Teste FS 355: um novo padrão de design, luxo e conforto do estaleiro catarinense

Com visual moderno, cabine sofisticada e acabamento superior, a lancha dá o seu maior espetáculo navegando

09/10/2024
Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Concebida para ser um modelo global, com acabamento mais refinado, a FS 355 caiu no gosto de público e crítica, transformando-se em uma das atrações do momento. Logo, a recepção positiva já era esperada desde quando a FS Yachts fez a apresentação dessa lancha à imprensa e convidados, em uma cerimônia especial, em Florianópolis, realizada dias antes do lançamento para o público no Rio Boat Show.

Com ela, o estaleiro catarinense, com sede na cidade de Biguaçu, estabelece um novo padrão de design, luxo e performance para a marca, em atividade desde 1998, com milhares de barcos na água.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

É uma lancha criada com muita paixão, muita vontade de evolução e mudança. É o espelho do que a FS Yachts está se tornando hoje– Almiro Thibúrcio, sócio proprietário do estaleiro

Depois de visitá-la no estande do estaleiro, na Marina da Glória, aproveitamos uma manhã ensolarada do outono carioca para conferir o desempenho da FS 355 nas águas, dentro e fora da Baía de Guanabara. Confiante no produto, eles não hesitarem em nos oferecer a unidade número 1 para fazer o teste. E ficamos surpresos com o que vimos. Tanto atracada quanto em navegação.

 

 

Com 10,80 metros de comprimento (35,43 pés) e 3,50 m de boca, a FS 355 é uma lancha de proa acessível, com solário protegido, sem perder o conforto de uma grande cabine. O cockpit, homologado para 14 pessoas, oferece recursos para um day use amplo.

Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

A começar pela área de popa (no modelo testado, estava revestida com madeira teca), que traz o requinte de uma abertura lateral da murada (ampliação do convés), a boreste, somando-se à plataforma de popa muito bem aproveitada.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

O pulo-do-gato para ganhar espaço foi a instalação de um sofá com encosto facilmente desmontável, com a frente voltada para a praça de popa e a parte de trás, para o mar, ocupando o lugar normalmente reservado ao móvel gourmet, que foi deslocado para o cockpit.

Como o encosto é móvel, como blocos de montar, o usuário pode removê-lo e transformar o sofá em um segundo solário (o outro fica na proa), entre outras possibilidades. E ainda há uma geleira na cabeceira do sofá, a bombordo.

Essa flexibilidade na configuração tem tudo a ver com o jeito brasileiro de curtir a vida ao ar livre a bordo quando o barco está parado, tomando banho de sol e curtindo o contato com o mar.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Na plataforma de popa, a escada para quem volta da água tem de quatro degraus e fica voltada para boreste, evitando a proximidade dos motores.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Além disso, o piso do centro da plataforma de popa abre, para o levantamento dos motores, que, recolhidos, ficam inteiramente fora da água.

No cockpit, protegido por uma capota do tipo T-top com excelente altura (ninguém bate a cabeça na cobertura de fibra), há um grande sofá com formato de J, entre ré e bombordo, e uma pequena extensão a boreste.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Pelo menos sete pessoas podem se acomodar ali, sem apertos. Ou até nove, apertando um pouquinho. E ainda há dois lugares ao lado do piloto no posto de comando, que tem assento triplo.

 

A mesa de centro tem base de inox e tampo de teca rebatível, sobre o qual se distribuem oito porta-copos. O móvel gourmet, a boreste, tem acabamento impecável em Corian e conta com churrasqueira com grelha elétrica (com botão corta-corrente ao lado, para evitar incêndio), pia, porta-trecos, geladeira de gavetas e geleira.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Mais à frente, a bombordo, há outra geleira e um nicho (porta-trecos) com porta-copos ao lado.

 

O banco do piloto tem assento rebatível, além de regulagem de altura. No painel, as duas telas de 12 polegadas cada estão bem-configuradas e toda botoeira está à mão, assim como o comando do guincho, o Zipwake (sistema automático de flaps) e o joystick.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

E não faltam aqueles itens que todo mundo exige hoje numa embarcação, como porta-celular, saída USB e porta-copos.

Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

A posição de pilotagem com o comandante sentado é das melhores, com ótima visão tanto da proa como das laterais. Mas, com o piloto em pé (especialmente para pessoas com altura de 1,95 m), o espaço entre o assento dobrado e o timão é um pouco apertado (ficou meio “seja breve”), embora o volante seja escamoteável. Nas próximas unidades, certamente, o estaleiro melhorará essa ergonomia.

O acesso à proa é feito por uma passagem lateral, a bombordo, com a subida de dois degraus. Para isso, é necessário abrir a uma portinha de fibra e levantar parte do para-brisa (que na unidade testada por NÁUTICA era de acrílico, mas nas próximas será substituído por vidro temperado, que oferece uma visão mais nítida e precisa).

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Por seu uma lancha cabinada e, ao mesmo tempo, de proa aberta, a FS 355 oferece melhor aproveitamento de espaço na parte da frente. O solário, cercado de caixas de som e de porta-copos, acomoda bem até três pessoas. E ainda há uma base para fixação de quatro pilares de inox e armação de uma tenda de sombreamento.

Outra boa sacada do projetista foi manter uma área entre o para-brisa e a cabeceira do solário em que dá para duas pessoas ficarem sentadas, facilitando ainda mais a interação entre os tripulantes.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

A amurada alta, combinada com o guarda-mancebo firme, transmite bastante segurança na proa. A caixa de âncora conta com pistões hidráulicos para puxar, manter levantada e abaixar a tampa sem trancos. Ao lado, há um chuveirinho para a limpeza do ferro e da corrente.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

A cabine, com pernoite para quatro pessoas, tem uma configuração tradicional para esse tipo de lancha, com um camarote em V na proa, outro (ocupando toda largura do casco) na meia-nau e um banheiro com box fechado a boreste, com 1,85 m de altura, além de uma cozinha de apoio a bombordo na sala de entrada.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Porém, ela chama atenção pelo acabamento mais refinado, com muito revestimento (não há fibra aparente), e o ambiente aconchegante, com várias saídas de ar refrigerado e a distribuição de lâmpadas e fitas de led, com iluminação direta e indireta, que transmitem uma sensação ainda maior de conforto.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

Sensação, aliás, que a gente começa a sentir ao descer a escada de acesso à cabine, uma vez que a porta de entrada, de material transparente, avança nobre o teto, promovendo o chamado efeito claraboia. O pé-direito ali é de 1,95 metro. A escada, apesar dos degraus estreitos, conta com um pega-mão ao lado, que garante segurança.

Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

Navegação da FS 355

Hora de acelerar. Quatro pessoas a bordo, tanque de combustível com 50% da capacidade total. Mar liso, com ondas de menos de meio metro na Baía de Guanabara e ventos de 5 nós.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Focada no mercado internacional, a lancha estava equipada com dois motores de popa de 300 hp cada — mas, sem perder de perspectiva o brasileiro, também é vendida na versão centro-rabeta. Com 4500 RPM, alcançamos 30,5 nós, com consumo de pouco mais de 65 litros por motor, o que garante uma autonomia de quase 200 milhas.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Fazendo curvas com segurança, não muito abertas nem muito fechadas, perdeu 1,8 nó, o que é praticamente nada nas curvas mais acentuadas. Acelerando um pouco mais, o barco responde rápido aos comandos e navega muito macio, mesmo ao cruzar as marolas (às vezes marolonas) de outros barcos.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica
Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

A sensação do piloto é a de estar dirigindo um carro confortável. A 5300 rpm, atingimos a velocidade máxima, que foi de 37 nós. No teste de aceleração, precisou de 9,3 segundos para ir da marcha lenta aos 20 nós, outra boa marca.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Apesar da motorização de popa, a FS 355 também tem uma casa de máquinas, com acesso rápido por meio de uma porta/tampa no piso do cockpit. Já a entrada principal fica camuflada na praça de popa, a que se tem acesso com o levantamento de uma parte do piso de teca (a de ré) do sofá.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Dentro do compartimento, com piso operacional, sobra muito espaço para a instalação de um gerador e do equipamento de ar-condicionado, além dos tanques de combustível e de água, dos bancos de baterias e das demais conexões dos sistemas elétrico e hidráulico, tudo com certificações internacionais.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

O isolamento termoacústico revela a preocupação do estaleiro em impedir o vazamento de ruídos e em transmitir uma maior sensação de conforto e silêncio por todo o barco.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Em resumo, uma lancha navegadora, ágil, que manobra com facilidade e responde bem aos comandos do piloto, correspondendo à expectativa. Sem dúvida, representa um patamar acima na história do estaleiro.

Saiba tudo sobre a FS 355

Pontos altos

  • Design realmente novo e agradável
  • Padrão da montagem e construção
  • Aproveitamento de espaço no cockpit

Pontos baixos

  • Degraus de acesso à cabine são pequenos
  • Apoio da porta (para-brisa) de acesso à proa é frágil
  • Assento para pilotagem em pé não é confortável

Características técnicas

  • Comprimento total:  10,80 m
  • Boca máxima: 3,5 m
  • Peso sem motores: 7000 kg
  • Ângulo do fundo na popa (deadrise): 18°
  • Combustível: 938 litros (popa) e 700 litros (centro)
  • Água: 200 litros
  • Capacidade (dia): 14 pessoas
  • Capacidade (noite): 4 pessoas
  • Motorização: popa ou centro-rabeta
  • Potência: 2 x 300 a 400 hp
Foto: Revista Náutica

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