Moon boat: conheça o barco em forma de lua pensado para enfrentar as águas do Golfo de Bengala

Famosa na costa de Bangladesh, a embarcação artesanal chama atenção pelo formato arqueado do casco, que lembra uma lua crescente

11/05/2026
Foto: Mohammad Shajahan Bangladesh / Wikimedia Commons / Reprodução

Na costa sudeste de Bangladesh, na região de Cox’s Bazar, um tipo de barco não passa despercebido: o moon boat (barco lunar, na tradução para o português). O nome é inspirado no formato arqueado do casco, que lembra uma lua crescente. Mais que um design atípico, essas embarcações são resultado da adaptação das comunidades locais às condições desafiadoras do Golfo de Bengala.

Localizada na parte nordeste do oceano Índico, essa baía é considerada a maior do mundo, com cerca de 1600 km de largura e uma profundidade média de 2600 metros. Por lá, navegar é um desafio — especialmente perto da costa, onde a combinação de mar agitado, forte zona de arrebentação e alta incidência de ciclones torna as condições pouco favoráveis.

Foto: Mahidul Islam Nakib / Wikimedia Commons / Reprodução

Foi justamente pensando em formas de driblar essas águas que nasceram os moon boats. A curvatura acentuada do casco permite que a embarcação consiga atravessar mais facilmente a faixa de arrebentação, marcada por ondas fortes e bancos de areia — criados, principalmente, pelo volume de sedimentos trazidos por rios como o Ganges e o Brahmaputra.

Foto: Roham1222 / Wikimedia Commons / Reprodução

O trabalho artesanal tem origem associada às populações costeiras do sudeste de Bangladesh, com influência cultural do povo Rakhine, da vizinha região de Arakan (atual Mianmar). Para produzi-los, pescadores aproveitam materiais locais, como madeira, bambu e fibras naturais, e seguem técnicas transmitidas de geração em geração.

Foto: Fahad Rezoan / Wikimedia Commons / Reprodução

Ao longo dos anos, os moon boats passaram a ser incrementados também com motores simples — sem deixar de lado suas características tradicionais, consideradas parte do patrimônio cultural marítimo da região.


Atualmente, embora ainda sejam utilizados — principalmente nas praias de Cox’s Bazar —, a escala desses barcos vem diminuindo, em consequência da substituição por barcos mais modernos e pelo risco de desaparecimento do conhecimento de construção, transmitido, tradicionalmente, de forma oral.

Foto: Nazmulhlc / Wikimedia Commons / Reprodução

Para evitar esse cenário, a organização sem fins lucrativos Watever liderou, em 2013, um projeto de documentação e reconstrução de um moon boat, registrando técnicas ancestrais e promovendo sua valorização como patrimônio naval. Assim, desde 2014, a instituição apresenta o barco na França para destacar o patrimônio cultural de Bangladesh.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Nautispecial faz 30 anos e revela cuidados para conservar seu barco

    Empresa brasileira especializada em limpeza náutica alerta para os riscos da maresia e reforça a importância de produtos próprios para barcos

    O amor está no mar: veja os destinos preferidos dos casais neste Dia dos Namorados

    Segundo ranking do Tripadvisor, oito dos 10 lugares mais bem avaliados para viagens a dois são conhecidos por suas praias paradisíacas

    Conheça o país que pode desaparecer no mar antes de disputar uma Copa do Mundo

    Para o Kiribati, participar do torneio em 2030 simboliza, também, voltar os olhos do mundo à crise climática e ao aumento do nível do mar

    “Lancha pra bafão”: prefeito de Sorocaba anuncia “barco da Copa” no Paço Municipal

    Embarcação voltada ao público infantil para troca de figurinhas passa a receber visitantes neste sábado (13), das 10h às 12h, no lago do Parque do Paço

    Dia da Marinha: 1ª turma de mulheres do serviço militar feminino conclui formação

    Nesta quinta-feira (11) é comemorado o Dia da Marinha do Brasil e, na terça (9), o Serviço Militar Inicial Feminino teve as primeiras mulheres incorporadas