Teste Sea-Doo GTR-X 300: apaixonante em todos os sentidos
A equipe da NÁUTICA fez o teste do Sea-Doo GTR-X 300, uma das novidades que a marca apresentou em sua linha 2024. A moto aquática combina o motor Rotax 1630 ACE supercharged (com intercooler externo e 300 hp de potência) com um casco Polytec Gen II (o mesmo do modelo GTI).
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O jet GTR-X 300 tem ainda fundo em V moderado e abas largas, que não deixam a água subir e atingir o rosto do piloto. Confeccionado com uma mistura de polipropileno e fibra de vidro de fios longos (material mais leve e muito resistente), esse casco é o primeiro da BRP conjugado com esse propulsor.


Na versão anterior, o GTR-X tinha um motor de 230 hp. Agora, com os 70 cavalos a mais, passou a fazer parte da família de alta performance da Sea-Doo, ao lado dos potentes RXP-X 325 e do RXT-X 325, ambos com 325 hp.
A promessa do Sea-Doo GTR-X 300 é de passeios bem rápidos e, ao mesmo tempo, confortáveis, perfeitos para diversão diária. Para tirar a prova dos nove, levamos o jet para as águas da represa de Riacho Grande, em São Bernardo do Campo, São Paulo.


Antes de embarcar, é notável ao primeiro olhar que o jet apresenta muitos atributos para conquistar os fãs da marca, além do novo motor. Como, por exemplo, a ergonomia do banco bipartido, com encosto lombar, o que — somado ao apoio para as pernas, ao lado, e aos tapetes inclinados antiderrapantes para os pés — permite que o piloto permaneça firmemente no controle, mesmo durante as manobras mais agressivas.




Esse assento, por conta do sistema de encaixe, pode ser estendido e acomodar três pessoas.


A plataforma de embarque está equipada com o já conhecido (e eficiente) sistema de fixação de engate rápido, que a BRP registrou como LinQ, que permite prender diversos acessórios: de caixas térmicas a uma torre retrátil de esqui, passando por um tanque adicional de combustível de 15 litros (o tanque fixo tem capacidade de 70 litros).




Completando o pacote de agrados na popa, existe a possibilidade de instalação de uma escada para reembarque (opcional vendido à parte).
Outros recursos bem-vindos estão no novo painel do Sea-Doo GTR-X 300, de 7,6 polegadas, de fácil leitura e muito completo. Nele, além de verificar velocímetro, rotações do motor, relógio, consumo, estatísticas e horímetro, é possível instalar o BRP Connect, aplicativo opcional que, conectado ao smartphone, dá acesso a músicas, informações sobre o clima e outros tantos recursos.




Vem equipado ainda com um sistema de som Bluetooth à prova d’água, que pode ser controlado diretamente no punho direito do guidão, esbanjando uma potência de mais de 100 Watts RMS. Por sua vez, o guidão, mais baixo, tem estilo de corrida, o que proporciona maior confiança na navegação.




Para melhorar ainda mais a receita, o Sea-Doo GTR-X 300 oferece muitos espaços de armazenamento, como um porta-malas frontal de 152 litros (dá para levar muita bagagem), um porta-luvas (profundo) de 9 litros e uma caixa estanque exclusiva para o celular, com tomada USB.




Antes ainda de subir no jet, examinamos o desenho do casco. Com 10,9 pés (3,32 metros), o Polytec Gen II tem V moderado na popa, quilhas (que dão mais estabilidade e não o deixam sair de traseira), abas do fundo (que jogam a água para baixo, produzindo uma navegação mais seca) e flapes, que contribuem para que jet fique mais à flor da água e, consequentemente, tenha uma melhor performance.




Além disso, na parte frontal superior do jet existem duas aletas que direcionam os respingos que possam vir diretamente no rosto do piloto.


Tudo somado, esse casco — aliado ao motor Rotax 1630, de 300 hp de potência — gera a expectativa de um desempenho agressivo e, ao mesmo tempo, bastante estável. Mas, será que o Sea-Doo GTR-X 300 cumpre o que promete?




Hora de acelerar. Jet abastecido (o motor requer combustível premium, de 87 octanas), acionamos o modo Sport de pilotar e o ajuste automático do arranque (Launch Control, que evita que o jet fique cavitando na largada).


O Sea-Doo GTR-X 300 decola instantaneamente. De zero a 50 mph (80 km/h) chega em menos de 3 segundos. Basta não aliviar no manete para que, em menos de 20 segundos, alcance a velocidade máxima, que foi de mais 65 mph – mais de 100 km/h na água, como uma espécie de Ferrari náutica.


O desempenho é turbinado por um supercharger, que produz um aumento de 12,8 psi, refrigerado por um intercooler externo. Vale lembrar que os motores de todos os jets da Sea Doo possuem um sistema de arrefecimento interno; ou seja, a água da represa ou do mar não entram no motor para a refrigeração.


O modo Sport é o de alto desempenho. Com ele, o jet alcança aceleração máxima; em compensação, o consumo de combustível também vai lá em cima; inclusive, aparece um alerta no painel: “cuidado”.
Existem outros dois modos de potência selecionáveis: Slow e Eco — com este, a gente pilota economizando combustível.


O Sea-Doo GTR-X 300 vem equipado ainda com um limitador de velocidade, bem oportuno para pilotos que estão em treinamento ou que nunca usaram uma embarcação de alta performance.
O manete da empunhadura esquerda controla o freio iBR e o sistema de ré. O sistema é intuitivo e rápido, facilitando no controle e nas manobras do GTR-X 300.


Nas manobras, o casco é tão radical quanto o do TR-3, da linha de cruzeiro esportiva RXT-X e RXP-X (os mais poderosos da marca, com motor de 325 hp). E ainda oferece uma navegação confortável, por conta de seu desenho, um pouco mais largo que o habitual, que absorve muito bem as marolas e mantém a trajetória nas curvas, com boa retomada, sem cavar demais na água e dando ao piloto uma sensação de segurança e controle total da máquina.


Em nenhum momento sente-se insegurança, mesmo quando o ponteiro marca velocidades mais radicais. Em resumo, pilotar o Sea-Doo GTR-X 300 é, de fato, uma delícia. E com um nível de conforto que nenhum outro jet oferece.
* Por Renan Macedo, em colaboração para a Revista Náutica
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
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Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
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