Fluentes em “baleiês”? Cientistas conseguem conversar com baleia jubarte

Animal respondeu aos chamados dos pesquisadores e esse pode ser o primeiro passo para comunicação extraterrestre

09/01/2024

Quem não se lembra da personagem Dory, de Procurando Nemo, falando em “baleiês” para encontrar seu amigo? Agora que pesquisadores conseguiram conversar com uma baleia — que lhes respondeu — , essa “linguagem” entrou em um outro patamar, e pode significar mais um passo no entendimento da comunicação animal — e, quem sabe, extraterrestre.

Um grupo de cientistas da Universidade da Califórnia em Davis, da Alaska Whale Foundation e do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence), recentemente publicou um estudo no periódico PeerJ, que apresenta um “bate-papo” de 20 minutos entre os profissionais e uma baleia jubarte, chamada Twain.

A conversa com a baleia aconteceu na costa do Alasca e, para estabelecer uma conexão com o animal, os pesquisadores utilizaram um áudio conhecido como “chamada de contato” (um som em uma frequência desconhecida de rádio, que funciona como um “oi” humano).

 

A ideia era testar se a frequência atrairia alguma baleia do oceano, já que essa é também a forma que o animal marinho utiliza para se comunicar com outras de sua espécie  — seja para iniciar um contato ou para informar umas às outras onde estão.

Eles são um dos sinais mais comuns no repertório sonoro social das baleias jubarte– Fred Sharpe, coautor do estudo

A baleia, por sua vez, não só foi atraída pelo som “baleiês” dos cientistas, como também respondeu a ele, replicando as pausas estabelecidas pelos pesquisadores.


Na prática, os profissionais tocaram o som de contato 36 vezes, com diferentes intervalos de tempo. Por exemplo: quando esperavam 10 segundos para tocar o som, a baleia esperava 10 segundos antes de responder, o que leva a crer que o animal estava em uma troca intencional.

Acreditamos que este seja o primeiro intercâmbio comunicativo entre humanos e baleias jubarte na ‘linguagem’ jubarte– Brenda McCowan, coautora do estudo

Mais que uma simples conversa com baleia

O estudo feito pelos cientistas é, na verdade, bem mais que uma “conversa” em “baleiês”. Esse pode ser, na verdade, mais um passo para uma eventual comunicação extraterrestre. Os profissionais entendem que, conforme o entendimento de comunicações não-humanas é melhorado, a interação com espécies diferentes, também é.

Existem diversas inteligências neste planeta e, ao estudá-las, podemos compreender melhor como seria uma inteligência especializada, porque não serão exatamente como a nossa– disse McCowan

Os pesquisadores do SETI avaliam que o comportamento da baleia Twain pode ser semelhante à forma como alienígenas podem tentar fazer contato com humanos. Com base nisso, os cientistas deram início a uma parceria com especialistas em baleias e animais da UC Davis e da Alaska Whale Foundation, com o objetivo de criar “filtros de inteligência”, visando a busca por inteligência extraterrestre.

 

Ao aperfeiçoar os filtros, os cientistas acreditam que seria possível identificar sinais vindos do espaço, numa tentativa de fazer o primeiro contato com uma raça desenvolvida.

 

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