Após cancelamento, SailGP dá detalhes do calendário de 2026 com etapa no Rio
Com o recente cancelamento da etapa no Rio de Janeiro do SailGP, a expectativa dos amantes brasileiros da vela era de uma nova data para a corrida na Cidade Maravilhosa. Ainda sem detalhes específicos, o campeonato revelou que voltará ao Brasil — embora sem citar que seja neste ano.
“Frustração”: Martine Grael lamenta cancelamento de etapa brasileira do SailGP
Globe 40: equipe brasileira ganha reforço para volta ao mundo em veleiro
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
Uma prévia das informações da temporada 2026, divulgadas nesta quarta-feira (16) pela organização do evento, informa que o Rio de Janeiro compõe a lista de destinos pela qual o Rolex SailGP Championship deve passar no ano que vem.
A seleção ainda inclui paradas em Sydney, Bermudas, Halifax, Saint-Tropez e Portsmouth, além da estreia de um novo evento na cidade de Perth, na Austrália, que marcará o início da próxima temporada. A previsão é que o campeonato dure 11 meses, com início em janeiro de 2026.


A ideia é que os catamarãs foilers de alta tecnologia, que alcançam velocidades superiores às do vento, chegando a 100 km/h, naveguem pelas águas de cinco continentes, da Austrália a Abu Dhabi.
Tivemos um interesse sem precedentes por parte de cidades ao redor do mundo. O SailGP está empolgado em divulgar uma prévia do que os fãs podem esperar em 2026– destacou Sir Russell Coutts, CEO do SailGP
A promessa do evento é proporcionar ao público “competições emocionantes e experiências inesquecíveis” para os fãs em cada uma das etapas. Após as corridas na Austrália, a disputa deve passar pelas Américas do Norte e do Sul, especialmente para uma “parada muito aguardada no Rio de Janeiro”.
Segundo Coutts, “o retorno a cidades-sede”, como Nova York e Saint-Tropez, “é um aspecto fundamental da expansão global contínua do SailGP”. Ele explica que “os acordos de longo prazo com as cidades-sede permitem ao SailGP construir um legado duradouro […] fazendo das etapas eventos centrais no calendário esportivo local”.


Na atual temporada, o SailGP recebeu uma frota recorde de 12 equipes internacionais, incluindo duas novas adições à linha de largada: o time brasileiro Mubadala Brazil SailGP Team e o italiano, Red Bull Italy SailGP Team. Para 2026, a expectativa é que outras duas novas equipes entrem para a lista.
Confira as etapas confirmadas do SailGP em 2026
- Perth Sail Grand Prix;
- Sydney Sail Grand Prix;
- Enel Rio Sail Grand Prix;
- Apex Group Bermuda Sail Grand Prix;
- Mubadala New York Sail Grand Prix;
- Canada Sail Grand Prix | Halifax;
- Emirates Great Britain Sail Grand Prix | Portsmouth;
- Rockwool France Sail Grand Prix | Saint Tropez;
- Emirates Dubai Sail Grand Prix, apresentado por P&O Marinas;
- Mubadala Abu Dhabi Sail Grand Prix 2026 — Grande Final da Temporada, apresentado pelo Conselho de Esportes de Abu Dhabi.
O calendário completo da temporada 2026 do SailGP, com datas e locais, será divulgado em breve.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
[caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"]

Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades
Colaboração estratégica reúne engenharia, design, condições comerciais exclusivas e experiências para clientes das duas marcas, e inclui uma edição especial da NX 44 Fly nas cores do Suassuna Design by Pininfarina
Lançada no São Paulo Boat Show 2026, lancha da Real Powerboats registra alta procura e tem toda a produção vendida até o próximo ano




