento público, o IFSC pretende buscar recursos por meio de editais federais, emendas parlamentares e parcerias com empresas do setor náutico. Isso sem contar os fabricantes de motores, equipamentos e embarcações, que poderão contribuir com a estrutura da marina por meio de doação de materiais.

O setor náutico precisa de profissionais qualificados. A Marina Escola nasce justamente para aproximar a educação das necessidades reais do mercado– resume Filho

 

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