Navio naufragado atrapalha movimentação em complexo portuário de SC; Entenda
Navio Pallas naufragou há 131 anos no rio Itajaí-Açu e impacta o fluxo de embarcações no Porto de Itajaí, em Santa Catarina


Um naufrágio ocorrido há 131 anos tem atrapalhado a movimentação no complexo portuário de Santa Catarina (SC). Trata-se do navio Pallas, que naufragou no rio Itajaí-Açu em 29 de outubro de 1893. Mas esse entrave centenário está com os dias contados.
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Segundo João Paulo Tavares Bastos, superintendente do Porto de Itajaí (SC), o canal está cinco gerações atrasado. Os navios de carga que hoje circulam pela costa brasileira chegam a medir 365 metros, mas o Porto de Itajaí não pode recebê-los, justamente por desvios causados por obstáculos como o Pallas.


A retirada da carcaça, que permanece soterrada na foz do rio, deve liberar o caminho para embarcações maiores. A expectativa é permitir o tráfego de navios de até 366 metros.
A remoção trará benefícios para todo o complexo portuário– afirma Bastos
A primeira reunião para alinhar a operação aconteceu em maio. Estiveram presentes representantes da Marinha do Brasil, da Polícia Federal e da Autoridade Portuária de Santos, além de sindicatos e trabalhadores do setor.


O cronograma ainda é incerto, mas o processo já começou. Ele envolve licitações e estudos técnicos para então acontecer a retirada do casco, sob acompanhamento de uma comissão, criada em abril.
Obstáculo centenário em um dos maiores portos do país
O Porto de Itajaí integra o terceiro maior complexo portuário do Brasil, ao lado de seis terminais privados nas margens das cidades de Itajaí e Navegantes. Juntos, movimentam cerca de 13% do mercado nacional. O ranking é completado pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).
Em 30 de outubro de 2024, o porto recebeu a maior embarcação de sua história: um navio de 336 metros de comprimento. Com a remoção do Pallas, a tendência é de expansão. Dessa forma, navios ainda maiores poderão atracar por ali.
A história do navio Pallas
O Pallas foi construído no século 19 e teve papel ativo na Revolta da Armada. Operava como um navio frigorífico, transportando carnes entre os portos do Rio de Janeiro, no Brasil, e de Buenos Aires, na Argentina.


No dia do naufrágio, em 29 de outubro de 1893, o mar estava calmo e o clima, aparentemente normal. Mesmo assim, a embarcação de 48 metros de comprimento teve o casco partido e afundou. Felizmente, não houve vítimas.


Mais de um século depois, a carcaça do Pallas foi descoberta quase que por acaso. Durante obras de dragagem em 2017, a equipe técnica percebeu uma estrutura rígida no leito do rio. Após análise, veio a confirmação de que ali estava um naufrágio, que agora precisa ser removido para que o porto avance.
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