Semana de Vela: vento fraco desafiou equipes na Regata Mitsubishi Eduardo Souza Ramos
As regatas da 51ª Semana de Vela de Ilhabela (SIVI) começaram no último domingo (21), com disputas definidas no photo finish e após 12 horas no mar. Depois de um descanso na segunda-feira (22), nesta terça-feira (23) os barcos voltaram para as águas cristalinas da Capital da Vela, desta vez, para a Regata Mitsubishi Eduardo Souza Ramos.
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Marcada pela instabilidade do vento e da correnteza, a regata que leva o nome do atleta olímpico e um dos maiores incentivadores da modalidade no Brasil exigiu paciência e testou o preparo dos 100 barcos inscritos na 51ª SIVI.


Foi um dia difícil de vento. Muita correnteza de norte para o sul, que atrapalhava a largada. Eram as condições que a gente tinha– destacou Cuca Sodré, organizador técnico da SIVI
A comissão montou as boias no Canal de São Sebastião, bem na frente do Yacht Club de Ilhabela (YCI) e os resultados você confere a seguir.
Resultados da Regata Mitsubishi Eduardo Souza Ramos
ORC Geral
Com 100% de aproveitamento, o +Bravíssimo, de Luciano Secchin — que venceu a Alcatrazes por Boreste Marinha do Brasil — se deu melhor na ORC geral, seguido pelo Mago, de José Bartolucci e o Lucky Alforria, de Reginaldo Costa.


Atualmente, a equipe capixaba lidera o campeonato, seguida pelos argentinos do Mago e pelos uruguaios do Albariño, de Marcelo Cipolina.
BRA-RGS
Na BRA-RGS, o Pangea, de Jorge Carneiro, cruzou a linha de chegada em primeiro lugar com tempo corrigido. Na sequência veio o Tanuki, de Rafael Terentin e o Zeus, de Paulo Moura.
Clássicos
Nos Clássicos, o barco de 40 pés Pepa XIX, de Manfred Kaufmann Jr, foi o vencedor. Logo atrás veio o Vendetta, de André Gick, e o Kamehameha, de Alberto Kunath.


RGS Cruiser
A RGS Cruiser teve vitória gringa, com o barco argentino Náutico II, de Frederico Grunewald. O BL3 Urca, de Clauberto Andrade, ficou em segundo e o Pegasus, de Lucas Azambuja, em terceiro.
C-30
Na C-30, a comissão fez duas provas na mesma raia. O barco Relaxa, de Tomas Mangabeira, foi o primeiro a chegar, seguido pelo Tonka, de Demian Pons, e pelo Bravo, de Jorge Martinez.


A liderança foi para as mãos do Tonka, que conta com Robert Scheidt na equipe.
A 51ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela continua nesta quarta-feira (24) com mais regatas em Ilhabela. No final do dia, às 17h, haverá a premiação dos vencedores das regatas Alcatrazes por Boreste – Marinha do Brasil e Toque-Toque.
51ª edição da Semana de Vela de Ilhabela
A Semana Internacional de Vela de Ilhabela é tida como a maior da modalidade na América do Sul. O evento reúne os principais nomes do esporte no país, divididos em barcos de diferentes tamanhos e classes.


Neste ano, as regatas contarão com 100 veleiros de diversos estados do país, como Espírito Santo, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte, além de estrangeiros da Argentina e Uruguai.
Serão mais de 20 regatas programadas em raias tradicionais como o Canal de São Sebastião, Ponta das Canas, Alcatrazes, Farol dos Moleques e Ponta das Selas.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!




