Placas tectônicas podem estar se “rasgando” no fundo do mar; entenda

07/02/2025

“Como uma toalha sendo puxada de uma mesa”. Foi assim que um grupo de cientistas exemplificou uma recém-descoberta deformação geológica que acontece com placas tectônicas no fundo do mar. Segundo a pesquisa, publicada na revista Geophysical Research Letters, elas não são tão rígidas como se pensava.

O artigo, desenvolvido por uma equipe de geocientistas da Universidade de Toronto, no Canadá, desafia a ideia de que as placas tectônicas sofrem deformação apenas nas zonas de subducção — ou seja, nas áreas onde elas deslizam uma sob a outra, processo este que pode causar terremotos e formação de vulcões.

 

Isso porque, segundo os pesquisadores, as placas do Oceano Pacífico — o maior do planeta — possuem grandes falhas submarinas, pois estão se deformando muito antes de chegarem a esse estágio.

Encontro de placas tectônicas no Parque Nacional Thingvellir, Islândia. Foto: Visual__Production/ Envato

Durante a pesquisa, foram analisados quatro grandes platôs submarinos: Ontong Java, Shatsky, Hess e Manihki, que registraram rachaduras, falhas e sinais de que estavam se “esticando” há milhões de anos na viagem pelo oceano. Na prática, é como se uma força os puxassem a milhares de metros de profundidade — e aqui entra a analogia da “toalha sendo puxada de uma mesa”.

 

Conforme é esticada para baixo do manto da Terra, a borda ocidental arrasta o restante da placa tectônica consigo. Até o momento da pesquisa, porém, se acreditava que as placas oceânicas permaneciam rígidas conforme se deslocavam pelo manto, não se deformando como suas bordas.

Sabíamos que as deformações geológicas, como as falhas, ocorrem no interior das placas continentais, longe dos limites das placas– Erkan Gün, líder da pesquisa, em comunicado

Um novo sentido

Para explicar o que acontece com os platôs submarinos, os cientistas fizeram outra analogia, e compararam a situação a um “pedaço de tecido mais propenso a rasgar”. Mesmo a milhares de quilômetros de distância, eles ainda compartilham características deformacionais e magmáticas.

Foto: _Tempus_/ Envato

Há evidências de que o vulcanismo ocorreu nesses locais no passado como resultado desse tipo de dano à placa, talvez de forma episódica ou contínua, mas não está claro se isso está acontecendo agora– disse Gün

De acordo com a pesquisa, acreditava-se que, pelo fato dos platôs suboceânicos serem mais espessos, seriam mais fortes. Mas a descoberta sobre o “esticamento” das placas tectônicas mostrou exatamente o contrário.

Vale ressaltar que o fundo do mar é formado por trincheiras e cadeias montanhosas, que se formam quando há uma colisão entre duas placas tectônicas, causando uma dobra na crosta terrestre. Outro caminho para elas “nascerem” é o momento em que uma placa “mergulha” sob a outra e a joga para cima.

Costa do Oceano Pacífico. Foto: voaimages/ Envato

Já sob a água, as montanhas se formam quando duas placas tectônicas se afastam, em um movimento chamado “divergente”, e o magma é expelido.

 

Cientistas acreditam que a pesquisa ajuda a refinar os estudos sobre o funcionamento do planeta, e esperam que o estudo fisgue mais atenção sobre o assunto, para que mais informações sobre os platôs sejam coletadas.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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